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Raí: Só 30% das escolas públicas têm espaço ideal para o esporte

Capitão da Seleção Brasileira por três anos, ele fez parte da equipe tetracampeã em 1995, na Copa dos estados Unidos

O convidado do Roda Viva desta segunda-feira foi Raí, um dos grandes craques do futebol brasileiro. Com a camisa do São Paulo, time que o consagrou, conquistou um Campeonato Brasileiro, duas Libertadores da América, um Mundial Interclubes, além de cinco campeonatos paulistas. Capitão da Seleção Brasileira por três anos, fez parte da equipe tetracampeã em 1995, na Copa dos Estados Unidos. Quatro anos depois, criou com o craque e amigo e Leonardo a Fundação Gol de Letra, que atende 1.500 crianças e adolescentes em São Paulo e no Rio de Janeiro. Confira trechos da entrevista:

“A Atletas pelo Brasil é uma organização que reúne 61 atletas de várias modalidades com o objetivo de melhorar o Brasil através do esporte. Somos todos atletas de alto rendimento, que pensam o esporte como um bem para o país. Sabemos que, muito mais que vitórias, ele pode dar saúde, qualidade de vida, e tornar os cidadãos melhores”.

“Quando falamos em ONG, em 3º setor, não estamos falando de ajuda, de caridade, mas de uma organização de pessoas para o bem comum. É esse o caso da Gol de letra”.

“Na minha fase de ativista, eu não queria nada com o governo. Hoje, sei que preciso ter colaboração e fazer cobranças para que as coisas aconteçam. Ainda não me vejo exercendo um cargo político, mas também não descarto isso. Acho que meu papel tem sido mais importante do lado de fora. É preciso ter estômago para entrar na política e eu ainda não tenho”.

“Precisamos pensar, antes de tudo, no direito ao acesso ao esporte. Só 30% das escolas públicas têm espaço adequado para a prática esportiva”.

“O sucesso da natação no Brasil é quase um milagre. Imagina o que aconteceria se cada criança tivesse acesso a uma piscina”.

“É impressionante a quantidade de investidores e de investimento que existe no futebol, mas nada vem para o Brasil. O dinheiro, os investidores e os fundos de investimentos existem, mas o país não se prepara para isso. É uma questão de cegueira dos dirigentes brasileiros, que não fazem propostas concretas de mudança. Nos clubes a renovação é muito lenta e isso traz um ambiente de desconfiança para os investimentos”.

“Todo jogador que tem 10, 15 anos de carreira, quer jorgar nos melhores campeonatos do mundo, com os melhores jogadores do mundo. Antes os melhores jogadores estavam aqui. Hoje não estão”.

“A negociação do Neymar foi quase um negócio de Estado. E a quantidade de torcedores que o Paris Saint Germain terá nos próximos anos compensa o investimento. Existem coisas tangíveis e intangíveis que talvez façam o Neymar valer R$ 900 milhões”.

“Não valeu a pena o Brasil ter sediado a Copa e as Olimpíadas. Um legado das Olimpíadas é que os jogos conscientizaram a respeito da importância e dos benefícios do esporte na vida das pessoas. Mas Londres, por exemplo, colocou como objetivo três horas a mais de esporte por semana nas escolas. Depois de alguns anos, constataram que aquelas que tinham investido nisso apresentaram um desempenho melhor em matemática. No Brasil não vimos nada parecido”.

“Fui três anos capitão da Seleção e, quando chegou a Copa de 1994 não estava na minha melhor fase, não estava bem fisicamente. Eu era o capitão de uma Seleção que não ganhava há 24 anos e era apontado como a ‘solução’ para o time. Era uma cobrança desproporcional. Queria ter ido para a Copa de 1998, porque minha relação com a Seleção terminou como um caso de amor não resolvido”.

“Aceitei o convite para fazer parte do conselho de Michel Temer, mas quando vi o que estava acontecendo no Congresso, senti que a minha voz não seria ouvida e saí logo depois. Se fosse dar um conselho para o Temer seria para ele ter um ato de grandeza e renunciar”.

“O Sócrates, como irmão e pela precocidade que nos deixou, tinha muito a acrescentar. Ele era um cara mais revolucionário, mais agressivo que eu. Temos estilos bem diferentes. Mas ele estimula meu lado ativista, o que é muito bom”.

“Esporte, saúde e educação precisam trabalhar juntos. É necessário ter uma política de atividade física ampla. Com uma boa política esportiva você consegue uma educação melhor, uma saúde melhor”.

A bancada de entrevistadores reuniu os jornalistas Alexandre Salvador (editor de esportes da VEJA), André Kfouri (apresentador do canal ESPN e colunista do jornal Lance), Ana Estela de Sousa Pinto (repórter especial da Folha), Robson Morelli (editor de esportes do Estadão) e Vladir Lemos (apresentador e editor-chefe do programa Cartão Verde). Com desenhos em tempo real do cartunista Paulo Caruso, o programa foi transmitido pela TV Cultura.

 

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