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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

No caso do PT, autocrítica é confissão que dá cadeia

Se o partido contasse tudo o que fez, já estaria disputando com o PCC o controle do sistema penitenciário

Por Augusto Nunes - 4 Dec 2018, 20h22

No tempo em que o PT vencia eleições, surgiu no Brasil a única torcida do mundo que além de não saber perder, como tantas outras, tampouco sabia ganhar. Em vez de comemorar a própria vitória, a companheirada preferia celebrar a derrota dos outros. Em vez de juntar na mesma festa os que haviam votado no vencedor, o rebanho raivoso preferia vagar pela internet à caça dos que optaram pelo adversário.

Nas eleições presidenciais de 2002, 2006, 2010 e 2014, por exemplo, a festa da vitória foi substituída pela vitória do ressentimento. Fanáticos nunca ficam simplesmente alegres. Rancorosos incuráveis são incapazes de expressar-se como seres normais. Berram, urram, uivam, rosnam. É a trilha sonora que acompanha a trajetória dos condenados à infelicidade perpétua.

Se a seita que tem em Lula seu único deus nunca soube ganhar, é claro que jamais aprenderá a perder. Como atestam as discurseiras dos sacerdotes e as palavras de Lula a seus discípulos, a culpa é sempre dos outros. Fernando Haddad, portanto, fez tudo certo. Quem errou foi a maioria do eleitorado, um bando de idiotas manipulado por ultradireitistas dispostos a erradicar a tiros os pobres, os homossexuais, os negros, os índios e as mulheres.

Por tudo isso e muito mais, perde tempo quem espera autocrítica de gente assim. Autocrítica é coisa para partidos políticos. Para ajuntamentos de corruptos, a palavra certa é confissão. E se o PT, surpreendido por algum surto de sinceridade, confessasse tudo o que fez, já estaria disputando com o PCC e o Comando Vermelho o controle do sistema penitenciário.

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