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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A colisão frontal entre os dois vídeos demoliu a aula magna de vigarice recitada pelo doutor honoris causa em cinismo

No vídeo que mostra um trecho da entrevista à rádio Itatiaia, Lula ensina que a oposição tem que ter paciência, conformar-se com o resultado da eleição de outubro, aguardar a próxima e deixar a presidente a governar em paz. Foi o que o doutor honoris causa em cinismo jurou ter feito em 1989, 1994 e […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 31 jul 2020, 00h35 - Publicado em 1 set 2015, 01h53

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No vídeo que mostra um trecho da entrevista à rádio Itatiaia, Lula ensina que a oposição tem que ter paciência, conformar-se com o resultado da eleição de outubro, aguardar a próxima e deixar a presidente a governar em paz. Foi o que o doutor honoris causa em cinismo jurou ter feito em 1989, 1994 e 1998. derrotado, recolheu-se ao lar em silêncio e calado ali ficou nos quatro anos seguintes.

Ministrada em apenas 55 segundos, a aula magna de vigarice foi reprisada no sermão da missa negra celebrada em Montes Claros. “Eu gostaria que todos aqueles que todo santo dia inventam um golpe pra tirar a Dilma aprendessem a respeitar a democracia”, fantasiou o pregador malandro. “Se eles querem o poder, que esperem 2018″. É muita mentira para uma viagem só.

Os fatos informam aos berros que Lula jamais engoliu a vitória de Fernando Collor, muito menos as duas surras consecutivas, ambas no primeiro turno, que Fernando Henrique Cardoso lhe aplicou. Enquanto jogou na oposição, o PT nunca respeitou o apito final. Terminada a apuração, o chefão do partido invalidava a decisão popular e ordenava o início da prorrogação que se estenderia por quatro anos.

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Ninguém exigiu o impeachment de Collor com tanta selvageria . Nenhuma oposição foi mais intransigente que a liderada por Lula nos oito anos de governo Fernando Henrique. Em 1995, ainda apostando no fracasso do Plano Real, o ressentido sem cura ainda atribuía a um “estelionato eleitoral” o nocaute que sofrera em outubro de 1994. Em janeiro de 1999, ainda grogue com a segunda sova, entusiasmou-se com a palavra de ordem lançada por Tarso Genro: “Fora FHC”.

Passados seis meses, o rebanho conduzida pelo sinuelo obsessivo continuava balindo a mesma sandice. Em 26 de agosto, um dia depois de uma manifestação de rua em Brasília, Lula parecia convencido de que a miragem estava ao alcance da mão. A queda do inimigo era questão de tempo, garantia o sorriso de quem já andava dormindo com o peito enfeitado pela faixa presidencial cerzida por Marisa Letícia.

A ofensiva boçal fora intensificada na véspera pelos dois principais oradores da chamada Marcha dos 100 Mil. “Eu sou solidário com tudo o que se fizer contra esse governo”, informou Leonel Brizola. “Por conseguinte, eu sou solidário com a instalação de um processo de responsabilidade. Mas eu quero dizer a vocês todos que eu considero que o que é necessário, que o Brasil reclama e precisa, reclama e necessita é a renúncia deste homem que está aí”.

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A procissão dos demagogos foi fechada pelo embusteiro que agora acusa de “golpista” quem prega a renúncia de Dilma. “Eu tô gratificado porque nós conseguimo dizê ao Fernando Henrique Cardoso e à sua corja que nunca mais… que nunca mais eles ousem duvidar da capacidade de organização da sociedade civil brasileira”, gabou-se o recordista brasileiro de bravata & bazófia. Horas mais tarde, numa entrevista coletiva, reiterou a opção preferencial pela estratégia do quanto pior, melhor.

“Vamos fazer um ato por mês nas capitais e uma greve geral contra a política econômica e as privatizações”, prometeu. Um repórter perguntou-lhe se concordava com a bandeira desfraldada por Brizola. “Renúncia é um gesto de grandeza, e Fernando Henrique Cardoso não tem essa grandeza. Ele é orgulhoso, prepotente e não quer enxergar o que está acontecendo”.

Fazendo de conta que conversava olho no olho com a sigla que sempre o assombrou, concluiu o numerito cafajeste: “Se a porca entortar o rabo aqui, você corre para Paris. Mas nós não temos para onde correr”. Hoje lhe sobra dinheiro para correr em direção ao melhor hotel de qualquer capital europeia. Como o filho, é um multimilionário. Há pelo menos cinco anos não lhe têm faltado jatinhos, anfitriões generosos ou patrocinadores perdulários.

O problema é que muita coisa mudou. A lei começou a valer para todos. Os truques de mágico de picadeiro não funcionam mais. Tudo somado, Lula não pode correr para lugar algum antes de livrar-se de uma indesejada escala em Curitiba. É tudo de graça, mas ninguém quer ser hóspede da Operação Lava Jato.

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