Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

‘Brasil, um país de todos’, por Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann Enquanto se discute aquela merrequinha, um reles bilhãozinho de dólares enterrado na refinaria de Pasadena, um escândalo muito maior está pondo a cabeça de fora: a Siemens, multinacional alemã que abriu os debates sobre o cartel metroferroviário, assinou Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público paulista pelo […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 15 fev 2017, 15h06 - Publicado em 30 mar 2014, 09h05

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

Enquanto se discute aquela merrequinha, um reles bilhãozinho de dólares enterrado na refinaria de Pasadena, um escândalo muito maior está pondo a cabeça de fora: a Siemens, multinacional alemã que abriu os debates sobre o cartel metroferroviário, assinou Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público paulista pelo qual entregará contratos, comprovantes de transferências de dinheiro (inclusive os arquivados na Alemanha), todos os documentos; e trará, pagando integralmente as despesas, testemunhas do Brasil e do Exterior.

E por que as investigações podem mostrar muito mais dinheiro esquisito do que a refinaria de Pasadena? Porque só o Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do Governo Federal, investiga 15 projetos, em São Paulo, Rio, Brasília, Rio Grande do Sul, que envolvem algo como US$ 4 bilhões; e a CBTU, federal, que cuida de trens urbanos e metrô em João Pessoa, Maceió, Natal, Belo Horizonte e Recife. Os projetos passam por Governos dos principais partidos que se alternam no poder ─ um acusando os outros de corrupção, mas nenhum mostrando como é que os malfeitos aconteciam (até porque continuam acontecendo). O máximo que acontece, para um revelar o que sabe dos outros, é a ameaça que a ex-ministra Gleisi Hoffmann acaba de fazer: já que haverá investigação sobre Pasadena, então tentará investigar as roubalheiras atribuídas a adversários.

Publicidade

O Brasil é um país participativo ─ e como tem gente participando! Como diz o sambista Bezerra da Silva, “se gritar pega, ladrão!/ não fica um, meu irmão (…)”

Cipó de aroeira
A degradação ética no país chegou a tal ponto que nenhum partido se defende muito das acusações de corrupção: o argumento básico dos acusados é que os outros também fazem suas ladroeiras. Se são todos ladrões, para eles isso é o normal da vida. Diante da aprovação da CPI da Petrobras, o Governo determinou a seus aliados que tentem investigar, na mesma CPI, o cartel dos trens e Metrô em São Paulo.

Ótimo: que se investigue tudo. E que a investigação seja ampla, não se limitando, como agora, a apenas um dos principais auxiliares do Governo Covas, PSDB. Que é que faziam os outros secretários, enquanto o Tesouro era ordenhado? Quem deveria fiscalizar contratos e a justiça dos valores cobrados?

Festa pernambucana
O deputado federal Vicentinho, do PT paulista, disse que quer investigar o porto de Suape, em Pernambuco. Por quais irregularidades? Nem ele sabe. Mas há muitas coisas a ver por lá. Por exemplo, o governador Eduardo Campos, PSB, candidato à Presidência da República, conseguiu gastar R$ 388 mil com seus convidados no camarote do Carnaval. E no ano passado, os gastos oficiais com bolos de rolo, o delicioso doce típico pernambucano, atingiram R$ 52.800,00.

Nhô ruim, nhô pió
Achou bom que o deputado federal Asdrúbal Bentes, condenado à prisão em regime aberto, tenha renunciado ao mandato? Às vezes, em Brasília, nem o que está certo é bom: seu suplente, Luiz Otávio Campos, do PMDB do Pará, já teve a nomeação para o Tribunal de Contas da União rejeitada por problemas de reputação.

Luiz Otávio está condenado a 12 anos de prisão (em primeira instância; recorre em liberdade) pelo desvio de R$ 12 milhões do Finame.

Ele conhece
Há gente estranhando a presença de Jefferson da Silva Figueiredo, subtenente músico do Exército, na comissão militar que passou duas semanas na Rússia avaliando o sistema de defesa antiaérea que o Brasil pretende comprar. Figueiredo, dizem, não é do ramo.

Mas estão enganados: o subtenente músico Jefferson da Silva Figueiredo, marido da ministra Ideli Salvatti, entende muito de canhões.

Caiu, e daí? 
Não se impressione com a queda da avaliação positiva do Governo Dilma, na pesquisa do Ibope. Caiu de 43 para 36%. Só que esta não é uma pesquisa de intenção de voto: é de avaliação. Há uma forte possibilidade de que a população, mesmo querendo mudanças, mesmo insatisfeita, continue achando que a atual presidente já é conhecida e não esteja disposta a aventuras. Para trocar de voto, só se os desafiantes apresentarem bons planos e boas ideias. Quem as terá?

Exemplo vivo
O Governo brasileiro convidou seis repórteres estrangeiros, com tudo pago, para visitar três cidades-sede da Copa: Rio, Manaus e Fortaleza. Objetivo: promover a imagem do país. E não é que promoveu, embora não exatamente a que esperava? O repórter Ian Herbert, do jornal The Independent, conta que foi assaltado na praia de Copacabana, às duas da manhã. Embora os bandidos, armados, tenham fugido sem levar nada (o grupo gritou por socorro, gente se aproximou), a reportagem saiu, com o título É caos no Brasil, mas não entre em pânico.

A História como ela foi
Um retrato histórico pela óptica dos vencidos, mas preciso, objetivo, sem ódio. Almino Affonso, ministro do Trabalho do Governo João Goulart, testemunha ocular dos últimos momentos do regime, lança neste dia 31 seu livro sobre os idos de março. Livraria Cultura, Conjunto Nacional, SP, 18h30.

Publicidade