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A culpa não é das chuvas

EDITORIAL PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO A destruição, pela terceira vez em quatro anos, de um trecho da rodovia federal que tem servido como dique para conter as águas do Rio Muriaé, no município fluminense de Campos – forçando a remoção de 4 mil pessoas da localidade de Três Vendas -, é mais uma dramática […]

EDITORIAL PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A destruição, pela terceira vez em quatro anos, de um trecho da rodovia federal que tem servido como dique para conter as águas do Rio Muriaé, no município fluminense de Campos – forçando a remoção de 4 mil pessoas da localidade de Três Vendas -, é mais uma dramática comprovação da péssima qualidade da gestão pública no País. O fato comprova o mau planejamento das obras públicas, a incapacidade do poder público de adotar medidas preventivas contra os efeitos dos fenômenos naturais e ao descaso das autoridades com a situação da população afetada por esses problemas. A culpa não é do mau tempo, como muitas autoridades vêm afirmando, mas delas próprias, em todos os níveis de governo.

O fato de um trecho da rodovia federal BR-356 (Itaperuna-Campos) ter se rompido pela terceira vez consecutiva por causa das enchentes do Rio Muriaé demonstra que seu traçado é incorreto ou que sua construção não é adequada, ou as duas coisas. “As inundações na região do Rio Muriaé são recorrentes e a estrada deveria ter sido projetada para que não sofra rompimento”, disse ao Estado, com lógica cristalina, o engenheiro geotécnico Alberto Sayão, professor da PUC-Rio e ex-presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos (ABMS). “A estrada não está preparada para cheias e é possível que vá se romper em outros trechos. Deve ser feita uma avaliação para que seja reconstruída em condições adequadas.” Como resumiu o engenheiro, “a culpa não é de São Pedro”.

Em janeiro de 2007, uma pessoa morreu ao cair com seu carro na cratera aberta na BR-356 pelo Rio Muriaé. Em dezembro de 2008, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela operação da rodovia, cortou parte dela para facilitar o escoamento da água. Situado na margem da rodovia oposta ao rio, e em nível mais baixo, o distrito de Três Vendas, a 15 quilômetros do centro de Campos, foi inundado também nessas ocasiões.

Por incapacidade técnica do Dnit ou por outro motivo não conhecido, o trecho destruído foi reconstruído e recebeu diversas outras obras. O superintendente substituto do Dnit, Celso Crespo, disse ao jornal O Globo que cerca de R$ 100 milhões já foram aplicados na BR-356.

“Em 2007, fizemos a contenção do aterro da margem esquerda do Rio Muriaé”, disse o supervisor do Dnit em Campos, Guilherme Fraga Freitas. “Em 2008, a abertura foi feita por máquinas. Depois, ela foi fechada. Nada do que foi feito nos últimos anos foi danificado.”

Agora, o custo estimado para a reconstrução da pista é de R$ 1,5 milhão. Mas, daqui a algum tempo, muito provavelmente, tudo terá de ser refeito, sempre a custos adicionais para os contribuintes e de danos à população, pois nada se disse sobre um projeto de um novo traçado ou de obra resistente às águas do rio para resolver o problema.

A prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, foi advertida há três anos sobre a necessidade de remoção dos moradores de Três Vendas para uma área mais alta conhecida como Colina, como informou ao Estado o pesquisador Arthur Soffiati, do Núcleo de Estudos Socioambientais da UFF – mas nada fez.

Na região serrana do Rio de Janeiro, as marcas da tragédia que custou mais de 900 vidas no ano passado ainda são visíveis – o que mostra a omissão do governo. O pior é que a situação em Nova Friburgo sugere o risco de repetição do desastre, sem que as autoridades se mobilizem para evitá-lo.

O governo federal gere mal os poucos recursos destinados à prevenção e combate às enchentes e outros desastres naturais. A destinação privilegiada desses recursos para regiões de interesse político-eleitoral, daqueles que tomam as decisões – como ocorreu na gestão do atual ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, de Pernambuco, e ocorrera na de seu antecessor, Geddel Vieira Lima, da Bahia -, é uma das piores características dessa forma de governar. Outra é a incapacidade do governo petista de aplicar com um mínimo de eficiência os recursos disponíveis. No caso de ações de “prevenção e preparação para desastres”, entre 2004 e 2011, o governo aplicou apenas um quarto dos recursos autorizados, como mostrou a organização não governamental Contas Abertas.

Comentários
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  1. Comentado por:

    MALDONADO

    PRIMEIRO É DE PARABENIZAR O EDITORIAL/ESTADÃO, EM EXPOR SEM A TRADICIONAL MISTIFICAÇÃO ESTATAL DE SEMPRE, OS REAIS PROBLEMAS DAS CALAMIDADES QUE SE REPETEM, E JÁ ENCHEM O PAÍS A TANTO TEMPO.

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  2. Comentado por:

    alberto santo andre

    se estes pseudos governantes que governam o pais o fossem em um pais como o japao ,ja teriam promovido em todos, o arakiri ,visto que sao covardes e inescrupulosos ate para sentirem vergonha,quanto mais para asssumirem suas responsabilidades com carater.

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  3. Comentado por:

    Angelo

    Senhores,notem que houve repetição dessa tragédia
    em anos anteriores,mas a incapacidade,junto com a
    ignorância,desses orgãos mediocres do governo,ficou
    apenas no paliativo engendrado,gastando-se milhões
    sem que se resolvesse o problema ora apresentado,é
    o País maravilha registrado em cartório.

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  4. Comentado por:

    Guina

    Muitos seguirão morrendo afogados ou acidentados, até que sejam mudadas as leis, com punição rigorosa para os corruptos e maus governantes, e a população seja melhor educada, para aprender a escolher seus representantes nas urnas.
    Feliz retorno, Augusto! Um brilhante ano novo para você!
    Pra você também, grande Guina. abração

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  5. Comentado por:

    Celso Arnaldo

    Augusto, irmão, sê bem-vindo!!!

    Salve, meu irmão! Estava com saudade do amigo e dos textos de primeiríssima. Já está no Direto ao Ponto. abração

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  6. Comentado por:

    Mari Labbate *44 Milhões*

    Governante que almeja somente o Poder, perde-o! Aclamada pelo “Terror dos Mares” como a “MÃE DOS POBRES”, não sustenta-se no governo pelo Efeito-Bumerangue do Universo. A Dona Dilulla acabou de anular-se, nas Forças Contrárias, pois +1-1 = 0. Prometeu, não cumpriu, faliu…

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  7. Comentado por:

    Luciano

    O ministro pega o dinheiro do Rio e de Minas e o aplica em currais eleitorais no nordeste. Centralizador, o governo federal rouba o que poderia ser aplicado localmente para previnir tais tragédias e reclama quando cai sobre sí boa parte do ônus das mesmas.

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  8. Comentado por:

    Luiz Augusto

    A foto sugere que ela estaria prestes a ser catapultada rumo à tragédia… É Foto-irmã do post “Nunca desista de seus sonhos”?

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