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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Celso Arnaldo: Dilma espanca o idioma na visita ao Museu da Língua Portuguesa

Dilma Rousseff deve gostar de viver perigosamente. Depois da espetacular conversão que a levou do ateísmo para a carolice sem ter aprendido o Sinal da Cruz, a candidata que trata o idioma a pontapés resolveu visitar o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e discorrer sobre o tema numa entrevista coletiva. Único especialista em […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 13h54 - Publicado em 18 out 2010, 19h00

Dilma Rousseff deve gostar de viver perigosamente. Depois da espetacular conversão que a levou do ateísmo para a carolice sem ter aprendido o Sinal da Cruz, a candidata que trata o idioma a pontapés resolveu visitar o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e discorrer sobre o tema numa entrevista coletiva. Único especialista em dilmês do Brasil, o jornalista Celso Arnaldo Araújo não iria perder essa, claro. Não percam o relato do grande caçador de cretinices:

Ainda me impressiono com o que esses marqueteiros obrigam os candidatos a fazer, exigindo deles o que vai de encontro às suas resistências ou dificuldades mais profundas. De Dilma, que não decorou nem o sinal da cruz, já tinham exigido fé demais.

Mas agora passaram do ponto, tentando transformá-la numa devota da língua portuguesa ─ justo ela, que há um ano carrega por palanques e microfones de todo o Brasil a mais desarticulada candidatura presidencial da história da República. Dilma cultiva tão bem as palavras da língua portuguesa quanto Duda Mendonça trata seus galos ─ que se bicam até sangrar, humilhados, zonzos.

Já conhecendo bem a dialética da campanha dilmista, eu sabia que depois da visita ao Museu da Língua Portuguesa anunciada no twitter ─ tão demagógica quanto a de Goebbels ao Museu Rainha Sofia para ver Guernica de Picasso ─  ela daria entrevista sobre o tema, à porta.

Bingo. Perdão ─ agora não é mais entrevista, é o tal “minuto propositivo” que o João Santana inventou para as pessoas acreditarem que Dilma só falará um minuto. No caso, foram penosos 11 despropositados minutos de espancamento impiedoso do pobre português, à porta de seu próprio museu.

“Meu minuto propositivo hoje diz respeito a duas coisas. Primeiro é uma questão que eu acho que é fundamental. Nós sabemos que há um problema muito sério não só aqui em São Paulo mas em vários estados da Federação, é que as crianças e os jovens passam de ano, mas quando você vai fazer os testes de matemática e de língua portuguesa, o nível de aproveitamento é baixíssimo. Então, estão passando de ano sem aprender”.

Dilma pretendeu criticar, evidentemente, o sistema de progressão continuada que vigora em São Paulo ─ esquecendo que foi algo do gênero, ou a benevolência de seus professores, que lhe permitiu concluir o curso de Economia que diz ter feito, com uma agravante: no caso dela, parece claro não ter havido progressão alguma.

“Uma das maiores preocupações que eu vô tê é garanti que as crianças passem de ano no Brasil e ao mesmo tempo aprendam, que não pode sê assim”.

Talvez fosse melhor ao contrário ─ que as crianças primeiro aprendessem e depois passassem de ano. Mas Dilma quer garantir que as crianças passem de ano no Brasil ─ e, aparentemente, pretende impedir nossos filhos de passarem o Réveillon no exterior para equilibrar a balança de pagamentos. Tem meu apoio: tenho quatro filhos, eles querem sempre ir para a Disney e sai muito caro.

“E aí uma questão deve sê enfatizada e deve sê muito considerada. A questão de duas, de dois conhecimentos. Um é a matemática. Hoje nós temos um grande incentivo à matemática, através das olimpíadas da matemática, onde participam 20 milhões de pessoas, de alunos. E é meu objetivo fazê também uma olimpíada da língua portuguesa”.

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Ótimo. Um país que ainda tem 30 milhões de analfabetos latu senso, incluindo um deputado federal eleito, e milhões de analfabetos funcionais, vai produzir, no governo Dilma, gramáticos olímpicos. Ela, pessoalmente, não passaria dos 10 metros bem rasos. Fala, Dilma Houaiss:

“Nós criamos uma língua própia (sic), que é a língua brasileira, através de uma série de casamentos que ao longo do processo foram feitos com as línguas de origem indígena, o bantu e outras…”.

Epa! Bantu de origem indígena? A própria Dilma Houaiss vem em socorro de Dilma Rousseff:

“Desculpa, a tupi e outras. E com toda a descendência nossa africana também, o bantu e outras”.

Perdoe-se o lapso momentâneo, louve-se a correção quase imediata. Mas o fato é que os marqueteiros, ou os monitores do Museu, só ensinaram a ela uma língua de cada tronco – daí o salvador “e outras”, que saiu automaticamente três vezes. Uma pergunta que quer calar: a que família linguística pertence o dilmês?

“Tudo isso mostra que nós temos de valorizá a língua portuguesa. Porque não existe como uma criança ou um jovem, se ele não se apropiá (sic), não existe como se ele não se apropiá (sic) da língua portuguesa e da matemática de ele tê acesso aos outros conhecimentos. Está provado isso”.

Então está comprovado o mistério de Dilma: ela não tem nenhum conhecimento sobre rigorosamente nenhum assunto porque não se apropiou da língua portuguesa.

Amigos: parei quando o cronômetro marcava apenas 2min44s. Vocês têm pela frente ─ se a matemática não me trai ─ mais 8min16s propositivos, em que ela deixa o português de lado e, ainda maltratando cruelmente a matéria do museu, discorre com a graça e a espontaneidade habituais sobre assuntos diversos, inclusive o escândalo do dia, a tal história do banco alemão que perdeu 200 milhões de dólares para uma subsidiária da Eletrobras.

Ela culpa o banco alemão por ter caído no golpe.

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