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Exclusivo: leia a resposta de Guttemberg Guarabyra à tréplica de Aldir Blanc

Em 8 de outubro, a coluna publicou na seção Feira Livre o delírio de Aldir Blanc e as reflexões de Guttemberg Guarabyra. O post reproduziu o elogio de Dilma Rousseff feito por Aldir e a réplica de Guarabyra. Em 8 de novembro, o jornal O Globo divulgou a tréplica de Aldir Blanc, transcrita abaixo. Em […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 13h36 - Publicado em 17 nov 2010, 14h45

Em 8 de outubro, a coluna publicou na seção Feira Livre o delírio de Aldir Blanc e as reflexões de Guttemberg Guarabyra. O post reproduziu o elogio de Dilma Rousseff feito por Aldir e a réplica de Guarabyra. Em 8 de novembro, o jornal O Globo divulgou a tréplica de Aldir Blanc, transcrita abaixo. Em primeira mão, a coluna publica em seguida a resposta de Guttemberg Guarabyra.

A tréplica de Aldir Blanc:

Que papelão, Margarida!

O ex-amigo Guttenberg Guarabyra me esculhambou no site de um semanário pelo simples direito de declarar meu apoio a uma candidatura. Depois mandou um e-mail para meu advogado. Nele, disse que gosta muito de mim, e que não sabia como sua mensagem particular se tornara pública. Deixa eu ver se entendi: Guarabyra só ofende as pessoas de quem supostamente gosta em particular, não em público? É isso? No meio das sandices, me chama de covarde.

Trabalhamos anos e anos nas lutas autorais, sob o comando incansável e divertidíssimo do melhor de nós, Hermínio Bello de Carvalho. Guarabyra sabe que eu não sou covarde, mas, quando fui processado recentemente, pedi a ele uma declaração. Ele respondeu: claro, evidente, sem a menor dúvida… Na semana seguinte, quando telefonei atrás do papel, roeu a corda e disse que não mais o daria, “a conselho do advogado”. Deixo aos leitores o julgamento de quem é covarde.

Numa pergunta de rara estupidez, Guarabyra me interroga: “Quem é você para falar de torturados e mortos?”. Ô trouxa, eu cuidei, como médico, de dezenas deles: torturados, familiares de torturados, parentes que tiveram seus entes queridos entregues em caixão lacrado no velório pelos esbirros da ditadura. Os raros que burlaram as ordens de não abrir o caixão, encontraram os corpos mutilados e retorcidos, jogados como animais lá dentro. Mais uma: o jornalista Hugo Sukman nega categoricamente a versão atual de Guarabyra sobre a ordem dos entrevistados na matéria que gerou o processo contra mim. E agora? Você é covarde e mentiroso, ou está só confuso?

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Esclareço que encerro aqui minha participação nessa idiotice, mas deixo uma sugestão: enfia a Margarida na bagagem e passa uns tempos em Bom Jesus da Lapa. Você era mais claro quando veio de lá. Até nunca mais.

A resposta de Guttemberg Guarabyra:

O site “Boteco do Edu”, um amigo do Aldir e advogado dele, levou a questão do debate adiante. Acusava-me de ter ‘vaga cativa’ na coluna de Augusto Nunes e que existia “quase uma parceria” minha com a coluna. Esclareci ao blog que sequer sabia como meu comentário havia chegado às mãos de Augusto. E ainda afirmei que apesar de ser companheiro de outras lutas e pessoa que admirava (até por isso mesmo) estava profundamente decepcionado pela declaração desleal prestada por Aldir. Em virtude desses esclarecimentos Aldir me acusa de avaliá-lo em público e não em particular. Quero esclarecer que minha crítica vale para ambas as condições.

No entanto – voltando à verdadeira questão a ser discutida – ao postar minha crítica na lista/seminário a que Aldir se refere sem sua resposta, tinha certeza de que chegaria sem dúvida ao destinatário, como de fato aconteceu. Tratava-se de uma questão pública sobre uma declaração pública e eu respondi com a mesma propriedade pública. Mas acredito, no entanto, que enviar concomitantemente minha observação ao próprio autor da declaração pública que critiquei publicamente pelo menos me livraria de ser acusado de apreciá-lo somente em particular. Da próxima vez tomarei essa providência formal.

No mais, Aldir tenta fugir da questão central de hoje revolvendo uma demanda do passado quando Augusto Marzagão, presidente do Festival Internacional da Canção, do qual eu era diretor artístico, foi avisado de que Gonzaguinha estava colhendo assinaturas para um manifesto nosso, em 1971, no episódio em que liderei um movimento contra a censura. Depois de prestar uma entrevista sobre o episódio Aldir foi processado pelo teor de sua declaração e solicitou que eu depusesse em sua defesa. No entanto, o correto seria aguardar o julgamento – cuja decisão, conforme as previsões, acarretaria um processo contra mim – para que pudesse a partir dos termos da sentença formular minha própria defesa. Assim o fiz e avisei que assim o faria – contrariando o advogado e dono do blog amigo de Aldir, seu defensor na época, que ambicionava minha assinatura num depoimento que me colocaria automaticamente na condição de réu, trocando de posição com seu cliente. Portanto, roí corda nenhuma. Agi em minha própria defesa. E Aldir sabe disso.

Mas aconteceu que no julgamento do litígio o autor desistiu da ação contra Aldir, na versão dele, ou Aldir se retratou, na versão do autor do processo. Eu particularmente acredito na desistência, apesar de o autor ter declarado em jornal que Aldir se retratou.

Há ainda a questão sobre se a entrevista que dei à época – na qual, num complemento da matéria, Aldir fez a declaração deflagradora do processo contra ele – foi ou não intermediada pelo próprio Aldir, que era amigo do repórter. Declarei ter sido intermediada no sentido de que Aldir teria me solicitado a concessão da entrevista ao repórter que era seu amigo. Nada mais que uma simples apresentação. Acho que houve o pedido. Ele diz que não. E faz desse detalhe, que em nada altera qualquer questão, um motivo precioso para me chamar de grande mentiroso. rs

Aldir, pelo visto, aposta que vai conseguir se eximir de ter tomado a atitude estúpida de propagar que não votar em Dilma seria promover a volta dos torturadores (esta é a atitude pela qual o tacho de covarde, esta é verdadeira questão do debate atual), esquadrinhando antigas demandas. Eu aposto que não vai.

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