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A memória com filtro facilita a ofensiva dos pecadores da pátria

PUBLICADO EM 6 DE SETEMBRO DE 2009 Na província do Québec, as placas de todos os carros exibem a mesma inscrição em francês: Je me souviens. As três palavras reiteram que, embora incorporada ao Canadá de fala inglesa, aquela gente não esquece as origens, o passado, a História, o que houve de bom e de […]

PUBLICADO EM 6 DE SETEMBRO DE 2009

Na província do Québec, as placas de todos os carros exibem a mesma inscrição em francês: Je me souviens. As três palavras reiteram que, embora incorporada ao Canadá de fala inglesa, aquela gente não esquece as origens, o passado, a História, o que houve de bom e de ruim, os crimes impunes e as afrontas sem resposta. Eu me lembro, avisam muitos milhares de veículos. Permanecem vivas todas as lembranças. A esta altura, parece secundário aos québécoises saberem se um dia serão independentes. O essencial é reafirmar a identidade, exigir respeito a direitos adquiridos ou por conquistar e  transferir para as gerações seguintes, intocada, a memória coletiva.

No Brasil, milhões de cabeças nem ficam sabendo do que outras tantas fingem ter esquecido e os sinuelos do rebanho preferem não lembrar. Parece um clarão no escuro de vidas passadas a roubalheira do mensalão — e no entanto o escândalo ultrajante ainda não foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Parece velha de muitos séculos a execução dos prefeitos Celso Daniel e Toninho do PT, cujos mandantes seguem homiziados no coração do poder. Parece coisa de antigamente até o que ainda está acontecendo, como as patifarias protagonizadas por José Sarney, as bandalheiras embutidas nas licitações da Petrobras ou as fantasias de Dilma Rousseff.

Os habitantes do Québec lembram porque conhecem a história, são altivos e têm caráter. No Brasil, há os que nada lembram porque nada sabem e os que, por terem alma subalterna e nenhum caráter, são portadores de memória com filtro. Esses conseguem esquecer o que fizeram os dirceus, paloccis, silvinhos, okamottos, guadagnins, professores luizinhos, joões paulos, delúbios, genoínos, gushikens, valérios, dudas, sanguessugas, aloprados, toda a turma que posava de vestal antes de escancarar a vocação para o bordel e todo o bando que caiu na vida ainda no berço.

Esses se comportam como se não existissem nem os 40 gatunos a serviço do Ali Babá federal, inspirador e principal beneficiário da Grande Mentira, nem os escândalos deste inverno. Aplaudido por devotos e avalizado por jornalistas inscritos na versão daslu do Bolsa Família, o presidente da República festeja a miragem do pré-sal ao lado de José Sarney e Dilma Rousseff. Incensado por áulicos incuráveis e espertalhões da base alugada, usa a televisão para tentar transformar 6 de setembro no Dia da Proclamação da Segunda Independência. E acusa de inimigos da pátria os que vigiam a Petrobras com merecidíssima desconfiança.

Lula acha que a Petrobras precisa de mais contratos? Precisa é de uma dedetetização exemplar. Enxerga em Sarney um homem incomum que honra o Senado? A resistência democrática continua vendo no arquiteto da censura ao Estadão alguém desqualificado para presidir uma reunião de condomínio. Promove Dilma a guardiã do tesouro no fundo do mar? Quem mente como se respirasse precisa é cuidar da própria cabeça. Nomeou-se o maior dos patriotas? O patriotismo, constatou faz tempo Samuel Johnson, é o último refúgio dos canalhas.

O que os profissionais da fraude querem é que todo mundo esqueça. Continuemos lembrando.

Comentários
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  1. Comentado por:

    Valentina de Botas

    Oi, Augusto!
    Por favor, gostaria de mandar um abraço aos leitores Nonato Mendes (16/02, 12:24) e Otaga (18/02, 16:26). Meus colegas, muito obrigada de coração. Fico muito contente que nos encontremos aqui, nesta Coluna toda linda, cujo ambiente cultivado pelo brilhante e sensível colunista me inspira os comentários e a esperança. Como ele sempre diz: não importa quando, ganharemos essa briga porque temos razão. Sigamos comentando e construindo esta memória que é já a construção da alvorada que buscamos. Otaga, um beijo nos seus filhos e que Deus os abençoe. Obrigada, Augusto e um beijo. Valentina

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  2. Comentado por:

    Miro Somenzari

    Cadeia para Lulalá e os 40 ladrões.

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  3. Comentado por:

    S. Lincoln

    As denúncias acumulam-se em escalada em meio a um retumbante e estarrecedor silêncio e, em meio aos mal ditos e mal feitos, fico pasmo ao constatar que o verbete ‘impeachment’ não foi utilizado uma única vez.

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  4. Comentado por:

    DOCKA MARINS

    MEUS CAROS EU JAMAIS ESQUECEREI DAS NOITES INSONES. SE CONSEGUIA DORMIR TINHA PESADELOS, ACORDADO, IMPOTENTE DIANTE DOS DESMANDOS.

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  5. Comentado por:

    DOCKA MARINS

    esse povo de carnavais , futebol e bundas( claro tudo isso faz parte do cenário) um dia vai ter acordar sob pena de dormir para sempre. um abç ainda há uma esperança. estão nos tungando à luz do dia. q inferno foi esse em que nos colocamos? pqp

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  6. Comentado por:

    JOÃO CARLOS BATISTA DOS SANTOS

    LAVO A ALMA, QUANDO LEIO SUA COLUNA.
    ÉS A VOZ DAQUELES QUE EXERGAM E SENTEM, O QUANTO ESTAMOS SENDO COLONIZADOS, PELOS ATUAIS DETENTORES DO PODER.

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  7. Comentado por:

    fpenin

    Augusto,
    A imprensa noticiou poucos dias atrás que Dilma ganhou um cão Labrador de presente. Açodados, os “cumpanhêro” já pensam em filiar o animal ao MST.O novo “ladrador” deverá fazer companhia a outro, mais velho, que foi doado à presidenta(sic) pelo manjadíssimo Zédirceu. O nome da pérola: NEGO. Pelo passado de quem o doou, o E tem de ser aberto, haja vista que,contra todas as provas e evidências, o ético petista sempre nega tudo.Ainda é carnaval…

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  8. Comentado por:

    SILVIA SAVASSE

    chegando hoje das férias e ouvi dizer que trocaram o nosso ministro aqui da CONAB. Será mais um corrupto, trocaram 6 por meia duzia? Porque até agora não mudou nada aqui é só roubalheira na cara dura mesma. Vamos ficar de olho mas sei que vamos ter mais denúncias.

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  9. Comentado por:

    Angelo

    Senhores,perfeito Sr.Augusto,a cada dia que passa
    cai no esquecimento desse povo premiado com as tais
    bolsas,os fatos vergonhosos desse governo mediocre
    mentiroso,o nomeado maior dos patriotas em 10 anos,só fez regredir este País,com leis esdrúxolas
    unindo-se a bandidos e criminosos,de além mar,e os
    sabujos da militância conseguem esconder o direito
    alienável da nação, que é o cumprimento de suas Leis,é uma vergonha para as futuras gerações.

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  10. Comentado por:

    trix

    O pudim – não era o padim – sobremesa inglesa servida fria e feita em banho maria aquecida no forno, melhor , crème de la crème.
    Todo filme sobre presos necessariamente, obrigatoriamente, tem duas passagens, se não , filme de presidiário não é. Cenas: no chuveiro e quando o herói vai para a solitária. Já para as presidiárias contam com a famosa cena briguinha de arranca cabelo entre duas mulheres.
    O Profeta dirigido por Jacques Audiard nos mostra a história de um jovem preso e inexperiente ,condenado a seis anos de prisão. O filme interesse quando segue o roteiro é chato nas passagens autorais – carregado de um maneirismo déjà vu.
    O profeta Djebena se depara entre dois grupos: os corsos e os árabes e o que define hoje um francês ? Sua língua? Um dos agentes sociais pergunta para Malik El Djebena:
    Você sabe ler. O jovem balançou a cabeça que não. Reconhece os sinais de partida e chegada. Oui. Qual foi a primeira língua que falou , árabe ou o frânces. As duas. O Profeta tem a cena do chuveiro e por medo da solitária, o jovem aprendeu a matar.
    O que define a impetuosidade revolucionária de um francês. Napoleão era corso e desse ímpeto histórico, restou apenas a criminalidade dos corsos em presídios ( no filme).
    Brasil possui uma sociedade estruturada na rigidez . Todos ocupam lugares fixos e determinados, e quando sai um Marcos Valério , entrarão outros. A vida de um agenciador ou facilitador de negócios é parte integrante e funcional de esquemas de capital que necessitam da corrupção para obter financiamentos que encobrem os erros gerenciais. As camadas menos favorecidas adoram quando os políticos são o que são: ricos.
    Mas na França pelo menos se pode construir o roteiro do Profeta .Brasília não pode ter filmes de presidiários, os profetas conhecidos como políticos sempre prometendo algum coisa , aqui não são presos.
    Marcos Valério foi condenado, porque é assim que as coisas acontecem era da sua natureza ou destino ou determinismo para surgirem outros nens e outras palavras.

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