🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!

Pantanal perdeu uma Suíça em área alagada nos últimos 40 anos

Estudo do MapBiomas aponta que savanas alagadas encolheram 84%, colocando o bioma em estado de fragilidade

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 ago 2026, 09h00
Pantanal perdeu uma Suíça em área alagada nos últimos 40 anos Priorizar nos meus resultados Google

A mais nova radiografia do MapBiomas, rede multi-institucional que mapeia a cobertura e o uso do Brasil, divulgada nesta quarta-feira, 12, revela a situação de emergência que o Pantanal enfrenta. Nos últimos 40 anos, o bioma perdeu o equivalente a uma Suíça em superfícies de água e campos alagados. A savana alagada — formada por árvores esparsas entre vegetação arbustiva e herbácea nas planícies de inundação e ao longo dos cursos d’água — encolheu 84%. Sua extensão despencou de 1,1 milhão de hectares para apenas 174 mil.

A dimensão do problema vai além da perda de habitat para uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta. O Pantanal existe em função do chamado pulso de inundação: a alternância entre períodos de cheia e seca reorganiza nutrientes, alimenta rios, lagoas e áreas úmidas e sustenta cadeias inteiras de animais e plantas. Quando áreas que permaneciam inundadas ou sazonalmente alagadas passam mais tempo secas, modifica-se a própria engrenagem ecológica do bioma.

A perda de água também deixa a vegetação mais suscetível ao fogo. E incêndios mais intensos degradam ainda mais a cobertura vegetal e o solo, dificultando a retenção de água e a recuperação do ecossistema. O risco é a formação de outro círculo vicioso: menos água favorece incêndios; o fogo degrada a vegetação; e a degradação reduz a capacidade da paisagem de enfrentar os períodos secos.

Continua após a publicidade

As consequências não ficam restritas ao Pantanal. O bioma integra a Bacia do Alto Paraguai, um sistema hídrico conectado a uma extensa região da América do Sul. Áreas úmidas funcionam como grandes reguladoras da água: armazenam parte do volume recebido nas cheias e o liberam gradualmente, além de reter carbono e sustentar biodiversidade e atividades econômicas. Sua deterioração repercute sobre pesca, pecuária, turismo e disponibilidade de água e acrescenta pressão a um país que já enfrenta eventos climáticos mais extremos.

Continua após a publicidade

A nova fotografia do território brasileiro traz, portanto, uma aparente contradição. O país conseguiu reduzir significativamente o ritmo recente de desmatamento, mostrando que a trajetória pode ser alterada. Mas chega a esse momento depois de transformar profundamente uma parcela enorme de sua superfície. Os 136 milhões de hectares de vegetação nativa convertidos em agropecuária desde 1985 mostram que o desafio agora é duplo: impedir que novas áreas sejam perdidas e recuperar parte da capacidade de funcionamento das paisagens já modificadas. Frear a transformação é o primeiro passo. Quatro décadas de mudanças mostram por que, diante de um clima cada vez mais extremo, talvez já não seja suficiente apenas parar de perder: é preciso recuperar.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).