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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

‘Sem fantasia’, por Carlos Brickmann

PUBLICADO NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN CARLOS BRICKMANN Rosemary Póvoa de Noronha deve comparecer em breve à Justiça, em São Paulo. Será uma tremenda oportunidade para que a população saiba quem é a moça, o que fez de verdade, quais suas credenciais; porque os meios de comunicação, mesmo sabendo do potencial de fofoca do caso, […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 07h05 - Publicado em 10 jan 2013, 14h51

PUBLICADO NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN

CARLOS BRICKMANN

Rosemary Póvoa de Noronha deve comparecer em breve à Justiça, em São Paulo. Será uma tremenda oportunidade para que a população saiba quem é a moça, o que fez de verdade, quais suas credenciais; porque os meios de comunicação, mesmo sabendo do potencial de fofoca do caso, o que costuma mobilizá-los, não conseguiram mostrar muita coisa de novo.

O que apareceu, no fundo, foi a apuração da Polícia Federal (isso vale também para as notícias a respeito da influência de Rose em indicações para o Governo Federal). Os meios de comunicação mergulharam na parte de fofoca, alguns chegando perto de dizer o que tentavam, outros ficando um pouco mais longe; em outras palavras, cansaram de divulgar insinuações. Ninguém teve informações precisas para dizer, com todas as letras, a fonte real, a seu ver, da força demonstrada por Rose Noronha. Pode ter sido uma questão de gentileza, de tentar evitar a exposição da vida pessoal do ex-presidente Lula; mas, nesse caso, ficar nas insinuações não alivia nada. Expuseram sua vida pessoal do mesmo jeito, mas não tiveram a coragem – ou a informação suficiente – para colocar as cartas na mesa.

O problema, imagina este colunista, está na própria natureza humana. Se, ficando num bar simpático, bebericando e tomando uns petisquinhos, aguardando ser chamado por autoridades amigas que lhe fornecerão informações oficiais, dá para escrever a reportagem, por que andar neste calor infernal, gastar a sola dos sapatos, procurar vizinhos e amigos, verificar até que ponto o padrão de vida que Rose leva é compatível com seus salários? Só para ter informações exclusivas para quem, em última análise, paga seu salário? Trabalhar cansa!

O papel aceita tudo

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tem duas sortes na vida:

1 – Dispõe, como colega de Ministério, do ministro Guido Mantega, que capricha tanto nas manipulações que a imprensa só presta atenção nele;

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2 – Lida com uma imprensa tão boazinha que não se incomoda com as batatadas de Sua Excelência ─ e José Eduardo Cardozo, sem dúvida, está caprichando.

Cardozo teve a audácia de dizer que a queda de assassínios em Alagoas fez com que os índices do Estado ficassem iguais aos da Suíça. A coisa é tão absurda que até a nossa imprensa, tão amiga dos governos, tão chegada a transcrever o que ouve sem verificar as informações, deveria ter feito alguma investigação, por mais cansativo que isso seja. Mas só um jornalista, Cláudio Humberto, que publica diariamente o blog www.claudiohumberto.com.br, resolveu ir buscar os números.

Vamos a eles: na Suíça, há 52 assassínios por ano, ou 0,7 por 100 mil habitantes. Em Alagoas, a média é de 64,5 assassínios por 100 mil habitantes.

Cláudio Humberto só comete uma falha em sua nota: diz que Cardozo deve pensar que na Suíça há 52 mil assassínios por ano. Negativo: as palavras “José Eduardo Cardozo” e “pensar” não devem ser usadas na mesma frase.

A banalização da morte

Chacina em São Paulo, com sete mortos e dois feridos, no dia 4. Como os jornais dão a notícia: “primeira chacina do ano”. Parte-se do princípio (provavelmente correto) de que muitas outras se seguirão, dada a caótica situação da segurança pública no Estado. Mas não se pode esquecer que:

1 ─ A imprensa quase inteira apoiou a desastrosa gestão da segurança pública no Governo Alckmin, que incluiu o desmonte da Polícia Civil a pretexto de “eliminar a banda podre” e deu à Polícia Militar poderes de investigação que não lhe cabem ─ até mesmo um setor de gravação de telefonemas alheios.

2 ─ A imprensa deixou o Governo Alckmin proclamar a imensa besteira de que o PCC, cabeça do crime organizado, já não mais existia e, portanto, não tinha como comandar de dentro da cadeia os bandidos que estão fora. E foi preciso que os bandidos matassem dezenas de PMs para que o Governo acordasse e substituísse o secretário da Segurança ─ o maior defensor da tese de que o crime organizado já não tinha mais como ameaçar a população.

Quem visita um presídio sabe que até os presentes levados aos presidiários são listados pelo PCC; o PCC também ensina como entrar com determinado tipo de produto que, se localizado pelas autoridades, acredite se quiser, será apreendido. Repórter pode visitar presídios, se tiver vontade. Não visita porque não está na pauta, porque nem sempre rende matéria, porque é mais importante contar como foi o réveillon de Duda Mendonça.

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