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Alberto Carlos Almeida Por Alberto Carlos Almeida Opinião política baseada em fatos

Bolsonaro afunda a imagem das forças armadas e das igrejas

Com a ajuda de ambas

Por Alberto Carlos Almeida - 15 Jun 2020, 22h46

O Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação realizou pesquisa de opinião nacional publicada no jornal Valor Econômico que detecta uma piora da imagem das Forças Armadas e das igrejas quando se comparam os anos de 2018, 2019 e 2020. O que ocorreu neste período foi o maior envolvimento destas instituições na política por meio do apoio ao Governo Bolsonaro. Como a imagem do governo piorou, ela puxou para baixo a imagem de quem está com ele.

Se é verdade que Bolsonaro é o responsável por essa piora, é igualmente verdade que as Forças Armadas e as igrejas têm a sua parcela de responsabilidade. Ambas entraram de peito aberto no governo. Vemos hoje, por exemplo, o Ministério da Saúde inteiramente militarizado em plena pandemia do coronavírus, e os números de mortos sobem diariamente ao ponto de o Brasil já ser o segundo colocado em óbitos dentre todas as nações. É impossível que a população não ligue os pontos: a imagem dos militares com o número de mortos por COVID.

Neste caso, o que não é bom para as Forças Armadas não é bom para o país. Exército, Marinha e Aeronáutica são parte do estado nacional e não de um governo específico. O Brasil levou décadas para retirá-los da política e fazê-los se adequar a suas funções típicas de estado. Temos agora um presidente sem partido, e que por isso não tem quadros confiáveis, de seu ponto de vista, para ocupar ministérios e cargos de primeiro escalão. Na ausência de pessoas egressas de um partido político, Bolsonaro transformou os militares em uma agremiação fornecedora de pessoal de governo, e eles aceitaram este papel.

Imagino que em tais circunstâncias muitos militares de alta patente já estejam preocupados com a sua imagem perante a sociedade. Fazem bem. Farão melhor se buscarem se afastar gradativamente do Governo Bolsonaro.

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