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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Imagens em Movimento: As cenas que antecederam a catásfrofe

PUBLICADO EM 25 DE MAIO SYLVIO ROCHA Na história do cinema, muitas coisas aconteceram por acaso. Foi assim com o filme selecionado para esta semana. Em 14 de abril de 1906, quando saíram por São Francisco para captar as imagens que aparecem no vídeo abaixo, os irmãos Miles não poderiam desconfiar que, quatro dias depois, […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 04h44 - Publicado em 28 dez 2013, 20h02

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PUBLICADO EM 25 DE MAIO

O grande terremoto de 1906 em São Francisco

SYLVIO ROCHA

Na história do cinema, muitas coisas aconteceram por acaso. Foi assim com o filme selecionado para esta semana. Em 14 de abril de 1906, quando saíram por São Francisco para captar as imagens que aparecem no vídeo abaixo, os irmãos Miles não poderiam desconfiar que, quatro dias depois, grande parte daqueles homens e mulheres, ruas, casas e carros seria dizimada por um terremoto de 7.8 na escala Richter, seguido de um incêndio de proporções apavorantes. O filme só sobreviveu às chamas porque, dois dias antes, havia sido enviado à sede da produtora, em Nova York, para ser revelado.

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A sequência de imagens começa diante da sede dos estúdios da Miles Brothers. A câmera, colocada na frente de um bonde, acompanha todo o trajeto, num traveling de 11 minutos. A técnica não era grande novidade: o primeiro traveling foi feito em 1896, num filme dos irmãos Lumière, quando o cinegrafista Alexandre Promio, em Veneza, colocou a câmera dentro uma gôndola para filmar um dos canais da cidade italiana.

O filme de São Francisco foi feito para ser exibido nos Hale’s Tours and Scenes of the World, uma das primeiras salas da história do cinema. Eles eram construídos como se fossem uma estação de trem, e a sala se assemelhava a um vagão para aproximadamente 70 pessoas. Os filmes eram curtos e sempre filmados em movimento. Durante a exibição, o vagão tremia, escutavam-se ruídos de freios, era possível sentir o vento soprando no rosto dos “passageiros”, janelas com pinturas que se moviam davam a impressão de que se estava viajando, e um guia mostrava os atrativos do local visitado. Uma experiência grandiosa, muito difundida na época e descrita como um passeio bastante realista. Essas salas desapareceram completamente por volta de 1915.

Em 2005, o filme dos irmãos Miles foi incluído na lista da National Film Preservation Board, ligada à biblioteca do congresso norte americano, e restaurado. O arquivo disponível na internet tem uma qualidade impressionante. A viagem no tempo nos transporta para uma das maiores cidades dos EUA do começo do século 20. Divirtam-se.

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