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‘O apelo de María Corina’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta sexta-feira Ainda não é tarde, mas esgota-se rapidamente o tempo para que a diplomacia brasileira reveja sua indefensável posição de apoio ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e passe a lhe exigir respeito aos valores básicos da democracia em seu país. O erro de avaliação do governo petista – motivado por […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 04h06 - Publicado em 4 abr 2014, 19h54

Publicado no Estadão desta sexta-feira

Ainda não é tarde, mas esgota-se rapidamente o tempo para que a diplomacia brasileira reveja sua indefensável posição de apoio ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e passe a lhe exigir respeito aos valores básicos da democracia em seu país. O erro de avaliação do governo petista – motivado por imperativos ideológicos, contrários ao interesse nacional – ficou ainda mais claro quando a líder oposicionista venezuelana María Corina Machado expôs, no Senado brasileiro, o caráter ditatorial de Maduro e cobrou dos países democráticos da América Latina uma postura mais crítica em relação às graves violações de direitos protagonizadas à luz do dia pelo regime chavista. Não é possível falar em “diálogo” enquanto o governo brasileiro der toda a atenção apenas a Maduro, reservando aos opositores do presidente uma olímpica indiferença – atitude que, nas palavras de María Corina, equivale a “cumplicidade”.

A perseguição a María Corina simboliza a truculência do regime chavista. Uma das principais deputadas da Venezuela, eleita com expressiva votação, ela foi cassada no final de março por decisão unilateral do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, líder da tropa de choque do chavismo. O argumento é de que a parlamentar havia violado a Constituição ao integrar momentaneamente a delegação do Panamá na Organização dos Estados Americanos (OEA) – servidores públicos venezuelanos não podem aceitar cargos de governos estrangeiros sem autorização legislativa. Mas María Corina não aceitou cargo nenhum; ela fora convidada pelo Panamá para expor na OEA a situação real de seu país. Ademais, mesmo que tivesse sido irregular, a atitude de María Corina deveria ter sido julgada não pela Assembleia, e sim pelo Tribunal Supremo de Justiça. Foi-lhe negado o direito de defesa, e ao tribunal restou o triste papel de homologar a cassação.

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