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Alberto Carlos Almeida Por Alberto Carlos Almeida Opinião política baseada em fatos

2020: uma eleição normal, pois sem a influência da Lava Jato

A última vez que passamos pela experiência de uma eleição apenas com políticos e sem nenhum juiz ou procurador foi em 2010

Por Alberto Carlos Almeida Atualizado em 17 nov 2020, 11h37 - Publicado em 17 nov 2020, 11h16

A eleição municipal de 2020 está sendo louvada por todos como sendo civilizada. Não se veem falas irracionais, ataques raivosos, utilização de mentiras. O que se observa é o velho e bom debate sobre temas públicos, críticas baseadas em fatos, ausência de baixarias. Imagino que existam duas razões para isso.

A primeira tem a ver com o tradicional pragmatismo das eleições municipais. Nelas o que está em jogo são os serviços públicos que diariamente atendem ao eleitor: a pavimentação e iluminação de sua rua, o recolhimento do lixo, a atenção básica de saúde e o ensino das crianças. Em todas essas situações ou o serviço existe e é bem avaliado, ou ele é precário e deixa o eleitor insatisfeito. Neste caso o voto irá para a oposição. No município não estão em jogo concepções de justiça ou de boa sociedade, não está em debate se deve existir mais mercado e liberdade ou se deve haver mais estado e igualdade. Nenhuma concepção de sociedade está em jogo. Basta isso para que não haja nenhum debate delirante ou radicalizado. A eleição municipal força os políticos a serem pragmáticos e, consequentemente, civilizados.

O segundo motivo, este específico de 2020, é a ausência de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e da Lava Jato. Todos já tínhamos esquecido o que é um processo eleitoral sem a divulgação de delações fajutas na reta final, sem a prisão de candidatos favoritos, sem a divulgação ostensiva de depoimentos carentes de provas e coisas deste tipo. A eleição foi calma e civilizada porque não houve interferência judiciária, tudo ficou nas mãos dos políticos. A última vez que passamos por esta experiência foi em 2010, a eleição municipal de 2012, vale lembrar, ocorreu durante os capítulos finais do julgamento do Mensalão. De lá para cá todas as eleições ocorreram sob a influência da Lava Jato, de Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Não houve paz para os políticos e, consequentemente, inexistiu debate civilizado. A Lava Jato deu a matéria-prima para a mídia incendiar o debate. Funcionou.

Vale louvar a atual civilidade da campanha, mas vale igualmente sempre lembrar os motivos que levaram a isso.

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