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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

‘Olhos nos olhos’, por Carlos Brickmann

PUBLICADO NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN CARLOS BRICKMANN Crise brava entre dois vizinhos: o presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, sem perceber que o microfone estava ligado, comentou, a respeito da presidente argentina Cristina Kirchner, que “essa velha é pior que o caolho”. O caolho é o falecido presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina. E […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 06h32 - Publicado em 5 abr 2013, 19h39

PUBLICADO NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN

CARLOS BRICKMANN

Crise brava entre dois vizinhos: o presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, sem perceber que o microfone estava ligado, comentou, a respeito da presidente argentina Cristina Kirchner, que “essa velha é pior que o caolho”. O caolho é o falecido presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina.

E esta foi só a primeira falha diplomática. Em seguida, o chanceler argentino, Hector Timmerman, partiu para nova gafe: considerou “inaceitável que comentários que ofendem a memória de uma pessoa falecida, que não pode replicar nem defender-se, tenham sido feitos por alguém a quem o dr. Kirchner considerava seu amigo”. Só que Pepe Mujica não ofendeu a memória de ninguém: disse que Néstor Kirchner era caolho, e Néstor Kirchner era caolho mesmo. Caolho, no caso de Kirchner, não é ofensa, é descrição. Mujica poderia ter dito que o ex-presidente argentino tinha olhos atraentes, já que um atraía o outro; ou que se esforçava tanto para abarcar a realidade que cada olho buscava uma ponta do cenário. Mas preferiu a linguagem coloquial, embora absolutamente precisa. Teria sido indelicado, havemos de convir, se o chamasse de “aquele vesguinho”.

Já a terceira falha diplomática não tem perdão ─ nem do lado argentino, nem do lado uruguaio. O chanceler argentino reclamou apenas das referências a Néstor Kirchner, esquecendo-se de que o alvo dos comentários de Mujica era a atual presidente, Cristina. Deveria tê-la defendido, claro.

E Mujica foi muito grosso: qualquer cavalheiro sabe que não se deve pegar pesado com uma senhora idosa.

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Compromisso compromissado
Discurso da presidente Dilma Rousseff em Fortaleza, Ceará, sobre a prioridade à educação: “Eu queria dizer para vocês, nesta noite, aqui no Ceará, em Fortaleza e nessa escola, o compromisso forte, o compromisso que é um compromisso que eu diria o maior compromisso do meu governo. Porque é que o compromisso com a educação tem que ser o maior compromisso de um governo.”

Prioridade do compromisso
Tudo tem de ser feito degrau a degrau, etapa por etapa. Por exemplo, antes de aprender a escrever, os estudantes têm de aprender a falar.

Voa, passarinho, voa
O poder provoca às vezes reações estranhas. Calígula, o imperador romano, nomeou para o Senado seu cavalo preferido, Incitatus. A rainha Victoria, irritadíssima ao saber que a Bolívia não poderia ser bombardeada pela esquadra britânica, por não ter fronteira marítima, mandou apagá-la do mapa. O presidente Lula nomeou Guido Mantega para o Ministério da Fazenda.

E o presidente venezuelano Nicolás Maduro, favoritíssimo nas próximas eleições, deu para conversar com aves. Segundo declarou, o falecido presidente Hugo Chávez, na forma de um passarinho, lhe disse, aos pios: “Hoje começa a batalha. Marchem para a vitória. Têm nossa bênção”.

Maduro contou sua conversa com o piu-piu bolivariano tendo ao lado os irmãos de Chávez, que o ouviram com toda a seriedade.

Ascensão e queda
Anúncios caros, nas principais redes, com difusão nacional: é a Petrobras comemorando a produção de 300 mil barris por dia só no pré-sal, nos últimos sete anos. E para que gastar dinheiro com isso, se o consumidor compra derivados de petróleo no posto, sem ter a menor ideia de onde veio a matéria-prima? Mas jogar dinheiro no ralo não é o pior: o pior é que a Petrobras esquece de informar que sua produção diária de petróleo, com pré-sal ou sem pré-sal, vem caindo dia a dia. Comparando fevereiro de 2012 com fevereiro deste ano, a produção caiu 11,7%. A queda se acelerou de dezembro para cá, com redução de 13,5%.

Como não diz a publicidade em rede nacional, meia verdade é também meia mentira.

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