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Cinco ministros tentaram ressuscitar o país de Pimenta Neves

Para Celso de Mello, Lewandowski, Toffoli, Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, só depois de 10 anos o assassino confesso tornou-se culpado

Por Augusto Nunes 5 abr 2018, 17h38

Em agosto de 2000, o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, então com 63 anos, assassinou a ex-namorada Sandra Gomide, 32. O carrasco vocacional julgou-a pelo crime de romper a relação amorosa, culpou-a pela ruptura do namoro, decidiu que aquilo não merecia menos que a pena de morte e executou a sentença com um tiro nas costas e outro no ouvido.

No depoimento prestado depois do sumiço de quatro dias, Pimenta Neves assumiu a autoria do assassinato. Ficou seis meses na cadeia e foi autorizado a responder ao processo em liberdade. Em dezembro de 2006, foi condenado a 19 anos de prisão. Mas o assassino confesso continuou em liberdade.

Em setembro de 2008, o Superior Tribunal de Justiça reduziu a pena para 15 anos de cadeia. Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal rejeitou o último recurso apresentado pelos advogados de Pimenta Neves, e a sentença condenatória enfim transitou em julgado. Para os ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, só então Pimenta Neves tornou-se culpado.

Durou pouco a hospedagem no presídio de Tremembé. Em setembro de 2013, foi beneficiado pelo regime semiaberto e, em  janeiro de 2016, definitivamente libertado. O que tinha a dizer sobre a mulher que matara 16 anos antes? “Ela me traiu”, repetiu a voz do rancor.

Nesta quarta-feira, Pimenta Neves certamente aplaudiu os votos dos ministros que aceitaram o pedido de habeas corpus formulado por Lula.

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