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Alberto Carlos Almeida Por Alberto Carlos Almeida Opinião política baseada em fatos

Arthur Lira é o 05, Ciro Nogueira é o 06 e Ricardo Barros é o 07

Parafraseando a Bíblia no caso de Bolsonaro: "Do Centrão viestes ao Centrão voltará"

Por Alberto Carlos Almeida - Atualizado em 1 set 2020, 11h47 - Publicado em 21 ago 2020, 15h00

O Governo Bolsonaro está ficando cada vez mais normal. O Bolsonaro de hoje não é o mesmo que existia no início da pandemia. O presidente se moderou bastante. Ele foi eleito criticando a “velha política” e afirmando que não faria aliança com o Centrão. De vez em quando circulam na internet declarações públicas antigas do General Heleno atacando este mesmo Centrão. Assim que começou a governar, nos primeiros meses de 2019, Bolsonaro foi à mídia atacar a velha forma de fazer política. O governo escolheu escolheu um líder na Câmara, o Major Victor Hugo, sem nenhuma experiência política, mas identificado com a mudança que o Presidente afirmava defender.

Ao mesmo tempo ele passou todo o ano de 2019 e também o início de 2020 prestigiando manifestações anti-democráticas e apoiando grupos autoritários. Todos se recordam de sua ida para a frente do quartel do exército em Brasília, seu sobrevoo de helicóptero sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) no mesmo instante em que manifestantes no solo faziam manifestações contra a Côrte, suas declarações de grande impacto contra as instituições, além de atos de seus apoiadores contra a democracia, como foi o caso dos fogos de artifício sobre o STF.

No antigo cenário bolsonarista os filhos e suas falas, tanto na mídia tradicional quanto em redes sociais, ocupavam o centro do palco. Eles já defenderam o AI-5, o fechamento do STF por um cabo e um soldado, disseram que uma ruptura institucional estava a caminho e fizeram muitas outras afirmações consideradas absurdas tanto pelo eleitor médio quanto por aqueles que tocam as instituições democráticas do país. Além disso tudo, Carlos Bolsonaro era uma figura importante da comunicação governamental. Afirmava-se que ele controlava o que saía nas redes sociais do governo. O fato é que ele era figura fácil em reuniões ministeriais ou do primeiro escalão, participando informalmente de várias delas.

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O presidente Bolsonaro de hoje é outro, como ficou claro pela manutenção do veto presidencial ao aumento de salários dos funcionários públicos, no qual o governo foi brindado com uma votação que aprovaria emenda constitucional, ele mudou da água para o vinho. Seus filhos desapareceram da mídia, ou melhor, só são notícia quando se trata de denúncias de ilegalidades. Além disso, Bolsonaro não sai mais aos domingos nem para andar a cavalo, nem para apoiar manifestações anti-democráticas. Aliás, aqueles que faziam tais manifestações estão sendo processados e já foram presos, e não estão sendo defendidos publicamente por Bolsonaro.

Mais importante, Bolsonaro começou a aceitar a lógica do presidencialismo de coalizão. A escolha do deputado Ricardo Barros como líder do governo na Câmara coroou a aproximação do presidente aos partidos do Centrão, e abriu caminho para que o seu governo venha a ser gradativamente ocupado por deputados deste grupo. Não será surpresa se o futuro Ministro da Saúde, passada a pandemia, for um político indicado por algum partido do Centrão. Lembremos que Ricardo Barros ocupou esta pasta no Governo Temer.

A crescente moderação do Governo Bolsonaro não apenas está ocorrendo, mas poderá se profundar na medida em que os meses forem se sucedendo. Estamos sim diante de um governo de direita, que tenta tomar algumas medidas radicais e novas para a padrões brasileiros, como é o caso de armar mais a população. Caberá aos opositores, se desejarem ser eficientes em seu papel, passar a considerar o governo mais normal do que anormal, mais moderado do que radical. A melhor maneira de fazer oposição é com os pés no chão e tendo uma visão realista e correta da grande inflexão feita por Bolsonaro, inflexão esta que veio para ficar.

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