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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Ciro é candidato a Presidente dos Três Poderes

O coronel repaginado quer presidir simultaneamente o Executivo, o Legislativo e o Judiciário

Por Augusto Nunes 26 jul 2018, 17h26

Nesta quarta-feira, Ciro Gomes baixou em Ananindeua, no Pará. Foi recebido por pajés municipais do PDT, partido em que se hospedou para disputar outra vez a Presidência da República, e também pelo prefeito Manoel Pioneiro, do PSDB. O alcaide não estava lá por ser um anfitrião suprapartidário, mas para confraternizar com um aliado: o PDT de Ciro participa da coalizão que apoia a candidatura a governador de Márcio Miranda, filiado ao DEM, que terá como vice alguém indicado pelo partido dos tucanos.

“O Brasil é uma federação complexa”, ensinou Ciro Gomes aos intrigados com a salada de siglas. “Aqui no Pará o importante é derrotar o MDB”. Um repórter se atreveu a perguntar ao belicoso visitante se alianças com tal amplitude não poderiam confundir o eleitorado. A ousadia esgotou a paciência sempre minguada do candidato ao Planalto: “O povo brasileiro é mais inteligente do que julga nosso vão jornalismo”, encerrou a conversa o especialista em tudo.

Até que enfim Ciro Gomes acertou uma. O povo é suficientemente sabido, por exemplo, para identificar embusteiros sem a ajuda de jornalistas. Tampouco é difícil a quem tem mais de dez neurônios enxergar um coronel sertanejo, repaginado para parecer menos primitivo, por trás da fantasia de guardião da democracia.

Também por isso, Ciro deveria poupar-se de tentar justificar a espantosa entrevista que concedeu nesta semana a uma emissora de TV maranhense. Como atesta o vídeo abaixo, o caçador de votos informou que, se ganhar a eleição, vai enquadrar juízes, cortar as asas do Ministério Público, soltar Lula da cadeia, domar o Congresso, fazer o diabo. Tantos assombros permitem deduzir que o candidato à chefia do Executivo vai acumular a presidência do Legislativo e do Judiciário.

Empolgado com o som da própria voz, Ciro contou que o ex-presidente presidiário estaria em liberdade caso tivesse ouvido seus conselhos. “Eu vi as coisas acontecendo”, confessou. “Sabia que ia dar problemas. Cansei de avisar pro Lula, mas ele não quis ouvir porque o poder por muito tempo também tira a pessoa do normal”. Quer dizer: Ciro sabia de tudo.

Como não denunciou o que viu, virou — na melhor das hipóteses — cúmplice por omissão da maior roubalheira da história. Isso sim é menosprezar a inteligência alheia. Isso sim é tratar o povo brasileiro como um bando de idiotas.

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