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Maurício Moura: É muito difícil os eleitores mudarem o voto agora

Para o CEO do Ideia Big Data, os brasileiros transmitiram uma mensagem muito clara: querem afastar-se da política tradicional

Por Branca Nunes 16 out 2018, 18h08

A duas semanas do segundo turno das eleições, é muito difícil que haja uma mudança significativa no resultado eleitoral apontado pelas pesquisas de intenção de voto, acredita Maurício Moura, CEO da Ideia Big Data, consultoria de opinião pública especializada em cenários políticos e eleitorais. “Essa é a eleição do anti-petismo”, resume o executivo. “Na sexta-feira que antecedeu o primeiro turno, trabalhávamos com dois cenários. Um apontava que a eleição acabaria domingo. No outro, Bolsonaro teria mais de 45% dos votos, o que acabou se materializando”.

Para Moura, o resultado surpreendente na disputa do governo de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, que levou ao segundo turno como favoritos Romeu Zema e Wilson Witzel, pode ser explicado pelo pouco tempo de campanha e pelo protagonismo das eleições presidenciais. “Os eleitores começaram a pensar nos outros cargos muito tarde”, afirma. “Constatamos que a porcentagem de indecisos na pergunta espontânea chegava a 25%. Ou seja, um quarto dos eleitores foi às urnas sem saber verbalizar espontaneamente o nome do candidato em que ia votar”.

Moura começou a perceber a força da “onda Bolsonaro” ao notar que o candidato do PSL ganhava votos entre as mulheres e nordestinos de baixa renda. “Quando alguém passa a avançar num grupo que não é o seu, isso mostra que ele pode avançar rápido em qualquer grupo”, argumenta. Para Moura, a maior surpresa dessa eleição foi o grau de renovação do Congresso Nacional.

Ele previa que o fundo partidário beneficiaria quem buscava a reeleição, mas o uso das redes sociais e do WhatsApp acabou fazendo com que o pleito se tornasse muito mais democrático. “O eleitor deu uma mensagem muito clara de que quer se afastar da política tradicional”, acredita Moura.

Pesquisas da Ideia Big Data constataram, por exemplo, que o material divulgado por Bolsonaro chegava diariamente a 30 mil a 40 mil grupos de WhatsApp, e que cerca de 50 milhões de brasileiros recebiam algum tipo de conteúdo pelo celular todos os dias. “O horário eleitoral gratuito e os debates não terão praticamente peso nenhum nesse segundo turno, como já não tiveram no primeiro”, observa. “O eleitorado não quer ser convencido”.

Moura discorda dos que acham o balanço geral da eleição desastroso para o PT. “Há dois anos, o partido perdeu cerca de 500 prefeituras e sofreu o impeachment de Dilma Rousseff, um evento traumático para qualquer sigla”, diz. “Agora, elegeram quatro governadores e uma bancada expressiva de parlamentares. Ficando na oposição, o PT tem muito mais chance de se reagrupar e fazer uma autocrítica, coisa que faltou no processo deste ano”.

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