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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

É por conhecerem a intimidade de cada um que os parlamentares se entendem tão bem

Se aparecessem juntos em qualquer esquina do Primeiro Mundo, Paulo Maluf, Valdemar Costa Neto,  José Guimarães, Newton Cardoso, Almeida Lima e Eduardo Azeredo dificilmente escapariam de um processo por formação de quadrilha ou bando. Se aparecessem juntos em qualquer esquina do centro das principais metrópoles brasileiras, nenhum gaiato resistiria à tentação de gritar “Olha o […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 12h39 - Publicado em 3 mar 2011, 21h00

Se aparecessem juntos em qualquer esquina do Primeiro Mundo, Paulo Maluf, Valdemar Costa Neto,  José Guimarães, Newton Cardoso, Almeida Lima e Eduardo Azeredo dificilmente escapariam de um processo por formação de quadrilha ou bando.

Se aparecessem juntos em qualquer esquina do centro das principais metrópoles brasileiras, nenhum gaiato resistiria à tentação de gritar “Olha o rapa!” para a turma que agrupa um subcomandante da quadrilha do mensalão, o irmão de José Genoíno cujo assessor foi capturado com dólares na cueca, um ex-governador recordista em casos de polícia, um oficial da tropa de jagunços de Renan Calheiros e um dos fundadores do mensalão mineiro.

Em Brasília, os seis aparecem juntos com bastante frequência, sem nenhum risco de ouvir uma voz de prisão ou o berro que faria o grupo debandar em desabalada carreira. Eles fazem parte da comissão de 41 deputados incumbida de formular propostas para a reforma do sistema político. Ao lado de outros prontuários e fichas sujas, vão discutir, por exemplo, o financiamento de campanhas eleitorais. Não há perigo de melhorar.

Nenhum dos parlamentares da oposição viu nada demais. Recolheram-se ao mesmo silêncio estrepitoso que se seguiu à escolha do mensaleiro João Paulo Cunha para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Ninguém ousou lembrar que, na montagem de comissões do gênero em qualquer país civilizado, caráter é critério. Todos fizeram de conta que a ética foi banida do território brasileiro e que não existe um Código Penal. Ninguém se atreveu a desfraldar a bandeira da moralidade.

Nelson Rodrigues morreu acreditando que, se todo mundo se conhecesse intimamente, ninguém cumprimentaria ninguém. Hoje está claro que a ótima frase não vale para o Congresso. Os deputados e senadores convivem tão fraternalmente porque todos conhecem a intimidade de cada um.

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