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“O adeus à moda antiga” e outras seis notas de Carlos Brickmann

Publicado na Coluna de Carlos Brickmann Uma carta como há muito não se via; não só por ser carta, igual às de antigamente, como pelas bem-traçadas linhas, em que um político cauteloso expõe com toda a precisão o grau de dissolução do governo sem recorrer a indelicadezas, usa uma expressão em latim sem prejudicar a […]

Publicado na Coluna de Carlos Brickmann

Uma carta como há muito não se via; não só por ser carta, igual às de antigamente, como pelas bem-traçadas linhas, em que um político cauteloso expõe com toda a precisão o grau de dissolução do governo sem recorrer a indelicadezas, usa uma expressão em latim sem prejudicar a clareza do texto e rompe com a presidente sem usar a palavra rompimento. Michel Temer deu adeus a Dilma.

Após a carta de Temer (http://wp.me/p6GVg3-Y0) parece próximo o adeus de Dilma ao Planalto. O PMDB governista está acuado (e seu DNA tende a levá-lo para o lado mais suculento). O impeachment ganhou força. Mas quem divulgou a carta? A mensagem de Temer a Dilma é pessoal, sigilosa. Pode ter sido divulgada por ordem de Dilma ─ teria sido uma bobagem, mas normal em quem atravessa a rua para pisar na casca de banana do outro lado. Ou por algum puxa-saco, para puxar o saco. Ou por um inimigo interno, que gostaria de ver Dilma no chão para que Lula pudesse candidatar-se em 2018 como vítima da elite. Ou por alguém que quisesse apenas agradar um jornalista influente e benquisto, como Jorge Moreno, de Globo, sem se preocupar com o efeito político do vazamento.

Vazar a carta foi ótimo para Temer, vítima da descortesia do Planalto; excelente para mostrar ao PMDB que a conciliação acabou; maravilhoso como demonstração de derretimento de um governo (até Nelson Jobim, que foi ministro de Lula e Dilma, passou para a oposição). Foi tão bom para o vice que, se o governo não a divulgasse, seria difícil para o pessoal de Temer resistir à tentação.

A foto fatal

Carlos Brickmann

Um retrato fiel do esfacelamento do governo é a foto de Dilma com os ministros (http://wp.me/p6GVg3-Y7), quando se disse “indignada” com o processo de impeachment. Não há na foto nenhuma mulher, nem Kátia Abreu, ministra da Agricultura, que tinha virado amiga de infância de Dilma. Não aparecem os ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa, que cuidam da economia. Nem o seu melhor articulador político, o ministro Gilberto Kassab. Em compensação, lá está Henrique Alves, do PMDB ortodoxo.

Dizem que continua por enquanto no Ministério do Turismo porque a inimigo não se pede nada, nem demissão.

A força do inimigo

O PMDB, conforme levantamento do colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br), tem sete governadores, quatro vices, 67 deputados federais, 17 senadores e 996 prefeitos. Tirando o governador do Rio, Pezão, e a família Picciani, ainda com Dilma, é a maior força de oposição do país.

A nova frente

Não se impressione com a nova operação Crátons, da Polícia Federal, sobre diamantes extraídos ilegalmente de reservas indígenas, com a cumplicidade de índios aculturados (e bem aculturados). Faz parte da Lava Jato, mas parece que não é das maiores. Entretanto, há coisa bem grande à frente, provavelmente logo: informa o colunista Ricardo Noblat (http://noblat.oglobo.globo.com/meus-textos/noticia/2015/12/olha-o-japones-de-volta-gente.html) que o Ministério da Justiça recebeu pedido de verba para nova fase da Operação Lava Jato.

Comentário de Ricardo Noblat: “O japonês da Polícia Federal voltará a ser visto por aí antes do Natal”.

O velho rombo

O governo quer recriar a CPMF, quer aumentar o imposto sobre os combustíveis, diz que precisa de muito dinheiro para cobrir o rombo no orçamento. A CPMF, garante o ministro Joaquim Levy, renderia R$ 30 bilhões. Mas só em 2015 os benefícios fiscais dados a empresários de setores que o governo considera importantes alcançaram R$ 408 bilhões, prometidos em 2014 (em que houve eleições e era preciso conquistar corações, mentes e bolsos do empresariado). Simplesmente o dobro dos benefícios fiscais concedidos um ano antes.

Se os setores escolhidos não tivessem tantos benefícios, não haveria rombo: ao contrário, o orçamento federal seria superavitário, permitindo juros menores.

O gosto amargo

Com a recessão econômica do governo Dilma, o que era doce acabou-se. A produção brasileira diminuiu 10% de janeiro a setembro, comparada com o mesmo período de 2014. O consumo por pessoa caiu de 2,8 kg por ano, em 2011, para 2,5 kg por ano. Mas o governo tem apenas parte da culpa: praticamente todas as grandes empresas de chocolates recorreram a manobras feias para aumentar os lucros, reduzindo o peso das barras e bombons e mantendo os preços.

A redução sempre foi informada na embalagem, só que para quem lê com lentes.

Perigo externo

A grande vitória do partido ultradireitista francês Frente Nacional, liderado por Marine Le Pen, é um risco para o mundo inteiro, inclusive o Brasil. A Frente Nacional sempre flertou com o fascismo e o repúdio aos estrangeiros; e, neste momento de atentados promovidos pelo terror islâmico e pela migração em massa de refugiados muçulmanos, ganha força a tendência de expulsar os imigrantes. Seria uma tragédia humanitária; e teria tudo para transformar-se numa onda contra todos os que não sejam “franceses puros”, seja lá isso o que for. O que acontece na Europa costuma ter reflexos no Brasil e em todo o mundo.

Um perigo.

Comentários
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  1. Comentado por:

    milton

    Tente encontrar algum dicionário que diga o contrário.

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  2. Comentado por:

    • Tania

    http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/nem-todos-os-nomes-de-estados-brasileiros-requerem-artigo.jhtm
    No link, uma exemplificação breve e didática mostra o tal equívoco no início, salientado, vermelho, e a correção que encerra explicação da mestra, com destaque na cor verde: maiúsculas minhas, e colei incompleto (Tania).
    . . . · · ·
    « Já os Estados brasileiros, em sua maioria, são antecedidos de artigo, mas há alguns que repelem o determinante. São eles: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. // Antes dos nomes dos Estados de Alagoas e de Minas Gerais também não se usa o artigo na maior parte das vezes – em algumas situações, NORMALMENTE DE USO AFETIVO, esses nomes aparecem determinados por artigos: as Minas Gerais e as Alagoas. Em textos jornalísticos, porém, não se verifica esse tipo de construção. »
    ·
    Segue trecho que abre a aula, no final repetido corrigido•
    ˙
    « Teve início às 9h43 (horário de Brasília) desta terça-feira (10), no Fórum de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, o julgamento do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. »
    ·
    Em 2012, por T. Nicoleti.

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  3. Comentado por:

    Júnior

    O partido da Le Pen é ultradireitista e flerta com o fascismo (de extrema-esquerda)? Pode isso?
    Comeu bola parceiro!

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  4. Comentado por:

    LAZARO CAMBUIM

    Nós Brasileiros não aceitamos mais essas CANALHICES!
    Esta crise imposta ao Brasil, é a prova cabal da incapacidade administrativa deste desgoverno.
    Todos os crimes anteriores, desde: a) Saque nos Correios, (até hoje); b) no BB; c) implantação do mensalão; d) Compra da refinaria de petróleo em Pasadena, Texas (EUA), pela Petrobrás por aval direto da Dilma; e) Emprestimo pelo BNDS, para construção de porto em Cuba e obras em outros países, sem autorização pelo Congresso Nacional. f) Pedaladas fiscais; g) Rejeição das contas pelo TCU; h) O mais médicos; Por ai vai, (Do a) ao z), nem cabe no alfabeto).
    Todos estes fatos, são provas ROBUSTAS, mais que EVIDENTES para o AFASTAMENTO IMEDIATO desta mandatária incompetente, disfarçada de Presidente da República, que comete CRIMES em continuação todos os dias.
    Ainda continua mantendo essa quadrilha de salafrários corroendo a administração. Suas digitais estão em toda parte, assim como ás do Lula, “O Chefe”.
    Impeachment é pouco!
    Dr. Sergio Moro neles! Destino certo deles, Papuda!

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  5. Comentado por:

    Textículos do Jota (ES)

    Impossível concordar com a última nota, “Perigo externo”, do ilustre jornalista. Se o partido “ultradireitista” francês Frente Nacional está propondo o controle da entrada de imigrantes na França na tentativa de evitar a infiltração de terroristas entre refugiados, isso não é sinal de perigo para a população. É o mínimo que um francês sensato poderia exigir de um governo de esquerda leniente, diante de um tsunami de terrorismo que invade o país. Comparar o temor dos franceses (de se depararem com assassinos covardes e cruéis dentro das suas casas, dos locais de trabalho, de lazer, transporte, etc) com o fascismo, data vênia, é desconhecer que o regime estabelecido pelo ditador Benito Mussolini, em 1922, nada mais foi do que um desses projetos criminosos de poder da esquerda que se tornaram realidade. Posicionar-se duramente, portanto, contra o esquerdismo na França não é sinal de perigo para a população, é sinal de perigo para a delinquência islâmica que tem andado livre, leve e louca como “nunca antes na história destiplaneta”. Quem está em desvantagem, desprotegida, hoje, mais do que nunca, somos nós, a “direita” da esquerda. Não creio que os franceses ditos “ultradireitistas” (ou “de extrema-direita”) tenham “repúdio aos estrangeiros” ou aos que não têm “sangue puro francês”. Muito menos se trata de um caso de “xenofobia”, “islamofobia” ou de “risco para o mundo inteiro”. São apenas pessoas comuns, diferentes do Sarney, extremamente indignadas com a incompetência, omissão, o marasmo, os puxadinhos e os horrores causados pelos desgovernos esquerdistas mundo afora. Nada mais além.

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  6. Comentado por:

    Ronaldo força

    Esta história de direita e esquerda caro jornalista está ultrapassada e cheira a mofo. O que existe é conservadores e revolucionários. A França e toda Europa passa por uma situação das mais graves. Sem voltar a discussão de mea culpa pelo colonialismo imposto a países pobre do oriente, o fato é que o Islamismo é uma religião missionária que, desde seu iníco, pretende impor pela violência os seus ditames do alcorão. E existe um população oriunda destes países que seguem a religião dos seus pais e por dificuldades de adaptação e falta de estímulos, sentem-se expatriados e assumem a religião como forma de vingança. A França não precisa receber terroristas de fora, já os tem em potencial dentro do país. Na verdade, terá de caçá-los e expulsá-los além de não recebe-los. Segundo uma escritora somalesa Anna HIrsi, todo muçulmano é um terrorista em potencial como comprova o que ocorreu no EEUU, recentemente. Pensar que isto se resolve com discussão de direita e esquerda é não ler e não entender a religião islâmica. O futuro vai mostrar e a França e Alemanha são os países que mais vão sofrer. Acabaram as viagens culturais para Paris sem o perigo de ser metralhado em pleno bistrô sem culpa no cartório.

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  7. Comentado por:

    Textículos do Jota (ES)

    Ronaldo força – 17/12/2015 às 9:59 está coberto de razão. A tal “direita”, “eles, os maus”, como o “Brahma” dos empreiteiros alardeia, não existe. O problema é que a esquerda, ainda que cheirando a mofo, existe. E é numerosa, perigosa, internacional e sofisticadamente organizada. Foi ela própria que lhe conferiu esse rótulo de “esquerda” lá pelo ido “anos da Revolução Francesa”. Agora, vamos analisar. Qual a diferença entre os franceses que os jacobinos decapitaram em nome da liberdade, igualdade e fraternidade, e os cubanos presos políticos, assassinados pelo regime e os que se asilaram nos Estados Unidos fugindo dos irmãos Castro? E entre os ucranianos que foram dizimados por Stalin e os atuais humilhados por Putin? E entre os chineses que foram chacinados por Mao Tsé-Tung e os judeus massacrados pelo nacional social-trabalhista Adolf Hitler? Qual a diferença entre aquela população eliminada por Pol-Pot e por Kim Jong-un? Resposta: Nenhuma diferença. Todos foram vítimas de regimes esquerdopatas. O chavismo nada mais é do que um projeto de poder da esquerda que se tornou realidade na Venezuela. O “anos do Lulla” é um projeto de poder da esquerda que se tornou realidade no Brasil. A esquerda existe de fato, está viva em pleno Século 21, é estruturada mundialmente, tem hino, milícia, revolução cultural, cartilha do politicamente correto, manual de terrorismo, bíblia (“O Capital”) e até os Dez Mandamentos (O Decálogo de Lênin). A esquerda é, enfim, uma complexa organização criminosa concreta. “Direita” uma ova! Gente direita! Direita é aquela pessoa que, com a enxada na mão e trabalhando de sol a sol, põe a comida na mesa do coletivo, enquanto é assaltada pelo clube da megarroubalheira. A “direita” da esquerda somos nós, a “direitinha inconformada”, os “reacionários”, “conservadores”, “coxinhas”, os “neoliberais” que batem panelas porque sabem que a mulher sapiens é apenas parte de um consórcio de ladrões de países. Não é por acaso que eu e tantas outras vítimas e sobreviventes da esquerda, sabendo o que eles são capazes de fazer com os que se opõem às suas “ideologias”, nos ocultamos por trás de pseudônimos. Até quando teremos que sair às ruas para participar do Protesto Nacional Fora Dillma, Fora Lulla, Fora PT, Fora Esquerda, enquanto a esquerdaça conformada recebe presentão natalino antecipado do STF companheiro? Até quando?

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