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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Danny Glover discorre sobre uma América Latina que só ele enxerga

Suspeita-se que o ator esteja ensaiando para desempenhar o papel de governante vigarista

Por Cristyan Costa Atualizado em 16 mar 2018, 19h24 - Publicado em 16 mar 2018, 17h05

Cristyan Costa

Em 2014, durante um ato público ao lado de Nicolás Maduro, em Caracas, o ator Danny Glover, aproveitou para elogiar Hugo Chávez: “Comemoramos e celebramos um verdadeiro homem do povo, Hugo Chávez. Sua memória vive conosco através do trabalho que vocês fazem como cidadãos desta nação, e como continuam a realizar sua visão de uma democracia participativa que envolva todos os cidadãos”. Não foi possível saber se “a visão de democracia participativa” incluía a escassez de papel higiênico, remédios e outros produtos básicos, muito menos se abrangia os opositores presos e a violenta repressão a qualquer manifestação contra o governo.

Em 2016, na sua mansão em São Francisco, Glover gravou um vídeo para manifestar seu repúdio ao impeachment de Dilma Rousseff. “A democracia brasileira está mais uma vez ameaçada, dessa vez por setores da sociedade que se recusam a aceitar que foram eleitoralmente derrotados e buscam lacunas legais que possam leva-los à Presidência”. Não foi possível saber se as “ameaças à democracia brasileira” incluíam os saques à Petrobras, os empréstimos bilionários a empresários de estimação ou ditadores companheiros via BNDES e as pedaladas fiscais, fora o resto.

Em março deste ano, numa viagem a São Paulo, Glover aproveitou o intervalo entre uma uma roda de conversa com integrantes do movimento negro e uma visita ao Sindicato dos Bancários para reverenciar Lula. “Tenho muito orgulho de estar aqui com você. Eu gosto de citar o Dr. Martin Luther King, que dizia, citando Dante, que o lugar mais quente do inferno está reservado para aqueles que ficam neutros em tempos de crise”. O ator dispensou-se de contar ao ex-presidente que o poeta florentino reservou o oitavo inferno aos corruptos, hipócritas e ladrões.

O histórico da figura mostra que, de dois em dois anos, o ator aproveita alguma folga para discorrer sobre uma América Latina que só ele enxerga. Suspeita-se que o ator esteja ensaiando para desempenhar o papel de governante vigarista.

 

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