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Pressão dos EUA faz Banco Mundial abandonar metas climáticas

Instituição retira objetivo que destinava 45% dos empréstimos a projetos ligados ao clima após pressão do governo de Donald Trump

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jun 2026, 13h28 | Atualizado em 30 jun 2026, 13h37
Pressão dos EUA faz Banco Mundial abandonar metas climáticas Priorizar nos meus resultados Google

O Banco Mundial eliminou sua principal meta de financiamento climático após meses de pressão do governo dos Estados Unidos, em uma decisão que representa uma das maiores mudanças na política ambiental da instituição desde que o combate às mudanças climáticas passou a integrar sua estratégia de desenvolvimento.

Embora o banco tenha decidido manter seu plano de ação climática, deixará de perseguir a meta que previa direcionar 45% de seus financiamentos para projetos com benefícios ambientais, como energia limpa, adaptação às mudanças climáticas e infraestrutura resiliente.

A mudança ocorre em meio à ofensiva do governo de Donald Trump contra políticas climáticas internacionais e reforça a influência dos Estados Unidos, maior acionista da instituição.

Mudança reflete nova posição de Washington

A retirada da meta ocorre poucos meses depois de Trump anunciar novamente a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e intensificar críticas às políticas voltadas para a transição energética.

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O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, vinha defendendo o abandono da meta, sob o argumento de que objetivos específicos para o clima reduziam a eficiência do Banco Mundial e desviavam a instituição de sua missão principal de promover o desenvolvimento econômico.

Como os Estados Unidos detêm a maior participação acionária e poder de veto nas principais decisões do banco, sua posição teve peso decisivo nas negociações.

Meta havia sido superada

A decisão chama atenção porque o próprio Banco Mundial vinha ampliando seus desembolsos para projetos relacionados ao clima.

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No último ano fiscal, cerca de 48% dos financiamentos da instituição tiveram benefícios climáticos, acima da meta oficial de 45%.

Segundo o banco, a estratégia climática continuará existindo, mas os projetos passarão a ser definidos prioritariamente pelas demandas apresentadas pelos países clientes, sem um percentual obrigatório de recursos destinado ao tema.

A instituição afirma que pretende concentrar esforços em medir os resultados obtidos pelos investimentos, e não apenas o volume de recursos aplicado.

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Países em desenvolvimento tentaram preservar objetivo

Durante as negociações, países europeus e diversas economias emergentes defenderam a manutenção da meta, argumentando que desenvolvimento econômico e adaptação às mudanças climáticas estão cada vez mais interligados.

Para muitos países de baixa e média renda, investimentos em energia, agricultura, infraestrutura hídrica e prevenção de desastres dependem diretamente de linhas de financiamento voltadas ao clima.

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Nos últimos anos, o Banco Mundial tornou-se uma das principais fontes multilaterais de recursos para projetos de adaptação e redução de emissões.

Financiamento climático ganha importância

A decisão também ocorre em um momento em que organismos internacionais alertam para o aumento da necessidade de investimentos.

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Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas, países em desenvolvimento precisarão de centenas de bilhões de dólares anuais para adaptar suas economias aos efeitos do aquecimento do planeta e acelerar a transição para fontes de energia de menor emissão.

Durante a COP29, bancos multilaterais de desenvolvimento se comprometeram a ampliar significativamente o financiamento climático até o fim da década, compromisso que agora passa a conviver com maior incerteza sobre o papel do Banco Mundial.

Decisão pode alterar fluxo de recursos

Especialistas avaliam que a retirada da meta não significa necessariamente uma redução imediata dos financiamentos verdes, já que o Banco Mundial continua financiando projetos climáticos e vinha superando o objetivo anterior.

Mesmo assim, o abandono do indicador é visto como um importante sinal político. Caso a instituição reduza sua atuação nessa área, países doadores poderão direcionar parte de seus recursos para outros bancos multilaterais, como o Banco Europeu de Investimento ou o Banco Asiático de Desenvolvimento.

Para analistas, a decisão evidencia como a mudança de posição dos Estados Unidos sob o governo Trump já começa a influenciar instituições financeiras internacionais e pode remodelar o financiamento climático nos próximos anos.

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