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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Dilma identifica mais dois integrantes da conspiração golpista: o ‘surto de misoginia’ e o ‘componente sexista’

Pelas novidades no palavrório, a Assombração do Alvorada deve andar trocando ideias com Marilena Chauí

Por Augusto Nunes Atualizado em 30 jul 2020, 22h13 - Publicado em 28 jul 2016, 17h15

Atualizado às 16h15

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Inconformada com o despejo do Palácio do Planalto, arrogante demais para reconhecer que perderá o emprego pelo que fez e pelo que deixou de fazer, Dilma Rousseff vem desperdiçando o tempo que tem de sobra engrossando a fila de culpados pelo golpe que a Constituição autoriza. Já é maior que as plateias amestradas dos comícios estrelados pela Assombração do Alvorada. E só vai parar de crescer quando a avó dedicar-se em tempo integral aos cuidados requeridos pelo neto Gabrielzinho.

Puxada por Eduardo Cunha, a fila inclui Aécio Neves, os tucanos que não abrem mão do terceiro turno, direitistas rancorosos que não digerem o sumiço dos pobres e dos miseráveis, os inimigos do Bolsa família, dos movimentos sociais e dos direitos trabalhistas, o traidor Michel Temer, os partidos que caíram fora da base alugada, os ex-ministros que que agora apoiam o impeachment, os ministros do Supremo que não sabem ser gratos a quem os nomeou, os simpatizantes do regime parlamentarista, o juiz Sérgio Moro, os que aplaudem a Lava Jato e os que sonham com uma bomba nuclear explodindo a República de Curitiba, fora o resto.

Nesta semana, durante a entrevista a uma emissora de rádio francesa, Dilma encompridou espetacularmente a fila com outra descoberta espantosa: incontáveis brasileiros desejam vê-la pelas costas “devido ao grande surto de misoginia que sofre o Brasil e também a um componente sexista”. Sofre de misoginia quem tem aversão a tudo que é ligado a mulheres. Sexista é quem discrimina um gênero ─ o feminino, no caso. A presidente que vê um cachorro oculto por trás de toda criança agora enxerga um país atulhado de brucutus que não admitem ser governados por uma fêmea.

Dilma não faz sentido há muito tempo. Mas o uso de palavras que nunca frequentaram seu minguado repertório vocabular sugere que algo de novo aconteceu. Talvez ande trocando ideias com Marilena Chauí.

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