🔥 Mês do Cliente: Assine o Digital por R$ 5,99/mês e tenha conteúdo exclusivo na palma da sua mão!

Uma das maiores maravilhas naturais do mundo revela sua capacidade de se reinventar diante de desafios

Estudo mostra que a maior barreira de corais do planeta se adaptou com êxito às mudanças climáticas por milênios — e hoje encara seu teste mais duro

Por Lorenzo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 jul 2026, 08h00 | Atualizado em 20 jul 2026, 14h45
Uma das maiores maravilhas naturais do mundo revela sua capacidade de se reinventar diante de desafios Priorizar nos meus resultados Google

Em 11 de junho de 1770, o explorador britânico James Cook encalhou com seu célebre navio HMS Endeavour em um recife na costa leste da Austrália. Ele logo percebeu que a embarcação estava presa num labirinto sem fim de corais. “Completamente sem saber para qual rumo navegar”, escreveu ele em seus diários. Somente após semanas de tentativas desesperadas, o Endeavour finalmente encontrou uma brecha para escapar daquela impressionante formação marinha. Foi dessa forma dramática, após séculos sendo conhecida apenas pelas populações nativas do Pacífico, que a chamada Grande Barreira de Corais australiana acabou descoberta pelos europeus. Com 348 000 quilômetros quadrados, o equivalente ao tamanho do Japão, e idade estimada em 400 000 anos, essa formação natural é tão monumental que os astronautas conseguem enxergá-la na crosta terrestre quando estão no espaço.

A grandiosidade, porém, hoje vem acompanhada de consternação. Maior estrutura do mundo composta de uma miríade de organismos vivos, a Grande Barreira vem sofrendo nas últimas décadas com as mudanças climáticas e a ação do homem. Por isso, tornou-se um termômetro simbólico da fragilidade dos ecossistemas diante da devastação do planeta. Agora, no entanto, um novo e alentado estudo sobre sua história ancestral demonstra que essa estrutura já enfrentou outras provações existenciais no passado — e foi capaz de sobreviver e até de reinventar-se.

RIQUEZA - Detalhe da estrutura: refúgio marinho sob ameaça da ação humana
RIQUEZA - Detalhe da estrutura: refúgio marinho sob ameaça da ação humana (Toby Hudson/.)

Publicada há poucas semanas, a pesquisa do especialista em geociência marinha Jody Webster, da Universidade de Sydney, examinou como a mais extensa formação de corais do mundo conseguiu se adaptar a diversos episódios de vida e morte ao longo dos últimos 30 000 anos. O trabalho sintetiza toda a produção científica sobre a Grande Barreira resultante de um intensivo levantamento da região, o projeto Expedição 325, lançado em 2010 como parte do Programa Internacional de Perfuração Oceânica (IODP). A pesquisa, da qual Webster foi um dos mentores, consistiu na coleta de amostras das camadas profundas dos corais por meio de sondas, desvendando como se deu sua sucessão ecológica em eras passadas.

Continua após a publicidade

As descobertas são fascinantes. Do período próximo ao fim da última Era Glacial no planeta até os dias de hoje, cinco fases apontam as crises e renascimentos da Grande Barreira. As duas primeiras, há mais de 20 000 anos, foram marcadas pela contínua diminuição dos níveis do mar, fator que expôs os corais ao ar e resultou em sua morte. A partir do fim do período glacial, a situação se inverteu, e um contínuo aumento do nível marítimo, aliado ao rápido crescimento de sedimentos, fez com que parte da Grande Barreira se “afogasse”. O fenômeno foi responsável por outras duas agonias do ecossistema — a última delas, há cerca de 10 000 anos. Apesar disso, o conjunto de recifes ressurgiu com exuberância no decorrer de milhares de anos até chegar ao momento atual, em que a barreira passa por seu quinto e mais recente teste de sobrevivência — um processo de deterioração que se iniciou há 200 anos e que se acelerou nas últimas décadas.

PESQUISA - Fóssil retirado de camadas antigas da barreira da Oceania: alta resiliência
PESQUISA – Fóssil retirado de camadas antigas da barreira da Oceania: alta resiliência (ESO/IODP/.)
Continua após a publicidade

Se por milênios seu alto dinamismo e eficiência permitiram que a Grande Barreira evoluísse e se movimentasse a depender do avanço ou recuo do nível do mar, superando ainda desafios climáticos, agora ela enfrenta um fator mais insidioso: os efeitos da ação humana sobre o planeta. Eventos como o aquecimento global e a poluição dos oceanos impõem um desafio superior a todos que essa maravilha do mundo natural já encarou em sua longa história na Terra.

De acordo com Webster, as ameaças atuais à Grande Barreira e outros recifes de coral são “profundamente preocupantes”. O pesquisador explica que, apesar das habilidades de adaptação em resposta às alterações no ambiente, o principal problema agora é o ritmo da mudança. “A barreira teve aquecimento significativo após a Era do Gelo, mas que ocorreu ao longo de 10 000 anos, enquanto agora temos um aquecimento de quase 1 grau no planeta em meros 100 anos”, diz ele. O principal sintoma de alerta é o mal conhecido como branqueamento dos corais, processo que causa a perda de algas microscópicas que ajudam na captura de nutrientes, tornando-os mais suscetíveis à morte. Um estudo de 2025 revelou que 76% dos corais foram atingidos pelo branqueamento, agravado por fenômenos como o El Niño — cada vez mais comum e que neste ano deve vir com força. O que está em jogo não é pouca coisa: embora os recifes de coral ocupem menos de 1% da superfície do planeta, são de suma importância para a vida de quase um quarto de todos os animais marinhos. Até mesmo a grande heroína da resistência já pede socorro.

Continua após a publicidade

Publicado em VEJA de 17 de julho de 2026, edição nº 3004

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).