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Projeto na Amazônia incentiva agrofloresta de cacau e pecuária no Pará

Primeiros resultados após a implementação de novas práticas levaram a um aumento de cerca de 30% na renda dos produtores

Por Jennifer Ann Thomas Atualizado em 5 set 2021, 08h45 - Publicado em 5 set 2021, 12h00

Para combater o desmatamento na Amazônia, prática normalmente associada a atividades criminosas, como exploração ilegal de madeira e grilagem de terras, um dos principais desafios é implementar sistemas produtivos que gerem renda para as comunidades locais.

Na região do arco do desmatamento, nos municípios de Novo Repartimento, Anapu, Pacajá e Altamira, todos no Pará, o projeto RestaurAmazônia, implementado pela Fundação Solidaridad, tem o objetivo de demonstrar na prática que é possível aliar a conservação e a produção na Amazônia.

De acordo com o diretor da Fundação Solidaridad, Rodrigo Castro, o trabalho começa pela lógica de apresentar alternativas e dialogar com os produtores. “Todo o projeto é por adesão voluntária. Os produtores aderem porque acham interessante o que nós temos a oferecer no que diz respeito a conhecimento e tecnologia”, disse.

No primeiro momento, a Fundação começou a testar um modelo com 230 famílias para conciliar a restauração produtiva de áreas degradadas com agroflorestas de cacau, intensificar a pecuária na agricultura familiar e implementar um modelo de assistência técnica na atividade rural para acelerar a transição para uma produção mais sustentável.

Os primeiros resultados foram bastante animadores: nas áreas do projeto, a emissão de carbono foi reduzida em 50% e a renda média familiar dos produtores aumentou em 32%. Agora, com a estruturação do RestaurAmazônia, o objetivo é atender 1.500 pequenas propriedades e implementar sistemas agroflorestais que integram pecuária, agricultura e floresta.

Os objetivos são aumentar a produtividade da pecuária de cria em 22%, de cacau em 40%, preservar mais de 20.000 hectares de floresta e aumentar a renda dos produtores familiares em 30%.  

“Queremos mostrar que a agricultura familiar pode ser eficiente, sustentável e dar a sua contribuição para ser parte da solução para a crise climática e para a conservação da Amazônia. O pequeno produtor é parte da solução”, disse Castro. Um exemplo é o caso do produtor de cacau João Evangelista, que teve suas amêndoas selecionadas pelo Programa Cacau de Excelência entre as oito melhores do Brasil.

Com o reconhecimento, ele concorreu para se classificar entre as 50 melhores de todo o mundo no Prêmio Internacional de Cacau promovido durante o Salão do Chocolate de Paris. “Essa experiência resume e sintetiza a nossa razão de ser. Trabalhamos com dignidade e com a valorização do ser humano, em busca do reconhecimento do valor da agricultura familiar para combater as mudanças climáticas”, afirmou Castro.

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