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Democratas queimaram a largada em Iowa. É pior do que parece.

Ainda é cedo para dizer como a disputa terminará para os democratas, mas sem dúvida é um mau começo.

Por Alexandre Borges - Atualizado em 4 fev 2020, 17h29 - Publicado em 4 fev 2020, 16h57

A apuração da primeira votação das primárias democratas americanas foi um duro golpe nas combalidas esperanças da oposição de fazer frente à reeleição de Donald Trump. Os atônitos protagonistas da barbeiragem de ontem não puderam esconder a frustração de revelar ao país, de forma tão clara, como o Partido Democrata está em um de seus piores momentos.

Poucos presidentes americanos na história não conseguiram ser reeleitos. Em tempos recentes, apenas Gerald Ford, dragado pelo escândalo Watergate que derrubou seu antecessor Richard Nixon, logo depois Jimmy Carter, um notório incompetente que não fez sombra ao desafiante Ronald Reagan na eleição de 1980, e ainda George Bush “pai”, que teve a falta de sorte de enfrentar um terceiro candidato independente, o bilionário Ross Perot, o que dividiu a própria base eleitoral. Perot abriu caminho para o desconhecido governador do Arkansas Bill Clinton em 1992 e o resto é história.

Se as chances já são mais altas para o ocupante do cargo numa tentativa de reeleição como agora, some-se a isso um presidente que recuperou a economia de forma sem precedentes, especialmente com taxas inéditas de emprego para negros e latinos, é visto por muitos como um patriota que defende os interesses nacionais como há muito não se via, e ainda um negociador duro contra o terrorismo internacional e nações que fazem ameaças à segurança dos EUA. Vencer Trump este ano não é uma tarefa trivial e a oposição deveria saber disso.

Mesmo disputando a corrida com azarões, o Partido Democrata ainda conta com o apoio majoritário da imprensa tradicional, praticamente um puxadinho do seu departamento de comunicação, das celebridades do mundo pop, dos acadêmicos, dos bilionários, de parte de Wall Street e principalmente das gigantes do mundo da tecnologia e das redes sociais que cada vez menos disfarçam suas táticas de bloqueio, censura e supressão de mensagens de vozes conservadoras ou potencialmente benéficas ao presidente e sua candidatura.

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Apesar de uma safra pouco feliz de candidatos, o establishment democrata,  o mais poderoso e rico do mundo, ainda não dá sinais de ter baixado as armas na guerra para eleger um candidato simpático às suas teses de governos interventores e reguladores na economia, o que é sempre uma boa notícia para ricos que querem se manter ricos a qualquer custo, além do compromisso de manutenção de fronteiras abertas para importação de mão-de-obra barata para suas corporações e mansões. É uma guerra assimétrica que está só começando.

Se a força dos democratas está no poder e nas elites, os republicanos contam com um candidato que não apenas faz um bom governo, acima de qualquer expectativa, como é ainda um excelente comunicador e alguém disposto a revidar quando atacado, ofendido, caluniado e que tem seu mandato, legitimamente conquistado nas urnas, questionado desde o primeiro dia por uma oposição cada vez mais radical e antidemocrática, num clima de guerra que lembra os momentos que antecederam a Guerra de Secessão, quando o Partido Democrata literalmente pegou em armas para impedir que o republicano Abraham Lincoln abolisse a escravidão.

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Com tantas peças ainda no tabuleiro, era de se esperar que o Partido Democrata usasse o “caucus” de Iowa, o primeiro estado na corrida pela escolha do adversário de Donald Trump na eleição de 3 de novembro desde ano. O que se viu, no entanto, foi mais que um constrangimento. Até o momento em que este texto foi escrito, nenhum resultado foi divulgado e a impressão de que há algo de errado que vai além de um problema técnico vai ganhando força.

As especulações não são apenas teorias conspiratórias. Em 2016, a vitória apertada de Hillary Clinton sobre Bernie Sanders levanta suspeitas até hoje, com direito a divulgação de emails internos do comitê nacional do partido que levaram à queda da Debbie Wasserman-Schultz, sua poderosa diretora. Os principais envolvidos sequer negam que houve favorecimento à Hillary Clinton, apenas tentam minimizar suas reais consequências.

Quando todo circo se arma novamente, quatro anos depois e no mesmo estado, o Partido Democrata protagoniza outro espetáculo vergonhoso e, aparentemente, para puxar o tapete do mesmo Bernie Sanders, o velho socialista que é popular entre os jovens radicais mas desprezado pelo establishment vendido aos lobbies e aos bilionários que preferem prepostos como os Clinton.

Com uma oposição como essa, Trump está cada vez mais perto do segundo mandato.

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