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As milícias comandadas pelos generais da banda podre só conseguem matar de rir

Em junho de 2005, dias depois de despejado da Casa Civil pelo escândalo do mensalão, o deputado José Dirceu incorporou o guerrilheiro de araque num encontro da companheirada em São Paulo e caprichou na discurseira beligerante: ”Vou percorrer o país para mobilizar militantes do PT, dos sindicatos e dos movimentos sociais”, preveniu.  ”Temos de defender […]

Em junho de 2005, dias depois de despejado da Casa Civil pelo escândalo do mensalão, o deputado José Dirceu incorporou o guerrilheiro de araque num encontro da companheirada em São Paulo e caprichou na discurseira beligerante: ”Vou percorrer o país para mobilizar militantes do PT, dos sindicatos e dos movimentos sociais”, preveniu.  ”Temos de defender o governo de esquerda do presidente Lula do golpe branco tramado pela elite e por conservadores do PSDB e do PFL”. Passou as semanas seguintes mendigando socorro até aos contínuos da Câmara, teve o mandato cassado em dezembro e deixou o Congresso chamando o porteiro de “Vossa Excelência”.

Passados cinco anos, o sessentão que finge perseguir o socialismo enquanto corre atrás de capitalistas com negócios a facilitar tirou do armário a espingarda com balas de festim e declarou-se pronto para mais um combate que não travará. Ao saber da quinta multa aplicada ao presidente fora-da-lei, descobriu que a turma do golpe branco voltou à ativa e já se infiltrou no Tribunal Superior Eleitoral. “A direita está tentando usar o TSE para transformar o presidente Lula em refém, impugnar a candidatura de Dilma Rousseff e recuperar o poder”, informou. “O que os partidos conservadores estão fazendo é golpismo”.

No momento, Dirceu só comanda o regimento de mensaleiros que luta no Supremo Tribunal Federal para livrar-se da cadeia. Mas está preparado para liderar a contra-ofensiva dos milicianos do PT e dos movimentos populares se os adversários continuarem recorrendo à Justiça e se os ministros teimarem em aplicar multas que o multado paga com deboche. Convém ao TSE, portanto, promover o presidente a Primeiro Inimputável, esquecer os crimes que coleciona em parceria com a sucessora que inventou e deixar o casal em campanha delinquindo em paz.

Mas só garantir a candidatura da afilhada do chefe não basta, emendou o deputado Paulo Pereira da Silva, conhecido pela alcunha de “Paulinho da Força”, num encontro de representantes de centrais sindicais. O eleitorado poderá votar em qualquer concorrente, desde que seja Dilma Rousseff, avisou um prontuário que, em vez de abrir o bico em interrogatórios policiais, faz ameaças em comícios ilegais. “Como é que esse sujeito vai ser presidente da República?”, berrou Paulinho da Força. E se a proibição for ignorada por José Serra? “Vamos ter um conflito na sociedade brasileira com esse sujeito lá”, advertiu o orador que enriquece administrando simultaneamente a Força Sindical, o PDT paulista, um gabinete no Congresso e meia dúzia de ONGs malandras.

Ou o Brasil se dobra à vontade do Grande Pastor, estão advertindo os sacerdotes comparsas, ou a seita dos devotos de Lula tornará o país ingovernável. E que ninguém se atreva a acionar os instrumentos de defesa do Estado de Direito. Como informa a novilíngua do stalinismo farofeiro, usar a polícia para conter badernas é “repressão política”. Lembrar que, por determinação constitucional, figura entre as atribuições das forças Armadas a neutralização de ameaças à ordem democrática é coisa de golpista. Se alguém ousar desafiá-la, a companheirada convulsiona o país.

Convulsiona coisa nenhuma. Os profissionais da fraude estão apenas blefando, convencidos de que o País do Carnaval não  conhece a diferença entre fato e fantasia. Qualquer torcida organizada de time de futebol mobiliza mais militantes que o PT. As assembleias sindicais são tão concorridas que uma reunião de condomínio. Sem as duplas sertanejas, os brindes e a comida de graça, as comemorações do 1° de Maio juntariam menos gente que quermesse de lugarejo. Os movimentos sociais morreriam de inanição uma semana depois de suprimida a mesada federal. Tropas formadas por milicianos sob o comando de Dirceu, Paulinho da Força e outros generais da banda podre só conseguem matar de rir.

O que espera o Ministério Público para apanhar a luva atirada pelos farsantes? O que há com o Judiciário que não paga para ver? A tibieza do TSE sugere que o blefe, concebido para que velhos oportunistas e esquerdistas psicóticos ganhem tempo, ganhem força real e vençam pela rendição sem luta, segue seu curso. Os ministros talvez se sintam intimidados pelas lorotas e bazófias do “presidente mais popular da história”. Deveriam convidar o colosso de popularidade a dar as caras também fora das pesquisas.

Desde a vaia do Maracanã, Lula só se apresenta para plateias domesticadas. Na sexta-feira, foi apupado por uma multidão indignada com o atraso do almoço gratuito. O filme sobre o Filho do Brasil deveria deixar bilionários os autores da ideia. Estão todos correndo atrás do prejuízo. Se Lula e Dilma fossem enquadrados pela Justiça, o brasileiro comum seria tão solidário com os punidos como um auditório de Sílvio Santos com o calouro reprovado pelo júri.

Em 25 de outubro de 1978, quando o resgate do Estado de Direito era apenas um brilho no olhar dos democratas garroteados pelo AI-5, o juiz federal Márcio José de Moraes condenou a União pela morte de Vladimir Herzog, assassinado três anos antes por agentes da ditadura. Mais de 30 anos depois, o sequestro do Estado de Direito ainda é só um brilho no olhar dos liberticidas e o governo não pode, por enquanto, recorrer a instrumentos de exceção, mas não apareceu nenhum juiz disposto a fazer, sem riscos, o que fez Márcio Moraes cercado de perigos reais e imediatos.

Para que a fantasia dos assassinos da democracia seja reduzida a frangalhos, só faltam juízes decididos a enfrentar, em nome da lei e da razão, um presidente que zomba dos demais Poderes e afronta a Constituição que jurou proteger.

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  1. Comentado por:

    Márcia

    Augusto, a petralhada está alvoroçada. O miliciano Beto quer que os comentários fiquem “na linha da cintura”, sendo que lá nos blogs da petezada, o nível é bem mais embaixo
    . Eles querem uma oposição comportada, que não mencione o Menino do MEP do Lula, que não comente os dossiês da Dilma DOUSSIEF, que não lembre que o Lula deu uma estrada e refinarias para a Bolívia e a luz de graça para os paraguaios.
    No que depender de mim, vou fazer que nem eles fazem: repetir todos os dias , para todo mundo, o que o PT fez com o Brasil. Sigo o exemplo deles: era FORA FHC, agora é FORA PT!
    Aqui eles só vão levar pancada, cara Márcia. abraços

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  2. Comentado por:

    Maria

    Augusto,
    É de seu conhecimento o livro “ESCÂNDALO do MENSALÃO” (Ivo Patarra)?
    htpp://ww.escandalodomensalão.com.br
    Ainda não li, Maria. Vou ler imediatamente e convidar o Ivo para uma entrevista. abraços.

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  3. Comentado por:

    Anita

    Quando receber o próximo, vou sugerir a ela que acrescente algum diferencial, cara Anita. Abraços, Augusto

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  4. Comentado por:

    MTS

    Seria apenas coincidencia que os seres que tentam elogiar lulla por aqui, sejam justamente os mais ignorantes em relacao `a lingua portuguesa?
    Eu mesmo respondo.
    Claro que nao.
    Ignorantes ,burros, rancorosos, amantes do atraso, adoradores de ladroes, parasitas, todos elles estao com lulla, todos elles adoram o petismo.
    Sao farinha do mesmo saco.Se veem em lulla.
    Com a vitoria de serra..veremos todos elles no Simba-petralha, um parque tematico onde nos humanos poderemos ver os petistas em habitats recriados para que sua vida selvagem apareca ao natural.Mas claro, atras das grades. E lembrem-se…ao visitar o Simba-petralha, nao alimentem os petistas.

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  5. Comentado por:

    UM BOI

    Fala-se de sucessos e fracassos, de estratégias alianças, acôrdos estatísticas para conquista e manutenção dos poderes que é o que interessa no Brasil, principalmente do Lula, famôso e querido, mas não por ser santo. Muito pelo contrário. Sua excelencia é um tremendo malandro. E malandro de hoje tem que ter cuidado para não virar bandido. Que é só que dá e tem. O PT parece uma quadrilha de mafiosos, mas é um partido político tão poderôso que é o do presidente da República. Aliás falar desse partido é censurado porque seus métodos ja estão tão manjados que comentar-lhes parece estar se repetindo.Aí não deixam falar mais nada sobre o assunto. Que “its already said that”. E ebquanto a verdade fica abafada eles botam banca e tomam conta.

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  6. Comentado por:

    Silas

    Augusto,
    Essa sua aula particular de português aos petistas tem se revelado inútil.

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  7. Comentado por:

    Valentina de Botas

    Li este post na sexta-feira, mas não consegui comentar imediatamente. Perdoe-me voltar ao assunto, mas esta foi a primeira Páscoa sem meu pai e a falta que sinto dele toma conta dos meus dias. Você conhece essa saudade e saberá compreender. Sobre o post, diria que talvez, querido Augusto, o paradoxo seja real: o destino que escolhemos nos determina. Mais de 40 anos, não é?, fazendo jornalismo e sendo Augusto Nunes. Depois de tanto tempo, jogando bonito em todas as posições – até na de dono de jornal, na gloriosa Taquaritinga –, além da temporada como executivo do Banco de Boston e o combate à(s) ditadura(s), o que poderia surpreendê-lo? Talvez somente o Sobrenatural de Almeida. Da canalhice mais grossa até a conversinha mais sonsa, quais camuflagens o homem que “empurrado é que não vai” não desvenda a distância? Quais vulnerabilidades o idealista amadurecido não pressente? Quanto de bajulação interesseira, assédio vulgar, arapuca atraente não espreitou em vão o jornalista bem-sucedido? Quantos espantos um cara tão vivido já não constatou no elenco diversificado com que lida – de leitores, colegas-pero-no-mucho e políticos? Contudo, creio que ainda o alcançam a decepção e o encantamento, ou você teria se tornado cínico e frio. É saboroso testemunhar o seu prazer em observar certas figuras serrando o galho em que estão sentadas, como neste post. Perspicaz sem afobações, sedutor e inteligente, com análises enxutas, vigorosas e prenhes de objetividade, você aponta o problema e orienta uma solução. E sóbrio o bastante para não achar que sabe tudo: o filho de Emília Menon e Adail Nunes parece imune a esses perigos. Citar sua mãe me lembrou da minha, uma mãe com açúcar. Ela ainda nem completou 70 anos, mas tornou-se uma velhinha nos quase três meses de viuvez, diz que do marido sente falta até da falta de humor. A família celebrou a Páscoa, sim, compartilhando o amor, essa dádiva que resiste ao tempo e a nós mesmos – aquilo de essencial que a alma retém depois de coar a vida que vai passando. E nesta época é tudo esperança. Tão vital e imensa, me enche de devoção e não consigo resistir ao impulso de semear, que brota verde e tenro novamente. Não sei o que nem quando será a colheita, mas a vida sem semear vida não é. Falando em pais, amor, semeadura e tal, não sei se você já tem esta foto encantadora (a página carrega rapidinho, clique na seta para a direita e, depois, na terceira foto da fileira de baixo): http://www.nossataquaritinga.com.br/v2/galeria-de-fotos/view/21.html, Um beijo (PS: Recebeu o recado sobre a novidade da nossa amiga? Ainda precariedades, mas vamos semeando…)
    Fiquei muito feliz com o comentário, os links e a ótima notícia sobre nossa amiga, Valentina. Um beijo.

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