‘A paz com hora marcada’, por Carlos Brickmann | VEJA
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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

‘A paz com hora marcada’, por Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann CARLOS BRICKMANN O fim da guerra petista contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, tem data certa para acabar: 6 de outubro. A partir deste dia, Barbosa pode comprar apartamento de quarto e sala sem que ninguém diga que é suntuoso, pode viajar em avião comercial […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 05h43 - Publicado em 28 jul 2013, 15h23

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

CARLOS BRICKMANN

O fim da guerra petista contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, tem data certa para acabar: 6 de outubro. A partir deste dia, Barbosa pode comprar apartamento de quarto e sala sem que ninguém diga que é suntuoso, pode viajar em avião comercial sem que ninguém o acuse de usar jatinho, pode até mandar para a cadeia (aí com um pouco de esperneio) os réus condenados do mensalão. Em 6 de outubro, não estando filiado a nenhum partido, Joaquim Barbosa deixa de ter condições de disputar a Presidência da República. Como não será mais ameaça a Dilma e ao PT, volta a ser bom sujeito.

Toda a campanha contra Barbosa, iniciada quando conduziu o processo do Mensalão, ganhou fôlego quando conselheiros do PT o identificaram como possível candidato à Presidência. É bobagem: Barbosa já disse que não quer, sua postura arrogante, prepotente, é um obstáculo a qualquer articulação política, o partido que resolver engoli-lo sabe que subir com ele não implica dividir o poder. Mas, por via das dúvidas, dá que ele mude de ideia e algum partido esteja disposto a tudo para chegar ao Governo, toca a acusá-lo (escândalo!) de gostar de futebol e de comer pipoca quando assiste à TV. O racismo nada velado, coisa nojenta, quase inacreditável, como o que apareceu explícito no Blog da Dilma (que não é da presidente, mas existe para apoiá-la), voltará aos disfarces de sempre.

Surgirão, a partir daí, as campanhas contra Aécio, Eduardo Campos, Marina Silva. Teremos um ano interessante.

Para quem gosta, um prato cheio.

O mistério dos vândalos
Rapazes com celulares, gravando manifestações, são agredidos por policiais e presos. Manifestantes até então pacíficos foram atacados por policiais quando quiseram dirigir-se a uma área não permitida. Já vândalos que atacaram lojas, destruíram sinais de trânsito, lixeiras públicas, portas de estação do Metrô e orelhões, puseram fogo em ônibus, estes agiram à vontade.

Os fatos do Rio ─ a polícia prendeu um rapaz que gravava as manifestações e o acusou mentirosamente de transportar coquetéis Molotov; um vândalo flagrado atirando coquetéis Molotov e correndo para os policiais, trocando de roupa e ficando entre eles ─ abre campo para uma terrível conclusão: a de que está havendo infiltração de agentes oficiais no meio das manifestações, com prática de atos que levem a opinião pública a condenar os manifestantes e apoiar o uso da força contra eles.

O fim do filme
Não é só isso: um casal de vândalos disse à Polícia que trabalhava para a Abin, Agência Brasileira de Inteligência, órgão do Governo Federal. Pode ser mentira ─ e esperemos que seja mentira (a Abin desmente, mas teria de desmentir em qualquer circunstância). Ações agressivas de agentes provocadores são devastadoras para a estabilidade do regime.

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E no fim deste filme todos perdemos.

Acredite se quiser
Na recepção do governo fluminense ao papa foram servidos biscoitos, água e café. Custo oficial: R$ 1.300 por pessoa. Nem que os biscoitos fossem feitos por freiras portuguesas e a água viesse de nascentes do Himalaia o custo se explicaria. Talvez seja o café. Já sabiam que o frio vai provocar alta de preços.

Legal e caro
Na semana passada, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, como de hábito, voltou de Brasília para casa, em São Paulo, num jatinho da FAB. Com ele, a ministra de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci.

Alguém precisa contar ao ministro que já existem voos comerciais entre Brasília e São Paulo, a preços bem mais em conta. Ele certamente gostará de sentar-se entre os passageiros e até fazer o que em seu gabinete é difícil: conversar com gente comum.

De cama em cama
Há um escândalo rolando em Brasília (sim, mais um ─ mas este é diferente) e a imprensa não sabe o que fazer. Uma parlamentar importante usou a verba de gabinete para pagar o motel. Louve-se a saúde de Sua Excelência, pois muita gente de sua idade já abandonou a prática do nobre esporte; mas com dinheiro público? O problema para a imprensa é que a parlamentar é casada.

Dizem que o marido não se importa, desde que o dinheiro não seja dele, mas como ter certeza?

É coisa nossa
Um anúncio vem sendo muito divulgado na Internet, oferecendo “diploma universitário, técnico e pós graduação, autênticos, com número de RA e publicação no D.O.U.” ─ abreviatura que poderia referir-se ao Diário Oficial da União, mas deve ser outra coisa. Tudo rápido: “entrega expressa em apenas 10 dias”. Vem a advertência: “Não se deixe enganar com falsas promessas, negocie com quem trabalha há mais de 5 anos com clientes satisfeitos em todo o Brasil.” E o fecho de ouro: “Conosco você não estará comprando um diploma, estará comprando uma vida escolar”.

Alguma autoridade estará investigando esta fraude?

Pesquisa
Pesquisa realizada pelo Ibope e divulgada pela Transparência Internacional mostra que 81% dos brasileiros consideram os partidos políticos “corruptos” ou “muito corruptos”.

Os demais 19% devem ser menos bem informados.

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