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A Exposição da Fraude é patrocinada pela Casa Civil

A coluna tem o prazer de publicar na seção Direto ao Ponto outro texto exemplar de Celso Arnaldo. Os leitores terão o prazer de percorrer o Mapa da Dilma guiados por um jornalista cinco estrelas.   Pouco depois da meia noite de hoje, recebo um telefonema aflito de um piedoso leitor – não por coincidência, amigo fraterno. […]

A coluna tem o prazer de publicar na seção Direto ao Ponto outro texto exemplar de Celso Arnaldo. Os leitores terão o prazer de percorrer o Mapa da Dilma guiados por um jornalista cinco estrelas.  

Pouco depois da meia noite de hoje, recebo um telefonema aflito de um piedoso leitor – não por coincidência, amigo fraterno.

Falava sem parar, excitadíssimo, mas, apesar de sonado,  pois durmo e acordo com as galinhas, consegui entender que o motivo do telefonema era a Dilma ─ a Dilma assustadoramente despreparada que começou a emergir das sombras neste blog. Enfim, ele se acalma para me perguntar, sabendo que já fui também redator de humor e que não perco a piada:

─ É você que inventa essas bobagens, né? Nada disso sai nos jornais…

Só consegui convencê-lo de que todas as manifestações de Dilma aqui reproduzidas são falas reais, literalmente transcritas, depois que passei a ele o novo e riquíssimo MAPA DA DILMA.

Que mapa é esse?

Até a semana passada, eu perdia um bom tempo tentando garimpar as falas da Dilma aqui e ali ─ nos sites da imprensa oficial, no Blog da Dilma, no Uol Vídeo, no Kibe Loco. Quase sempre, a prospecção era infrutífera ─ talvez porque 99% das falas da Dilma sejam inaproveitáveis sem correção radical ou tradução simultânea.

Mas o site da Casa Civil, recentemente repaginado, julgando ajudar a patroa a ficar mais conhecida, na verdade agora nos ajuda a tornar mais conhecida a Dilma que precisa ser conhecida ─  para usar uma construção típica da já conhecida Dilma.

Está tudo lá, na íntegra, sem retoques. Discursos, palestras, entrevistas. A partir de agora, falou, tá ali ─ pelo menos até ela se descompatibilizar. Instruções de uso para se fazer em asa:

1) Acesse o site da Casa Civil: http://www.casacivil.planalto.gov.br

2) Na coluna da esquerda, tecle “entrevistas”. Ali se encontrarão transcrições literais de recentes encontros de Dilma com a imprensa ─ incluindo um inédito bate-papo esta semana com uma rádio do Maranhão, que merecerá um próximo post como prova de que, no Maranhão de Sarney, impregnada pelo estilo do dono do estado, Dilma consegue falar muito pior do que jamais falou.

3) Na coluna da direita, se quiser ver ou ouvir tudo ao vivo, na voz charmosa de Dilma, tecle “vídeos” ou “áudios”. Na própria coluna, há amostras de um e de outro veículo através da transcrição de uma frase-chave dita por Dilma (repito, material selecionado pela própria Casa Civil):

Em vídeo: “Levar, para onde haja Brasil, para onde haja brasileiro, investimentos para fazer esse país avançar”.

Em áudio: “É isso que hoje nós comemoramos aqui: água para viver”.

E tem muito mais de onde saiu isso ─  lambuzem-se.

Um debate sobre candidatos ao mais alto cargo da nação não pode se limitar aos quesitos domínio da língua ou capacidade de expressão. O que fazer com a educação, por exemplo, é item obrigatório e desclassificatório numa plataforma de ideias para o Brasil. Mas Dilma revelou-se tão desarticulada, tão grotescamente desapetrechada para qualquer tipo de debate, que não consigo ouvir a quase Mestre e a quase Doutora falando sobre os benefícios da educação, por exemplo.

Como diz num comentário nosso Law, a fala é a sequência oral de um pensamento, que sempre a antecede. Mesmo sem domínio da língua formal ─ aliás, é o caso de Lula ─  pode-se ter uma notável capacidade de expressar ideias. Um matuto que diz “nóis fumu pescá” certamente não conhece os formalismos do idioma – mas se faz entender perfeitamente. Não é o caso de Dilma – que pensa mal e se expressa pior ainda.

Sua fala tosca está a serviço de um modo disforme de ver e pensar o Brasil.

Perfeito. Retomo o tema no próximo post.

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  1. Comentado por:

    Gabriel Sarzedo

    Augustão,
    Estamos torcendo muito prá você…
    Que é isso, companheiro Gabriel? Não me trate com tanta intimidade em público. Vão achar que você… Deixa pra lá. Cai fora.

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  2. Comentado por:

    Led Zeppelin

    “Até a semana passada, eu perdia um bom tempo tentando garimpar as falas da Dilma aqui e ali ─ nos sites da imprensa oficial, no Blog da Dilma, no Uol Vídeo, no Kibe Loco. Quase sempre, a prospecção era infrutífera ─ talvez porque 99% das falas da Dilma sejam inaproveitáveis sem correção radical ou tradução simultânea”.
    O correto não seria:….. porque 99% das falas da Dilma SEJA inaproveitável…?
    Creio que falando nós acabamos cometendo erros…. como diz o Professor Pasquale, trata-se de linguagem coloquial.
    O jornalista resolveu pegar no pé da Dilma por conta da sua linguagem (dela), entretanto, não tem a humildade de reconhecer os próprios erros,,,,

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  3. Comentado por:

    Celso Arnaldo

    Led Zeppelin, do dia 28/01, 17:04
    Desculpe o atraso na resposta, é que só passei por aqui agora.
    Permitam-me dizer, antes de mais nada, que sou fã de vocês, desde o tempo de “Whole lotta love”, quando eu ainda era um menino de calça curta. Como ficou a formação do Led depois da morte do John Bonham e da defecção do Robert Plant? Vocês ainda estão se apresentando?
    Fico feliz que vocês se interessem tanto pela língua portuguesa nos dias de hoje. Pelo comentário, vejo que fizeram progresso, mas ainda faltam alguns retoques, que com o tempo vocês acabam pegando. Ou não: Dilma, com 62 anos, jamais concorda coisa com coisa. O Sarney, com quase 80, ainda está nas primeiras letras.
    Grato pela observação sobre a concordância das falas da Dilma, mas não é por aí, e fico feliz em poder ajudá-los, fã que sou da banda.
    Vamos supor que eu analise cem falas da Dilma. Até vocês, músicos nefelibatas, já perceberam que em 99% dessas falas não se aproveita nada, certo? Isso significa que inaproveitáveis são 99 entre cada cem falas dela. Foi seu professor particular de português que disse que o certo seria “99% das falas é” ou “seja”, no subjuntivo?
    Será que ele pensa que, por ser “porcentagem” uma palavra singular, o verbo fica sempre no singular? Há uma situação que poderia até ser opcional. Por exemplo, se digo: “99% do universo petista é analfabeto”. Aí, em tese, você poderia concordar o verbo com 99% (são analfabetos) ou com universo — em geral, o mais próximo puxa a concordância. Nesse caso, o “é” sai e soa melhor, por causa do universo. Poderia dizer também “é de analfabetos” que não estaria errado.
    Mas em “99% das falas”, essa opção praticamente não existe, embora haja um ou outro gramático que, mesmo aí, defenda a soberania da noção de porcentagem — e, portanto, o verbo no singular, que aliás ficaria muito esquisito. E isso não quer dizer que eles ousariam corrigir “99% das falas sejam”, que é absolutamente correto.
    Para não haver dúvida, da próxima vez eu direi que “100% das falas da Dilma são inaproveitáveis”. Aí você não vai ficar tentado a me corrigir e estaremos mais perto da verdade.
    De qualquer forma, é uma honra receber um pito de ídolos de minha infância. Encerro com os primeiros versos de “Whole Lotta Love”:
    You need coolin’, baby, I’m not foolin’,
    I’m gonna send you back to schoolin’
    abraço
    Celso Arnaldo
    O grande Celso Arnaldo nunca falha! abração, Augusto

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