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A beleza proibida dos Berkenbrock

A imagem real de Albertina foi vetada pelo papa Bento XVI quando a beatificou. Mais parecida com Gisele Bündchen e com outras tantas beldades do Brasil

Por Deonísio da Silva Atualizado em 14 jan 2018, 12h55 - Publicado em 14 jan 2018, 11h27

Houve quem achasse que a beleza poderia prejudicá-la. O santinho da brasileira Albertina Berkenbrock não tem o frescor adolescente da imagem real. Ela mais parecia uma top model.

Mas a imagem real foi vetada pelo próprio papa Bento XVI quando a beatificou. Mais parecida com Gisele Bündchen e com outras tantas beldades do Brasil meridional, um celeiro de modelos e misses de rara beleza, a beata brasileira, na efígie aprovada no Vaticano, semelha uma jovem senhora.

O santinho de Albertina é reprodução de pintura feita por seu professor, Hugo Berndt, um oficial do exército alemão que, em viagens de núpcias, em 1913, desertou, fixando-se primeiramente no Rio de Janeiro e por fim na localidade de São Luís, no município de Imaruí (SC), onde viviam os Berkenbrock.

O leitor encontrará escassos registros na mídia sobre o assunto. O papa Bento XVI assinou o Decreto de Beatificação em 16 de dezembro de 2006. O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal José Saraiva Martins, veio do Vaticano a Santa Catarina com o fim de presidir à cerimônia em que ela foi proclamada bem-aventurada (20/10/2007), em Tubarão (SC).

Albertina Berkenbrock, filha de Henrique Berkenbrock e de Josefina Boeing, nasceu a 11 de abril de 1919, na localidade de São Luís, em Imaruí (SC), e ali morreu no dia 15 de junho de 1931. Tinha, pois, 12 anos! Muitos parentes seus ainda moram na mesma localidade onde ela, resistindo ao estupro, morreu virgem, degolada por um empregado da família.

Originalmente habitado por índios, principalmente carijós, o estado de Santa Catarina recebeu muitos imigrantes europeus, sobretudo italianos, alemães e poloneses, entre 1870 e 1914, quando ocorreram as grandes ondas de imigração daqueles que fugiam da miséria, de doenças ou de perseguições políticas advindas das revoluções que pululavam na Europa, diz o documento. Os pais de Albertina eram imigrantes católicos procedentes da Vestfália.

Quem tem beleza, exerce atração. Quem exerce atração, exerce poder. Albertina Berkenbrock não foi vítima de sua beleza. Foi vítima de um assassino cruel, entretanto punido, que cumpriu a pena que lhe foi imposta

*Deonísio da Silva
Diretor do Instituto da Palavra & Professor
Titular Visitante da Universidade Estácio de Sá
http://portal.estacio.br/instituto-da-palavra

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