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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A saia da moça e a ira dos boçais

Os estudantes da Uniban de São Bernardo engolem em silêncio mensalidades abusivas, professores medíocres e o sistema de ensino que fabrica fortes candidatos ao desemprego. Só não engolem uma jovem com a saia curtíssima. Os estudantes da Uniban aceitam com mansidão bovina a corrupção institucionalizada, os impostos extorsivos, os pelegos delinquentes da UNE, a roubalheira federal, a procissão de escândalos, a decomposição […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 22 fev 2017, 10h52 - Publicado em 31 out 2009, 01h08

Os estudantes da Uniban de São Bernardo engolem em silêncio mensalidades abusivas, professores medíocres e o sistema de ensino que fabrica fortes candidatos ao desemprego. Só não engolem uma jovem com a saia curtíssima. Os estudantes da Uniban aceitam com mansidão bovina a corrupção institucionalizada, os impostos extorsivos, os pelegos delinquentes da UNE, a roubalheira federal, a procissão de escândalos, a decomposição moral do Brasil. Só não conseguem controlar a indignação e domar a cólera se  aparece uma jovem com as pernas à mostra.

Leiam o que escreveu meu amigo Reinaldo Azevedo. Confiram o video. Está tudo lá. A idiotia é contagiosa, confirma o comportamento abjeto da multidão que toma de assalto o campus da Uniban em São Bernardo para condenar ao linchamento a aluna audaciosa — e tentar executar a sentença. O que há com o Brasil que está ficando cada vez mais jeca, mais selvagem, mais boçal?, estaria perguntando Nelson Rodrigues.

Se aparecesse assim na faculdade em que estudei, a protagonista do espetáculo da nudez ousadamente sugerida, um quase nada perto do que se vê em qualquer praia, seria aplaudida de pé, eleita por unanimidade madrinha de todas as festas de formatura de todas as turmas, celebrada por poetas em êxtase com a materialização do sonho de todos os estudantes de todos os tempos, eternizada num monumento na entrada do prédio. Inspiradora de uma campanha liderada pelo centro acadêmico, com a adesão unânime do corpo docente e apoiada também pelos ex-alunos, a jovem das coxas visíveis a olho nu acabaria tombada pelo Patrimônio Histórico.

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Neste outubro de 2009,  escapou por pouco da morte a pauladas. A Era da Ignorância vai tornando o país cada vez mais primitivo. Cada vez mais parecido com essa gente que o governa.

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