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Alberto Carlos Almeida Por Alberto Carlos Almeida Opinião política baseada em fatos

Impeachment mais distante de Bolsonaro

Bolsonaro viu o impeachment de Dilma como deputado, e tem instinto de sobrevivência no cargo. Ele tem medo

Por Alberto Carlos Almeida - Atualizado em 30 Jun 2020, 19h04 - Publicado em 30 Jun 2020, 18h39

Desde 2019 debate-se sobre o impeachment de Bolsonaro. Que seja considerado aqui o termo impeachment como uma designação genérica dada a qualquer tipo de deposição que venha a vitimar o atual presidente. É muito comum que seja afirmado que Bolsonaro não concluirá o mandato, ainda que não seja possível precisar de que forma ele será deposto, nem quando isso acontecerá. Quem pensa assim considera o conjunto da obra e a clara inadequação do eleito ao cargo que passou a ocupar.

Bolsonaro emite claros sinais de que tem instinto de sobrevivência, tem medo de ser deposto. Talvez isso aconteça por ter visto como deputado o impeachment de Dilma. Ele teve a oportunidade de acompanhar de perto o dia a dia dos acontecimentos, o efeito das manifestações, as dificuldades de diálogo entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo e tantos outros elementos que acabaram por contribuir para o fim antecipado do segundo mandato da primeira mulher que presidiu o Brasil.

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O Presidente da República deixou de apoiar as manifestações anti-democráticas dos domingos, não para mais no cercadinho do Alvorada para emitir declarações bombásticas, não defendeu Sara Winter nem qualquer apoiador seu que tenha sido preso ou sentido o braço forte da lei, não escolheu para substituto de Weintraub na pasta da Educação um novo seguidor de Olavo de Carvalho (e o próprio Olavo não se queixou disso), e além disso tudo ele abraçou o Centrão com entusiasmo.

Todas as ações de Bolsonaro nas últimas quatro semanas, antes da prisão de Queiroz, são na direção de não gerar mais crises. Ele vem buscando aceitar a força do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional (CN). O presidente sabe que pode sofrer impeachment pelo CN, pode ser afastado pelo STF para ser processado por crime comum, ou ainda sabe que a chapa formada com o General Mourão pode ser cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São muitas as suas vulnerabilidades. Ele sabe disso e tem medo. Aliás, há um sábio ditado popular, certamente familiar a Bolsonaro, que relaciona o medo com uma parte específica do corpo humano. Ele tem medo.

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O medo faz com que os seres humanos evitem o risco e busquem a segurança. Há hoje a tendência de que Bolsonaro permaneça neste caminho. Ademais, tudo que vem sendo dito sobre a criação do programa Renda Brasil, algum tipo de auxílio aos pobres maior que o Bolsa Família e mais permanente, mostra que ele pensa em legitimar a democracia disputando a sua reeleição em 2022. Tudo isso resulta em algo muito simples: a deposição de Bolsonaro vem ficando mais distante.

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