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Por que está tão quente na Europa – e quais são os perigos disso?

As mudanças climáticas têm um papel claro em tornar as ondas de calor mais intensas – e muito mais comuns

Por Amanda Péchy Atualizado em 16 jul 2022, 00h31 - Publicado em 11 jul 2022, 17h01

O Reino Unido, a Espanha, Itália e Portugal são apenas alguns dos países da Europa que estão sofrendo com ondas de calor históricas. Diversas regiões italianas no norte do país já declararam estado de emergência devido a uma seca intensa, enquanto temperaturas acima dos 40ºC – mais comuns no Rio de Janeiro, por exemplo – tornam-se a regra, não a exceção, para nações europeias.

Uma coisa é clara: as mudanças climáticas têm um papel óbvio na intensificação das temperaturas extremas.

Por que está tão quente na Europa?

Um sistema de alta pressão chamado anti-ciclone dos Açores, que geralmente concentra-se na Espanha, cresceu e avançou mais para o norte, trazendo altas temperaturas para o Reino Unido, França e Península Ibérica. O Reino Unido deve esfriar um pouco no meio da semana, à medida que um ar mais frio desce do norte, embora o sul da Inglaterra ainda tenha temperaturas na casa dos 20 graus.

Depois disso, espera-se que os ventos se voltem para o sul, trazendo ar quente do norte da África e do Saara. No final da semana, as temperaturas chegarão aos 45ºC em toda a França e Espanha. Longos dias de julho e noites curtas também significam que o sol forte acumula altas temperaturas, com o clima noturno acima de 20°C no centro da Inglaterra.

Cientistas estão certos de que o aquecimento global, provocado pela atividade industrial e emissões de gases do efeito estufa, está tornando cada onda de calor mais intensa e mais provável. As mudanças climáticas transformam o que antes seria um calor excepcional em condições frequentes. Cada onda de calor que ocorre hoje foi intensificada pela queima de combustíveis fósseis do passado, especialmente das últimas décadas.

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A Europa vai esquentar ainda mais?

No Reino Unido, há uma forte chance do dia mais quente do ano até agora ocorrer nesta semana, superando os 32,7°C registrados em Heathrow em 17 de junho. Há também uma chance de que o recorde histórico do país possa ser batido – que é o 38,7ºC, registrado no Jardim Botânico da Universidade de Cambridge em julho de 2019.

Temperaturas escaldantes acima de 40°C continuarão na Europa continental ocidental. O governo português declarou estado de alerta de oito dias na sexta-feira 8, devido ao alto risco de incêndios florestais. A Europa como um todo acaba de passar pelo seu segundo junho mais quente já registrado, cerca de 1,6°C acima da média, com temperaturas extremas registradas na Espanha, França e Itália.

Quais são os perigos das altas temperaturas?

Para os humanos, insolação e desidratação são os principais risco, particularmente entre crianças e idosos. A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido emitiu um alerta de nível 3 na sexta-feira para o sul e leste da Inglaterra e um alerta de nível 2 para as regiões sudoeste, Midlands, noroeste e Yorkshire e Humber, que estão em vigor por uma semana.

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As medidas mais recomendadas incluem fechar as cortinas para manter os quartos frescos, evitar o esforço físico nas horas mais quentes do dia e beber muita água.

As ondas de calor podem ser, inclusive, mortais. Em 2020, só no Reino Unido, mais de 2.500 pessoas morreram por causa de dias quentes.

As ondas de calor também podem ter um impacto significativo na saúde mental, especialmente devido a distúrbios na hora do sono. Segundo pesquisadores da Universidade de Oxford, para cada 1°C de aumento na temperatura média mensal, as taxas de suicídio aumentam de 1 a 2%.

As ondas de calor vão piorar no futuro?

Sim, até que a crise climática seja controlada. Espera-se que, até 2050, Londres se pareça com Barcelona, por exemplo, com temperaturas de 40°C pela primeira vez na história.

Qual é a influência da crise climática nas altas temperaturas?

As ondas de calor são causadas por padrões climáticos que produzem alta pressão persistente, condições sem nuvens e ventos continentais secos durante o verão. As mudanças climáticas estão aumentando as temperaturas porque gases de efeito estufa esquentam a atmosfera, o que seca o solo. Sem água para evaporar, mais energia do sol fica disponível para aquecer ainda mais o solo.

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O aquecimento global vem elevando temperaturas extremas há algum tempo. Em algumas partes do sudeste da Inglaterra, os dias mais quentes do ano já aumentaram 1°C a cada década entre 1960 e 2019. Essa mudança seria altamente improvável ​​em um clima “natural”.

A atividade humana está adicionando mais gases de efeito estufa à atmosfera a cada ano e o efeito de retenção de calor disso só se estabilizará quando o mundo atingir a meta de zerar as emissões líquidas de carbono.

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