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O marechal da reforma agrária só conhece foice de bandeira

Esse põe até a mãe no meio das histórias que inventa, pensei enquanto ouvia a resposta de João Pedro Stédile ao jornalista que lhe perguntara se é comunista. “Minha mãe me ensinou a respeitar os preceitos da Igreja Católica”, recitou, esforçando-se para conciliar a pose de filho amoroso com o sorriso de quem não acredita […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 22 fev 2017, 11h44 - Publicado em 14 out 2009, 15h28

Esse põe até a mãe no meio das histórias que inventa, pensei enquanto ouvia a resposta de João Pedro Stédile ao jornalista que lhe perguntara se é comunista. “Minha mãe me ensinou a respeitar os preceitos da Igreja Católica”, recitou, esforçando-se para conciliar a pose de filho amoroso com o sorriso de quem não acredita no que diz. Se é que a mãe tentou, o menino não aprendeu. Caso resolva contar a um padre o que fez no mês anterior, Stédile não ficará menos de uma semana ajoelhado no confessionário.

“Também me ensinou a compreender que nada é mais importante que o trabalho”, continuou o teatrão. Se adivinhasse o tipo de trabalho que o filho arranjaria, ela teria ressalvado que é melhor não fazer nada do que fazer coisas que deixam envergonhada a mais compassiva das mães. O casal de pequenos agricultores gaúchos criou João Pedro para cuidar da propriedade da família. Stédile prefere invadir a dos outros. Os pais pensaram que seria um bom lavrador. Virou chefe do MST e comanda guerreiros rurais com a patente de marechal, mas entende de colheita e plantio tanto quanto Lula entende de gramática e ortografia.

Stédile imagina que carrascal é um clube de torturadores aposentados e só conhece foice de bandeira. Se resolver empunhar alguma, pode entrar para a História como o primeiro revolucionário a decepar a própria cabeça. O que resta de juízo aconselhou-o a trocar objetos cortantes por microfones e hoje só visita a zona rural de vez em quando. Aos 57 anos, limita-se a determinar o dia e o alvo do ataque. Consumado mais um crime, o mandante ouve, em vez da voz de prisão, convites para mais entrevistas.

“O fato de a área ser grilada, confirmado pelo Incra, não é algo secundário. Esse é o fato”, resolveu Stédile na Folha deste domingo. O fato de o Incra ter sido reduzido a codinome do MST é mais que um fato: é um caso de polícia, retruca o Brasil que presta. As siglas companheiras sabiam que a Justiça já decidiu em segunda instância que a fazenda pertence à Cutrale. Nunca se importaram com juízes ou promotores. Consideram coisa de burguês o direito de propriedade e o regime democrático. A luta pela reforma agrária é só o disfarce conveniente na caminhada rumo ao paraíso socialista.

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“O que fizemos foi demonstrar para o país um sentimento patriótico”, explicou Paulo Albuquerque, o general que Stédile escalou para liderar a ofensiva. “Alguém tem que defender este país contra latifúndio e monocultura”. O que precisa de defesa é o Brasil honesto, agredido impunemente pela única quadrilha do mundo sustentada com o dinheiro dos que pagam impostos.

A Constituição impõe ao governo a preservação do Estado de Direito, que exige o cumprimento da legislação em vigor por todos os cidadãos. Se continuarem a defender uma organização criminosa que luta pela implantação da ditadura, o presidente e ministros militantes terão abandonado a defesa do Estado de Direito para associar-se ao MST na tentativa de implodir as instituições democráticas. Nesse caso, o Brasil ao menos saberá que está no poder um governo fora-da-lei. E estará preparado para a notícia de que João Pedro Stédile virou ministro da Agricultura.

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