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A insegurança de se viver no Facebook e como resguardar dados pessoais

A invasão de cerca de 50 milhões de perfis mostra mais uma vez como não se deve confiar na rede social de Mark Zuckerberg. Como se proteger?

Quando fui tentar abrir o aplicativo do Facebook no celular na última sexta (28), não foi possível. Deparei-me com o aviso de que havia sido desconectado. Tentei acessá-lo com minha senha, mas, por precaução, já havia ativado o sistema de autenticação de dois fatores, que exigia que o Facebook me enviasse um SMS com um código usado para entrar em meu perfil. O SMS não chegou. Recorri, então, à alternativa de entrar na conta pelo notebook, pelo qual já estava logado, e lá certificar o acesso via celular. Ao tentar atualizar o site no computador, no entanto, deparei-me com um novo aviso, de que tinha sido desconectado também por lá.

Minutos depois descubro que mais de 50 milhões de usuários (estimam em uns 90 milhões) haviam passado pelo problema. Tratava-se de uma medida paliativa do Facebook. Isso porque, naquela mesma semana, a empresa de Mark Zuckerberg tinha descoberto que hackers até agora não identificados invadiram a rede social e roubaram dados de 50 milhões de indivíduos. Como fui um dos desconectados, provavelmente estava entre esses atacados pelos criminosos virtuais.

Nisso, entrei em um leve pânico, típico desta era ultraconectada. Sem a possibilidade de resgatar minha conta, que havia protegido por todos os métodos disponibilizados pelo Facebook, não sabia se algum hacker a estava utilizando para fins escusos. A única forma de recuperar o perfil e aí finalmente poder acessá-lo era, descobri depois de muito vasculhar páginas de ajuda técnica da rede social, enviar a eles uma série de informações pessoais e até uma cópia de minha identidade, a minha carteira de motorista.

Sem saber se também esses dados, incluindo minha CNH, seriam roubados por hackers, mandei-os ao Facebook. Na noite de sexta-feira, recuperei meu perfil. Até agora não sei se ele foi invadido e, se sim, por quem e com qual objetivo.

Sempre fui paranoico com a segurança de meus dados online. Sigo as recomendações do Facebook de segurança. Além da citada autenticação de dois fatores, já tinha deixado meu perfil pessoal completamente privado e difícil de ser achado no Google ou no próprio Facebook por quem já não fosse parte de minha rede de contatos – em paralelo, tenho este perfil público, para me comunicar com leitores. Também sou avisado sempre que um dispositivo estranho, a exemplo de um novo celular, tenta acessar minha conta pela primeira vez. Dentre várias outras medidas de segurança que tomei.

Nada disso adiantou. Assim como não adiantou diante de quando uma consultoria política inglesa no mínimo duvidosa, a Cambridge Analytica, também capturou dados pessoais de dezenas de milhões de perfis, sem consentimento, para utilizá-los na tentativa de manipular as últimas eleições presidenciais estadunidenses, em favor de Donald Trump, e o resultado do plebiscito do Brexit na Inglaterra.

Se as ferramentas de segurança do próprio Facebook não servem para nos proteger na rotina online, como fazer? Ainda mais se considerarmos que, no fim, qualquer site, seja uma rede social ou um e-commerce, pode ter falhas exploráveis por hackers.

A dica principal é: use as redes sociais, em especial, apenas a seu favor. Se você armazenar nelas tão-somente aquilo que não vê receio de ser tornado público, não há problema caso haja vazamento. Digo mais. Pense em aplicar a mesma precaução a serviços de comunicação como o WhatsApp (em outras palavras, cuidado com os nudes!). Ou seja, se tem algo sigiloso a dizer, que faça pessoalmente.

Claro, também ajuda tomar medidas como as que adotei. A exemplo de ativar o sistema de autenticação de dois fatores. Só que faça isso já com a ciência de que não há garantia de que suas informações não acabarão na mão de hackers ou políticos.

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