Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana
Alberto Carlos Almeida Por Alberto Carlos Almeida Opinião política baseada em fatos

Como Bolsonaro utiliza seu tempo de trabalho (sic)

O tempo de trabalho de Bolsonaro deveria não apenas ser longo, mas estar inteiramente voltado para as duas principais crises

Por Alberto Carlos Almeida 18 jun 2020, 11h43

Bolsonaro costuma sair do Palácio do Alvorada às 9 horas da manhã e volta em torno das 18 horas. É isso que se depreende de suas passagens diárias pelo cercadinho. Trata-se de um expediente curto para um Presidente da República, mas que certamente seria exaustivo para um deputado do baixo clero. Mais importante do que a quantidade de trabalho é a qualidade do que ele faz. Evidente que se faz besteira, o melhor é que só trabalhe uma hora por dia, ou até se abstenha de fazê-lo.

O Brasil passa por duas crises monumentais, a de saúde pública e a econômica. Na pandemia nos tornamos o segundo colocado em mortes e corremos o risco de ultrapassar os Estados Unidos. Somos também o segundo país em número de infectados. As perdas humanas são catastróficas, algo jamais visto no Brasil em um período tão curto. O trauma é generalizado, atinge ricos e pobres desigualmente, mas atinge a todos. A doença já teve sua pior fase nas capitais de estado e foi em direção ao interior, o descontrole é tão grande que ninguém sabe se retornará às capitais.

Na economia, guardadas as devidas proporções, a situação é igualmente grave. O comércio varejista despencou, a indústria parou, a fabricação de automóveis caiu 99% e as projeções para o PIB de 2020 já estão na casa de menos 8%. Ocorreu o impensável, houve recessão e deflação no último mês. O desalento, muito pior do que o desemprego, pois indica que as pessoas deixaram de procurar por vagas de trabalho, só faz aumentar.

O tempo de trabalho de Bolsonaro deveria não apenas ser longo, mas estar inteiramente voltado para as crises de saúde pública e econômica. Porém, Bolsonaro se dedica apenas à crise política que ele mesmo criou e ele mesmo alimenta. É lamentável ter de admitir que não temos, na prática, alguém que mereça ser chamado de presidente da república.

Continua após a publicidade
Publicidade