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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A foto do beija-mão ajudou a Interpol

Já não se fazem cavalheiros dessa estirpe, murmura a expressão de Dilma Rousseff enquanto contempla o homem que se inclina para beijar a mão que a dele já capturou. No rosto da mulher que se derrete com tanta gentileza, não há vestígios da rabugenta vocacional. A carranca armada ainda no berço foi provisoriamente demitida para […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 31 jul 2020, 08h27 - Publicado em 5 jul 2012, 17h16

Já não se fazem cavalheiros dessa estirpe, murmura a expressão de Dilma Rousseff enquanto contempla o homem que se inclina para beijar a mão que a dele já capturou. No rosto da mulher que se derrete com tanta gentileza, não há vestígios da rabugenta vocacional. A carranca armada ainda no berço foi provisoriamente demitida para abrir espaço a sinais emitidos por corações em descompasso.

Os olhos estão semicerrados. Os lábios se comprimem como se ensaiassem um selinho. O queixo que se projeta para acompanhar de perto o suave encontro da boca do gentleman de filme antigo com a pele de uma dama adestrada em colégio de freiras. Tanta doçura torna quase irreconhecível a mulher fotografada de frente. O homem fotografado por trás, e só do pescoço para cima, esse todos sabem quem é: Paulo Maluf, claro.

A festinha no jardim da mansão anunciou que Maluf é o mais recente amigo de infância de Lula. O beijo na mão acaba de avisar que o antigo satã do PT sente pela afilhada o mesmo afeto desinteressado que devota ao padrinho. Fernando Haddad, beneficiário da aliança pornográfica com o chefão do PP (e dono de cobiçadíssimos 95 segundos no horário eleitoral gratuito), merecia um lugar nessa foto.

Foi o candidato a prefeito que Lula escolheu quem explicou que o novo e o velho resolveram acasalar-se depois de descobrirem que são muitas e relevantes as afinidades ideológicas. “É natural que os partidos que apoiam o projeto do governo estejam comigo”, recitou Haddad. Por enquanto, Maluf nem perguntou que projeto é esse. Para fechar negócio com o PT, bastou-lhe saber o tamanho do cofre da secretaria do Ministério das Cidades que ganhou de presente.

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Para azar do cavalheiresco aliado, a cena do beija-mão embutiu uma informação sempre útil a quem espreita gente procurada pela Interpol. Neste momento, cópias da foto já estão nas mãos de todos os agentes espalhados pelos 180 países prontos para extraditar para os Estados Unidos o brasileiro caçado pela Justiça americana. A polícia internacional sabe faz tempo como Maluf é de frente e de perfil. Agora também já sabe como é Maluf por trás.

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