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“A Copa que era nossa” e outras notas de Carlos Brickmann

Ao contrário do que acreditam coxinhas e petralhas, o mundo não gira em torno de suas fixações. Nem tudo é política

Publicado na Coluna de Carlos Brickmann

Meninos, eu vi: na Copa de 62, quando nem se imaginava a transmissão direta pela TV, a Rádio Bandeirantes montou um imenso painel no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, com botões no lugar de jogadores. Pedro Luís e Edson Leite irradiavam e os botões se moviam simulando a partida. Um mar de gente, centenas de milhares de pessoas, acompanhava o painel. O Brasil foi bicampeão; e bicampeões foram os que acompanharam a Copa.

Hoje, diz o Datafolha, a maioria da população, 53%, não tem interesse pela Copa. Já surgiu a tese de que a camisa da Seleção, sendo amarela como o pato da Fiesp usado nos protestos contra Dilma, perdeu prestígio. Besteira: a camisa é canarinho, amarelo-canário, e foi festejada na Copa de 1970, apesar de tentarem (sem êxito) identificá-la com a ditadura militar.

Ao contrário do que acreditam coxinhas e petralhas, o mundo não gira em torno de suas fixações. Nem tudo é política. No caso da Seleção e da Copa, há outro fator: em 58, em 62, em 70, cada torcedor conhecia cada jogador. Os convocados jogavam em seu time, ou contra ele; torcia-se pelo craque do time (e, portanto, pela Seleção). Hoje, poucos craques estão no Brasil, ou aqui se consagraram: saíram meninos e cresceram muito longe da torcida. Normalmente, têm ligação com o Brasil, mas é mais distante.

Gilmar, Nilton Santos, Didi, Vavá, Pelé, esses o torcedor conhecia e sabia onde jogavam. Responda rápido: aqui, onde jogava Roberto Firmino?

 

Sinal de alerta

Seguidores de Jair Bolsonaro voltaram a atacar João Doria. Adversários de Bolsonaro também colocaram Doria na alça de mira. Mau sinal para o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin: indica que os concorrentes voltam a considerar provável que, diante da imobilidade de Alckmin nas pesquisas, o partido resolva trocá-lo por Doria. Doria nega que queira ser candidato, mas essas coisas são meio complexas: se o partido lhe fizer um apelo, por que não fazer o sacrifício de atender aos pedidos e disputar a Presidência?

 

A tática de Alckmin

Alckmin tem dito a amigos que sua tática é ficar tranquilo, sem fazer marola. Acredita que Bolsonaro já esteja batendo no teto, incapaz de chegar mais alto; acredita que o candidato do PT tenha mais chances de alcançar o segundo turno; acredita que os partidos tradicionalmente alinhados ao PSDB, que agora tentam criar um candidato de centro, acabem concluindo que este candidato já existe e é ele, Alckmin. No segundo turno, ganharia os votos de todo o eleitorado antipetista e chegaria à Presidência. Pode ser; mas a manutenção de baixos índices nas pesquisas estimula outros partidos a tentar viabilizar novos candidatos (mesmo que sejam do próprio PSDB, como Doria). E se, de repente, Ciro Gomes atrai alguma legenda de centro?

 

Rir, rir, rir

Henrique Meirelles conta com três fatores para se transformar em nome forte: apoio da máquina do Governo, bons resultados na economia e cacife para pagar a maior parte da campanha (ou até mesmo a campanha toda). Só que o mundo não é bem assim: Michel Temer, com 3% de aprovação, sob ameaça de novo pedido de processo, não controla mais nem seus aliados próximos ainda soltos, quanto mais a máquina do Governo. Os resultados da economia são bons, especialmente considerando-se que foram obtidos em curto prazo e sob permanente crise política, mas uma ampla maioria de eleitores acha que a economia vai mal. Até agora, Meirelles, com apelo popular nulo, não conseguiu passar ao eleitor que sua área vai melhor do que se poderia esperar. E pagar a campanha, OK. Mas fará isso mesmo sem chances de crescer? Agora, o dado humorístico: sugeriram a Meirelles que se posicione mais à esquerda. Será engraçado se ele aceitar.

 

A vida como ela não é

Sim, os ministros do Supremo Tribunal Federal têm à disposição um servidor que ajeita as cadeiras sempre que algum deles se senta ou levanta (naturalmente, um funcionário por ministro). Não, este detalhe não é o top da mordomia: bom mesmo é desfrutar de uma área exclusiva de embarque no Aeroporto de Brasília, pela qual o Supremo paga R$ 374,6 mil por ano. Questão de segurança: os ministros não precisam se misturar à plebe rude para embarcar. Seu espaço fica a uns 2 km do embarque dos passageiros comuns. No momento do embarque, o ministro é levado de van até o avião e sobe por uma escada exclusiva para uma porta lateral do finger, onde finalmente (que fazer?) se mistura com os cidadãos sem toga.

Mas ainda estão sujeitos a agressões verbais de gente mal-educada, que expressa em voz alta suas restrições ao trabalho de um ou outro ministro.

 

Bola de cristal

Frase do ex-presidente americano Ronald Reagan: “A política é supostamente a segunda profissão mais antiga. Vim a perceber que tem uma semelhança muito grande com a primeira”.

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  1. Marcia Candido

    Acredito que Alckmin vai para o segundo turno com o indicado do Lula. Outros candidatos vão desidratar quando começarem os debates. E quem leva o segundo turno é Geraldo Alckmin.

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  2. André Fehrenbach

    Estamos na fase de ter candidatos sóbrios, que aglutinem o centro e ter governabilidade. Não há tempo para experimentalismos, nem guinadas ideológicas, o Brasil precisa de empregos, saúde e educação e Geraldo é o mais preparado.

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  3. André Fehrenbach

    O tempo mostrará ao povo brasileiro que Geraldo Alckmin é o mais preparado para o Brasil.

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  4. Sonia Fausta Tavares Monteiro

    Apesar de não ser muito fã de esportes, inclusive de futebol, quando se trata de Copa do Mundo sempre estarei lá, diante da TV, torcendo pelo Brasil, por dever cívico, ou mesmo por amor à pátria! Quanto à declaração do presidente Ronald Reagan, não dá para discordar, pois a semelhança é mesmo incontestável!!!

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  5. Quem de vez em quando costuma olhar o entorno não se anima muito com essa história de 53%. É só lembrar que restam 47%… Já serão cornetas, buzinaços, panelaços, gritarias, rojões demais. Muito barulho por causa nenhuma. Um time de futebol! A glória de um povo e de país na grama, na terra, no mato. E só.

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  6. Pedro Caldas

    Alckmin com certeza vai pro segundo turno! Ainda tem muita água pra rolar! #GeraldoPresidente

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  7. João Rinoceronte

    Pessoal o mais preparado para ser Presidente do Brasil é Geraldo Alckmin

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