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O espantoso encontro no Planalto entre o Senhor Presidente e o Senhor Cloaca

Caprichando na pose de moderador de um encontro entre o presidente da República e entrevistadores criteriosamente selecionados, o jornalista Nelson Breve, da assessoria de imprensa do Planalto, limpa a garganta com um pigarro imaginário e emposta a voz para anunciar a identidade do escalado para a próxima pergunta e a instituição que representa: ─  Senhor […]

Caprichando na pose de moderador de um encontro entre o presidente da República e entrevistadores criteriosamente selecionados, o jornalista Nelson Breve, da assessoria de imprensa do Planalto, limpa a garganta com um pigarro imaginário e emposta a voz para anunciar a identidade do escalado para a próxima pergunta e a instituição que representa:

─  Senhor Cloaca, do Cloaca News.

Assim começa, como atesta o vídeo, o melhor dos piores momentos do espantoso sarau que juntou, nesta quarta-feira, o chefe de governo e o time formado por 11 blogueiros “progressistas” ─ ou estatizados, em língua de gente. O resumo da ópera do absurdo está nos blogs de Ricardo Setti e Reinaldo Azevedo. Esta coluna limita-se a registrar a troca de ideias e afagos entre Lula e a o convidado cujo codinome significa “cano ou fossa destinada a receber dejeções e outras imundícies” ou “aquilo que é imundo, que cheira mal”.

Ao som de risos abafados, a câmera que mostra a turma aglomerada nos dois lados da mesa comprida se aproxima da figura cujo codinome significa “órgão por onde aves e alguns outros animais excretam seus resíduos orgânicos: fezes e urina”. A imagem ampliada pelo close exibe  alguém que acabou de chegar dos anos 60 e só teve tempo para deixar a mala no quarto-e-sala do amigo. Os pelos da barba aparada na véspera tentam compensar o sumiço dos fios de cabelo no topo. Enquanto trava uma briga de foice no escuro com os tons sombrios da gravata estampada, o terno preto emprestado de algum parente mais gordo e mais alto engole as mangas e a gola da camisa social branca.

O Senhor Cloaca quer saber se o Senhor Presidente tem boas notícias para os partidários da censura à imprensa. Conta que ficou entusiasmado com a ofensiva liberticida planejada em 2009 pelos participantes da Conferência Nacional de Comunicação. Mas está ansioso pela materialização do sonho que começa pelo controle social da mídia. Nem toda, concede: o que o incomoda é “certa imprensa” que não sabe ser gentil com o governo em geral e, em particular, com o chefe da nação.

Dilatada por pontapés na gramática e cotoveladas na fluência, a pergunta chega ao fim quando o homem na cabeceira da mesa já esqueceu a apresentação recitada pelo moderador. Alertado pelo ponto final, Lula faz cara de quem ouviu um sábio do Sião, aproxima-se do microfone, consulta um papel à sua esquerda e solta a saudação inacreditável:

─ Meu caro senhor Cloaca.

A plateia estaciona nas risadinha esparsas. Por saber que gargalhadas devem ser guardadas para as piadinhas de Lula, o bando de áulicos e chapas-brancas restaurou em segundos a paisagem solene. Até o encerramento da discurseira, Cloaca sentiu-se em casa. Foi tratado respeitosamente por gente que há oito anos desrespeita o Brasil.

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  1. Comentado por:

    Rex

    Foto do Augusto Nunes com o general Figueiredo? …
    Não conta pra ninguém, mas eu tenho uma foto com o Fidel, milicianorex. Nunca tive coragem de mostrar em casa de família.

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  2. Comentado por:

    Luiz

    ““E eles federal!” é bom, hein, milicianalexandre? Você aprendeu a juntar plural e singular na escolinha da Dilma ou no curso intensivo do Lula? Vai ser analfabeto num blog progressista, companheiro. Aqui não há vagas para cretinos.”
    Vale pra você também, milicianoluiz.

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  3. Comentado por:

    Lucas Vital Matos Dias Gabriel

    VOCÊ É FEIO!
    Mesmo que fosse bonito, você não teria chances, cara. Prefiro mulher.

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  4. Comentado por:

    Walrus

    Um cara que se presta a publicar os comentários “do contra” e respondê-los…
    Um cara que escreve para não ser publicado, como você, não pode ser normal.

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  5. Comentado por:

    Penélope sem Ulisses

    Venho confessar que te traí. O clichê das confissões de traição manda dizer que foi só atração, mas atração não é pouca coisa. Juro-te que não significou nada para mim e que não houve isso aqui de atração. Foi só curiosidade de tanto que falam, falam. Cedi a experimentar algo diferente. Não, mais que diferente: oposto a ti. Foi de noitinha, na tua ausência da coluna. Comemoravas teu aniversário e sabia que só voltarias na tarde seguinte. Deixaste-me só. Sabes lá o que é uma leitora sem teu costumeiro texto noturno? A ti não importa, se tens vinho e companhia, que alguém do outro lado da noite conta contigo! A traição é minha, mas o deleite será teu ao saberes com quem estive. Tanto que, compreendendo que mais castiguei a mim do que a ti com meu ato volúvel, tu me perdoarás: o anão do bispo, sim, fui ao execrável anão do bispo! Mais baixo do que eu e meu ato. Insana e perdida, fui ter com outro jornalista minúsculo patrocinado pela CEF e, antes de recobrar a lucidez e convencer-me de que são todos iguais, um terceiro, rasteiro e pequeno também. Preparei-me para as mentiras repulsivas que escrevem a respeito de ti e dos outros jornalistas e veículos independentes, para os elogios sem fundamento ao lulopetismo e respectivo império da roubalheira, até mesmo para os insultos aos leitores da imprensa decente. Minha curiosidade venceu o asco do conteúdo da esgotosfera. Contudo, nada poderia me preparar para a forma: o texto rude sem os doces preâmbulos dos teus; a sintaxe tosca e fria sem o charme objetivo da tua; a linguagem toda musculosa forçando passagem para ir direto ponto, mas, sem fôlego moral e intelectual e jeito para tanto, machuca a verdade pelo caminho e não, não chega alcança ponto. Tão diferente da linguagem tua que, ora com mais graça, ora com mais gravidade, e sempre com profissionalismo, sulca fácil rumo ao ponto. Eu não precisa dessa infeliz incursão para saber quem és nem quem eles são, também era dispensável para saber quem sou: uma leitora tua e tens minha palavra que continuo a mesma, ainda mais sequiosa dos teus textos. Conto com eles e com teu perdão. Ainda não me perdoei, mas já perdoei a ti. Um beijo
    Delícia de texto. Um beijo

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  6. Comentado por:

    Aranha

    Para falar sobre o Sr. Cloaca só duas pessoas um Protoctologista por ser sua área de trabalho e do outro o Sr. Lulla pois só abre a boca prá dizer merda. Quanto ao Sr. Cloaca é a própia merda.
    Perdoe-me as palavras chulas, mas fora isso que falar sobre cloaca? Há lembrei: hemorroidas.

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  7. Comentado por:

    Aranha

    Augusto você é um democrata e intelectual.
    Ler seus textos e consultar o Bau dos Presidentes, dentre outros, é um passeio na história contemporânea. Ter uma foto, como jornalista ao lado de Figueiredo ou de Lulla, não necessariamente significa comungar das idéias de um ou de outro, mas simplesmente registrar o fato jornalistico.
    Responder a petista é perda de tempo. Petista só entende de cloaca e de mensalão. Estes são motivos que jamais me permitirão entrar nestes blogs para opnar,não entenderiam nem respeitariam minha opinião, pois além de confudirem democracia com autoritarismo, só entendem de cloaca.
    Obrigado, amigo. Abração

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  8. Comentado por:

    jairo

    Nossa …..

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  9. Comentado por:

    Penélope

    Nasci em 1965, há 49 anos hoje. Tu, eu sei, em 1949, 65 anos daqui a pouco. O que isso quer dizer? Nada, mas gosto da leveza do jogo inocente entre os números. Há dois anos, deixei aqui um comentário com o qual te deliciaste, segundo disseste ao pé dele. Se é delícia pra ti, é pra mim. O post atraiu inúmeros milicianos que têm estado calados, ouvindo o tempo dizer que tudo que pesa passa e a lulopestilência e suas toneladas de vermes estão passando. O que é leve vence o tempo, o que é leve fica e esta tua leitora está feliz hoje. É um momento e passará, sei eu, mas não passará o que é ainda mais leve do que essa felicidade de superfície descontínua em momentos quebrados: a lembrança dela, o perfume dela. Quando?, ele perguntou há 3 anos. Dentro ainda de um inverno findando em noites mornas numa quase primavera florescendo em dias de um vento já cheio de sol. Faço questão de festejar, ele jurou, mas não com aquele vinho que não está à altura da homenageada. Lindo e maroto, garantiu que 46 pareciam 16. Mantidas as ilusões que se foram, 49 deveriam parecer 19 e o vinho superior estaria à espera. Acontece que os espelhos são impiedosos na denúncia de que o tempo passou e levou a juventude do corpo. Vinhos também passam, alguns deixam aquela memória da razão pela qual foram abertos e até guardamos a rolha, não é mesmo? São inesquecíveis, mas ainda tatuados mais fundo na nossa alma são aqueles que não tomamos, que ficaram à espera. Tem leveza maior do que a do irrealizado? Mais ou menos como os lindos gols que o Pelé não fez. Quem esquece? Alguns gols perdidos são ainda mais bonitos do que muitos que o rei incomparável marcou. Sem o peso da âncora que meteria o irrealizado na realidade, no acontecido das coisas, o que não foi também não passa e resiste planando com toda sua insustentável leveza de não ser. Melhor nem lutar contra. Melhor abrir um vinho e celebrar tudo, a vida com seus acontecimentos e desacontecimentos. Adoro aniversários, por isso esta tua leitora está tão feliz, com afagos e carinhos de tantas pessoas queridas, delícias da vida. Logo será primavera, com o teu 25=65. Motivos pra celebração não te faltam, e minha felicidade deste momento também é por ti. Beinjando-te, Penélope
    Um brinde a você, Penélope.
    E outro à vida, sempre. Um beijo

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  10. Comentado por:

    Penélope

    Meu último comentário está duplicado, se quiseres, apaga uma cópia. Escrevo para te agradecer pelo brinde que sorvi com prazer. Sim, brindemos à vida sempre e, o dia inteirinho de hoje sem cessar nem cansar, também a ti. Assim, beijando-te, tim-tim.

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