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Pacífico entra em patamar de ‘Super El Niño’ meses antes do esperado e acende alerta para evento histórico

Fenômeno avança mais cedo que o esperado e pode ampliar o risco de chuvas extremas no Brasil

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jul 2026, 12h12 | Atualizado em 13 jul 2026, 15h43
Pacífico entra em patamar de ‘Super El Niño’ meses antes do esperado e acende alerta para evento histórico Priorizar nos meus resultados Google

As águas do Oceano Pacífico Equatorial atingiram um nível de aquecimento compatível com um Super El Niño meses antes do que ocorreu nos maiores episódios já registrados, segundo análise da MetSul Meteorologia com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

O comportamento incomum reforça a expectativa de que o fenômeno de 2026-2027 esteja entre os mais intensos da era moderna.

O principal indicador utilizado para monitorar o fenômeno, o Índice Oceânico Niño (ONI), alcançou anomalia de +2,0°C na região Niño 3.4, faixa do Pacífico Equatorial Centro-Leste usada internacionalmente para classificar episódios de El Niño e La Niña.

Super El Niño: o que você precisa saber

Esse é o limite adotado para caracterizar um evento de intensidade muito forte, conhecido informalmente como Super El Niño.

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O dado chama atenção não apenas pelo valor, mas pelo momento em que foi registrado.

Nos grandes eventos de 1982-1983, 1997-1998, 2015-2016 e 2023-2024, esse patamar só foi alcançado entre setembro e novembro. Neste ano, a marca foi atingida ainda em julho, algo sem precedentes na série histórica do índice.

Para meteorologistas, esse comportamento indica que o aquecimento do Pacífico está evoluindo de forma muito mais acelerada do que em episódios anteriores.

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NOAA adota novo indicador

Embora o ONI continue sendo a principal referência internacional, a NOAA passou a utilizar neste ano um novo parâmetro complementar, chamado Índice Oceânico Niño Relativo (rONI).

A mudança busca reduzir a influência do aquecimento global sobre as medições. Como a temperatura média dos oceanos aumentou nas últimas décadas, parte da anomalia registrada pelo ONI pode refletir essa tendência de longo prazo, e não apenas o desenvolvimento do El Niño.

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Enquanto o ONI aponta atualmente aquecimento de +2,0°C, o rONI registra cerca de +1,3°C para a mesma região do Pacífico. Mesmo assim, a NOAA estima 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade de Super El Niño ao longo dos próximos meses.

Modelos climáticos projetam um dos eventos mais intensos já observados

Segundo levantamento da MetSul, praticamente todos os principais modelos climáticos utilizados mundialmente convergem para um cenário de fortalecimento contínuo do fenômeno até o fim do ano.

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As projeções de instituições como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o Met Office britânico, o Bureau de Meteorologia da Austrália (BoM) e outros centros internacionais indicam que o pico de aquecimento poderá superar os registrados durante os históricos eventos de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.

Há diferenças entre os modelos sobre a intensidade exata do aquecimento, mas o consenso é de que o episódio atual poderá figurar entre os mais fortes já observados.

O que muda no Brasil

A intensificação do El Niño costuma alterar os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta, mas seus efeitos variam de um evento para outro.

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De acordo com a MetSul, os impactos no Brasil devem ganhar força ao longo do segundo semestre, especialmente entre o fim do inverno e a primavera.

A previsão aponta maior risco de:

Aumento das chuvas no Sul do país;

Episódios mais frequentes de temporais, granizo e vendavais;

elevação do risco de cheias de rios e enchentes, principalmente em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Os meteorologistas ressaltam, porém, que não é possível afirmar desde já que haverá uma repetição das enchentes históricas registradas no Rio Grande do Sul em 2024.

Eventos extremos dependem da combinação de diversos fatores atmosféricos que só podem ser avaliados com maior precisão em previsões de curto prazo.

Especialistas destacam que, embora o El Niño aumente a probabilidade de condições favoráveis para chuvas acima da média no Sul do Brasil, a ocorrência e a intensidade de desastres naturais dependem da evolução das condições meteorológicas ao longo dos próximos meses.

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