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A viagem que diplomou o primeiro astronauta do Brasil custou 1 milhão de dólares por dia

Marcos Pontes viveu seus 10 dias de fama entre 29 de março e 9 de abril de 2006. Quase ninguém sabia direito o que fazia na estratosfera aquele major da Aeronáutica nascido em Bauru, interior de São Paulo. Nem quais eram exatamente os objetivos da missão, ou o que o país tinha a ganhar com a aventura. Nada disso pareceu relevante no […]

Lula e Marcos Pontes

Marcos Pontes viveu seus 10 dias de fama entre 29 de março e 9 de abril de 2006. Quase ninguém sabia direito o que fazia na estratosfera aquele major da Aeronáutica nascido em Bauru, interior de São Paulo. Nem quais eram exatamente os objetivos da missão, ou o que o país tinha a ganhar com a aventura. Nada disso pareceu relevante no momento em que Pontes ultrapassou a fronteira do planeta e o mundo foi apresentado ao primeiro astronauta brasileiro.

A epifania patriótica havia começado 9 anos antes, com a entrada do Brasil no consórcio de países envolvidos na montagem e exploração da Estação Espacial Internacional. O governo prometeu investir 100 milhões de dólares na fabricação de seis peças. Em troca, poderia executar experiências na estratosfera e teria direito a uma vaga na tripulação. A Agência Espacial Brasileira não cumpriu o prometido e resolveu que não investiria mais que 10 milhões de dólares. Mas não abriu mão do astronauta.

Faltavam trinta minutos para 30 de março quando Pontes chegou ao espaço agitando uma bandeira brasileira, levando na bagagem uma camisa da Seleção e uma réplica do chapéu panamá de Santos Dumont e, guardados na cabeça e numa pilha de papéis, oito experimentos planejados por cientistas nativos. O mais relevante era a germinação de sementes de feijão em ambiente com gravidade zero.

“Sua viagem ao espaço tem um significado histórico muito importante para o Brasil”, cumprimentou-o o presidente Lula minutos depois da volta ao planeta. “Este também é um sinal para o mundo de que o Brasil caminha a passos largos para exercitar plenamente sua soberania”. Grávido de patriotismo como a maioria da nação, o chefe de governo achou insuficiente taxiar no discurso oficial e decolou no improviso.

“Eu teria vontade de estar no seu lugar”, confessou. “Sei que não tenho preparo físico adequado como você e não tenho coragem de mergulhar nem mesmo cinco metros dentro do mar, mas teria a coragem necessária para ir a uma nave espacial”. Lula vive jurando que é capaz de fazer coisas de que até Deus duvida. Por que não virar astronauta? “Quem sabe um dia, quando estiverem levando pessoas da terceira idade, eu possa ir até lá”.

Um mês depois, o furacão nacionalista cessou e Lula esqueceu o passeio no mundo da Lua, provavelmente aconselhado pelo tamanho da conta. A viagem de Pontes custou 10 milhões de dólares ─ 1 milhão de dólares por dia. Em vez de dedicar-se à consolidação da soberania nacional, Pontes passou para a reserva. Hoje com 46 anos, mora em Houston com a mulher e dois filhos. Garante que não falta o que fazer. Mas acha que poderia estar fazendo muito mais.

“Trabalho como voluntário para causas sociais e ambientais”, informa o site que descreve a vida, a obra e, sobretudo, os múltiplos talentos do major sideral. “Oriento centenas de jovens estudantes e profissionais a encontrarem sua melhor habilidade para buscar seus objetivos. Fotografo a vida. Pinto e desenho minhas idéias. Trabalho como engenheiro em projetos e consultorias. Escrevo artigos e outros textos com a finalidade de conscientizar e motivar pessoas para descobrirem o seu potencial”.

É compreensível que alguém assim se sinta frustrado com o tratamento que lhe dispensam as autoridades do país natal.  “O Governo Brasileiro e as Forças Armadas”, queixa-se nove vezes no site, “não têm nenhuma previsão ou interesse de usar o Engenheiro Marcos Pontes para o desenvolvimento de projetos nacionais”. Se as letras maiúsculas conseguissem entender-se, insinua, o país só teria a ganhar.

O Brasil não sabe o que está perdendo, sugere a descrição de Marcos Pontes por Marcos Pontes. Trata-se, resumidamente, de “um sujeito simples, humilde e dedicado, que impressiona quem o conhece pessoalmente pela sua grandeza como ser humano, que traz a força, a determinação e a sabedoria daqueles que viveram o extraordinário e já fazem parte da história da humanidade”.

Qual seria o cargo adequado a tal singularidade? O próprio Pontes apresenta três opções: diretor de área técnica na Agência Espacial Brasileira, representante técnico do Brasil na NASA ou consultor para o desenvolvimento de sistemas espaciais nos centros de pesquisa espacial brasileiros.

Fotógrafo especializado em paisagens, desenhista de retratos com uma forte predileção por nus femininos e poeta afeito a rimas com tempos verbais (Eu ficava ali e assistia, / Nos olhos o reflexo do que via, / No mundo o reflexo do que imaginava, / Na mente o reflexo do que acreditava), está quase pronto para voos políticos. Pontes diz que Pontes “está se esforçando para ter a preparação adequada para que, caso necessário, assuma mais essa função com a mesma competência e brilhantismo que sempre marcaram sua carreira profissional”.

Enquanto vasculha horizontes desconhecidos, já assegurou o passaporte para a eternidade. O 444º astronauta a ir para o espaço é também o asteróide “38245 marcospontes” . O primeiro e único astronauta brasileiro acha que isso não tem preço.

Comentários
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  1. Comentado por:

    arilson sartorato

    PODERIAMOS MANDAR A DILMA O LULA O ZÉ DIRCEU O PALOCCI A IDELI SALVATTI E TODA A COMITIVA PETRALHA PARA O ESPAÇO, MAS COM VIAGEM SÓ DE IDA. NÃO COLOQUEI O SARNEY POIS ELE VAI LOGO NATURALMENTE .

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  2. Comentado por:

    fiodor

    Boa tarde Augusto
    Não duvido da capacidade deste Marcos Pontes; só acho que ele pecou em viajar na maionese do Lula. Um cargo político prá ele? Ora, presidente…depois de um “anarfa”, um astronauta. Não há país no mundo com tantas personalidades para disputar cargos públicos, afinal quem paga somos nós.

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  3. Comentado por:

    Oiram

    Que astronauta o cara não sabia mexer em nenhum comando da nave, ele não passou de um caroneiro espacial.

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  4. Comentado por:

    Oiram

    Pensando nisso bem que poderíamos mandar a Ideli Salvati, Genoíno, Delúbio, Zé Dirceu, Palloci, Lula e Jobin para Marte, afinal dizem que a vida na terra começou com as amebas.

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  5. Comentado por:

    amanda

    eu gostei deste texto porque fala de tudo que eu nao fiz ainda, mas sei que um dia vou fazer uma coisa interessante que todos do brasil vai saber.

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  6. Comentado por:

    Wellington

    O astronauta Marcos Pontes lançou recentemento um livro com a visão particular que ele teve de todo o acontecimento: Missão Cumprida. Eu li todo o livro e acho que o Brasil perdeu uma oportunidade de ouro de levar industrias brasileiras em uma área de altíssima tecnologia, pesquisa e produtos de alto valor agregado. Fora o investimento na área de educação científica e tecnológica…

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  7. Comentado por:

    maria vitoria

    ja estudei muito sobre marcos ponte ele ja esteve no cemac

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  8. Comentado por:

    maria clara

    li o texto e gostei muito

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  9. Comentado por:

    Victor Medeiros

    Essa missão espacial tem grande importância no cenário científico e tecnológico do país, na forma de conscientizar a população acerca dessas áreas e incentivar novas carreiras em ciência e tecnologia. Não é novidade pra ninguém que os países desenvolvidos, os de “primeiro mundo”, são os que exportam tecnologia de ponta, com alto valor agregado. Portando, sequer é preciso ressaltar a importância estratégica que têm a ciência e a tecnologia para o desenvolvimento saudável do nosso país.
    Observe-se também que a opinião acima não tem fundamento sólido nos fatos, mas sim em “achismos”. Para comprovar essa afirmação, basta uma rápida pesquisa acerca dos experimentos que de fato foram levados para a ISS (Estação Espacial Internacional) e também sobre o passado profissional do astronauta em questão, do currículo que possibilitou a sua figuração entre as pessoas mais altamente qualificadas do planeta (nenhuma proveniente do “terceiro mundo”, fora a Russia, que tem tradição em exploração espacial) para uma missão espacial que leva o nome da NASA (agência espacial americana) e da Roscosmos (agência espacial russa).

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  10. Comentado por:

    Rafael M Silva

    Ohem o currículo dele, ele está entre as pessoas mais bem qualificadas do planeta, essa viagem seria motivo de extremo orgulho para qualquer cidadão de uma nação inteligente, mas aparentemente o Marcos Pontes estudou tanto, mas tanto pra hoje ser chamado de oportunista.

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