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Marcha contra a corrupção leva milhares de manifestantes às ruas em dez capitais

Aiuri Rebello, Fernanda Nascimento e Júlia Rodrigues Pouco mais de um mês depois dos primeiros protestos promovidos pelo movimento contra a corrução em 7 de setembro, os manifestantes voltaram às ruas neste feriado de 12 de outubro. Em São Paulo, mais de 5 mil pessoas participaram da mobilização na tarde desta quarta-feira. Entre bandeiras do […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 10h30 - Publicado em 12 out 2011, 21h10

Protesto contra a corrupção chega ao Theatro Municipal, em São Paulo

Aiuri Rebello, Fernanda Nascimento e Júlia Rodrigues

Pouco mais de um mês depois dos primeiros protestos promovidos pelo movimento contra a corrução em 7 de setembro, os manifestantes voltaram às ruas neste feriado de 12 de outubro. Em São Paulo, mais de 5 mil pessoas participaram da mobilização na tarde desta quarta-feira. Entre bandeiras do Brasil e cartazes, um grupo de cerca de 20 punks protagonizou cenas de vandalismo que destoaram da celebração à democracia protagonizada pela maioria do público. Os jovens quebraram vidros e jogaram pedras na lanchonete do McDonalds em frente ao Conjunto Nacional, próximo à Rua Augusta, e no Banco HSBC, na altura do número 1.700 da Avenida Paulista. Gledson de Souza, um dos envolvidos no tumulto, foi detido pela polícia. O restante do bando se dispersou no meio da multidão e não houve outros incidentes.

A marcha saiu da frente do Masp por volta das 14h30 e, às 16 horas, começava a descer a Rua da Consolação, em direção ao Theatro Municipal. Todas as faixas de trânsito da Avenida Paulista no sentido centro foram ocupadas pelos manifestantes. Na Consolação, somente o corredor de ônibus permaneceu aberto para os veículos. O congestinamento não tirou o bom humor dos motoristas, que buzinavam e interagiam em apoio aos manifestantes.

TODAS AS TRIBOS
Como no protesto do dia 7 de setembro, estudantes, motoqueiros, professores, índios, maçons e pessoas das mais variadas tribos e idades caminharam lado a lado. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), virou uma espécie de símbolo da corrupção para o movimento e foi o alvo preferencial.

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Dizendo-se apartidários, os manifestantes também alternaram gritos de “Fora, Lula”, “Fora, Serra”, com frases como “Político ladrão, seu lugar é na prisão”. Entre as reivindicações estão a aprovação da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, do Voto Distrital, o fim do voto secreto nas votações do Congresso e o fim da impunidade para corruptos.

O POVO FALA
“A corrupção descarada e a apatia dos brasileiros frente a isso são alguns dos problemas mais graves do nosso país”, disse o administrador de empresas aposentado José Aníbal Cruz, 66 anos. Ao lado do filho, Aníbal percorreu na manhã desta quarta-feira os 130 quilômetros que separam a cidade de Taubaté da capital paulista unicamente para participar das manifestações. “Temos que protestar. Não dá mais para ficar em casa”.

Com um grupo de amigos do colégio, a estudante Jéssica Correia, de 16 anos, estava ali para lutar por educação de qualidade. “O ensino público chegou perto do absurdo”, afirmou. “A prova disso é o péssimo desempenho das escolas estaduais no último Enem. Chega. Está na hora de consertar o Brasil”.

O próximo protesto em São Paulo está marcado para o feriado de 15 de novembro. Dessa vez, os manifestantes planejam acampar no vão do Masp na madrugada do dia 14 para o dia 15 com o objetivo de chamar ainda mais a atenção da população para o problema da corrupção no país.

PELO BRASIL
Em Brasília, a marcha desta quarta-feira reuniu mais de 10 mil pessoas e fechou as vias do Eixo Monumental durante três horas. No Rio de Janeiro, cerca de 3 mil manifestantes marcharam pela praia de Copacabana durante a tarde. Outras capitais tiveram protestos menores, mas não menos significativos. Em Goiânia, por volta de 1,2 mil pessoas percorreram cerca de 4 quilômetros vestidos de preto, no centro da cidade. O tradicional circuito Barra-Ondina, em Salvador, recebeu 800 pessoas para gritar contra a corrupção, mas não teve trio elétricos como em Fortaleza. Em Curitiba, cerca de 500 pessoas caminharam da Universidade Federal do Paraná (UFPR) até ruas do Centro Histórico, terminando o protesto no Centro Cívico. Ainda houve manifestações em Recife, Belo Horizonte e João Pessoa.

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