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“Com as redes sociais, as pessoas falam mais de política. Só que de forma perecível”

No último sábado, 3, ocorreu em Curitiba a sexta edição do Social Mix, evento anual dedicado a debater as redes sociais. Em 2010, quando o empresário Sandro Rodrigues criou a iniciativa, as bolas da vez, no Brasil, eram o Orkut e os blogs. Hoje, os holofotes da internet se viraram para os youtubers, as celebridades […]

No último sábado, 3, ocorreu em Curitiba a sexta edição do Social Mix, evento anual dedicado a debater as redes sociais. Em 2010, quando o empresário Sandro Rodrigues criou a iniciativa, as bolas da vez, no Brasil, eram o Orkut e os blogs. Hoje, os holofotes da internet se viraram para os youtubers, as celebridades que nascem e crescem postando vídeos no YouTube. O que se refletiu no Curitiba Social Mix: no sábado, destacaram-se nas palestras figuras como PC Siqueira e Paulo Pirula, ambos youtubers.

Na entrevista abaixo – concedida à repórter Talissa Monteiro, da equipe de Tecnologia de VEJA, da qual sou editor –, Rodrigues comenta as transformações ocorridas nesses últimos seis anos.

O Curitiba Social Mix foi criado na época em que o que fazia sucesso eram os blogs e o Orkut. Hoje é o Snapchat, o Instagram e o Youtube. É possível se adaptar a mudanças tão rápidas? O evento nasceu para conversar com profissionais de mídia. Há seis anos, o pessoal trabalhava muito com blogs, ou tinha isso como um hobby. A maioria atuava em agências de publicidade por meio período e blogava no tempo livre. Mas aí começou essa coisa do marketing digital, de ganhar dinheiro com internet. Mas naquela época, e podemos chamar 2010 de “aquela época” porque muito mudou desde então, falávamos com um nicho muito específico. Tanto que o nome do nosso evento mudou de Curitiba Social Media para Curitiba Social Mix para mostrar que hoje há um mix de tribos na internet e não só blogueiros, especializados. Essa maior abrangência se reflete também no sucesso. Quando criamos, atraímos 200 pessoas. No último fim de semana, foram 2200. Para continuarmos a falar a língua do público, ficamos sempre atentos ao que acontece de um ano para o outro, ao que já passou e ao que pode se tornar conversa. A internet é muito cíclica. A piada é que 1 ano na rede equivale a 1 ano de vida de um cachorro.

Como a transição dos dispositivos fixos, do maior uso de PCs, para os móveis, como smartphones e tablets, se refletiu na relação das pessoas com as redes sociais e, logo, na organização de seu evento? Até 2011, as pessoas ainda levavam um notebook para o pavilhão. Para usá-lo, procuravam por algum lugar para sentar e poderem se conectar. Hoje, basta um smartphone na mão. Essa transformação se refletiu também nas palestras. Se antes era suficiente se sentar na plateia e ver o que era dito, hoje o público quer participar, pelo celular, pelas redes sociais, enviando perguntas etc. E ninguém quer mais interagir pelo microfone. Preferem mandar questões via Twitter.

Como o crescimento dos youtubers, as estrelas do último Curitiba Social Mix, impactou as redes sociais? A média de idade do nosso público, por exemplo, diminuiu. Essa “geração Kéfera”, que surgiu por aí entre 2011 e 2012, provou que é possível empreender desde cedo. Os fãs passaram a olhar para os novos ídolos e ver que também podiam chegar lá. E rápido. Os adolescentes de agora não enxergam mais a internet como um ambiente só de estudo e lazer. Eles querem trabalhar na internet. A plateia continua indo para o evento por diversão, mas também quer encontrar um youtuber para saber “o segredo” deles, como eles fizeram para enriquecer.

Será que essa de “ser youtuber” não é só mais uma moda passageira da internet? Não acredito nisso. Trata-se de um movimento que veio para ficar e, também, para transformar o conceito que se tem de celebridades. Mesmo que, digamos, eles, os youtubers, saiam do YouTube e migrem para outra plataforma. O que não mudará é essa tendência do audiovisual, de as pessoas serem diretoras delas mesmas, de publicar seus vídeos online e ficar famoso e ganhar dinheiro com isso.

Como assim “transformar o conceito que se tem de celebridades”? A forma de idolatrar um youtuber é bem diferente da de como vemos um ator da novela das 9. Não há mais uma ampla distância entre o famoso e o fã. E isso não acontece apenas com as celebridades nativas da internet, aliás. Mas com as que estão na TV, ou no cinema, e se veem obrigadas a se adaptar para manter e renovar o público. Hoje, a Fernanda Souza (atriz global), por exemplo, abre sua rotina para os fãs, via Snapchat, porque é isso que o público espera dela.

Você acha que o sucesso do YouTube, do Instagram e do Snapchat está relacionado às pessoas serem mais visuais, e tudo ser efêmero, hoje? O audiovisual é muito forte. Mas ainda há espaço para uma boa leitura. Acredito que todas as formas de conteúdo irão conviver de forma pacífica. Inclusive, nem tudo vai migrar para o digital e o para o audiovisual. O hábito de ler é uma terapia sem igual. Sempre será assim. O que muda é que as pessoas vão querer encontrar com um grande escritor e segui-lo nas redes sociais. Além de dar o autógrafo na fila do lançamento, o autor vai precisar registrar tudo, fazer snaps, tirar fotos… ou seja, as redes sociais interferirão, mesmo que indiretamente.

As relações nas redes sociais estão mais rápidas e instantâneas do que no tempo em que a moda eram os blogs? Ou é só impressão? Eu acho que há dois lados nessa questão. Sim, os debates eram mais profundos na época em que os blogs imperavam. Hoje, porém, mais gente pode publicar conteúdo online, por meio de redes sociais. É interessante ver como isso fez com que as pessoas passassem a fiscalizar, se interessar mais, e a debater política. Só que essa facilidade também deu luz a muitas opiniões perecíveis, jogadas na internet, mas que pouco valem. O que acaba por amplificar e dar cara de “polêmica” a qualquer assunto, com foi com a separação de Fátima Bernardes e William Bonner.

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