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A prova do crime que o PT endossa

“A solidariedade a Cuba, meus companheiros, nesta hora é mais importante que nunca”, declamou o companheiro José Eduardo Cardozo em maio de 2008, durante a reunião do Foro de São Paulo em Montevidéu. Representante do PT na celebração bienal da Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim, o deputado paulista resumiu numa frase a opção […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 14h40 - Publicado em 2 ago 2010, 19h59

“A solidariedade a Cuba, meus companheiros, nesta hora é mais importante que nunca”, declamou o companheiro José Eduardo Cardozo em maio de 2008, durante a reunião do Foro de São Paulo em Montevidéu. Representante do PT na celebração bienal da Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim, o deputado paulista resumiu numa frase a opção infame: quem se solidariza incondicionalmente com uma ditadura se torna avalista de todas as infâmias que coleciona. Uma delas é punir com singular brutalidade os chamados crimes de consciência, atribuídos a quem ousa discordar do pensamento único.

Enquanto os nostálgicos do stalinismo psicótico confraternizavam na capital uruguaia, o ex-pugilista cubano Ariel Sigler Amaya, condenado em 2003 por “vínculos com potências inimigas”, completava numa prisão em Havana um quinto da pena de 25 anos. Enquanto Cardozo afagava os Irmãos Castro, Ariel buscava tratamento médico para a polineuropatia, uma doença degenerativa que afeta progressivamente os nervos periféricos até paralisá-los completamente. O socorro chegou tarde demais. Há quatro meses, quando enfim foi internado numa clínica cubana, estava paraplégico.

Na foto do alto, que o mostra aos 39 anos, Ariel pesa 81 quilos e a aparência é saudável. A imagem de Ariel desembarcando em Miami numa cadeira de rodas mostra um homem devastado pela travessia terrível. Pesa 49 quilos e aparenta muito mais que 47 anos. É mais que uma foto. É a prova de um crime. Ariel só escapou da cadeia e da morte graças ao acordo entre o governo espanhol, a Igreja Católica e a ditadura caribenha. O irmão Guido continua no cárcere. Os dois foram comparados por Lula aos bandidos presos em São Paulo.

Está prevista  para 17 de agosto a estreia do programa eleitoral de Dilma Rousseff. Ela não poderá assistir à performance em companhia de José Eduardo Cardozo, um dos coordenadores da campanha, acompanhante para viagens internacionais e porta-voz da candidata: nesse dia, o companheiro estará em Buenos Aires para outro encontro do Foro de São Paulo. Se for coerente, vai repetir a discurseira de Montevideu. Se tiver juízo, vai fazer de conta que não disse o que disse.

O candidato José Serra poderia pedir a um jornalista argentino independente que, depois de mostrar-lhe a foto que lembra sobreviventes de campos de concentração nazistas, pergunte a Cardozo quem merece solidariedade: a ditadura cubana, que colocou em frangalhos a Declaração dos Direitos Humanos,  ou os Ariel Sigler Amaya que continuam presos sem terem cometido crime algum. Feito isso, valerá a pena exibir no horário eleitoral da oposição as fotos de Ariel, o vídeo de Montevideu e a declaração de Buenos Aires.

O que o Alto Companheiro disse no Uruguai é o que a candidata pensa.  A resposta de Cardozo será a resposta de Dilma. O eleitorado precisa saber como é o tipo de regime que a dupla sonha implantar no Brasil depois da supressão das liberdades democráticas.

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