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Os novos riscos enfrentados pela biodiversidade dos mares

Avanço do aquecimento global, poluição por lixo nas áreas costeiras e vazamentos de petróleo de navios e plataformas estão entre os vilões

Por Jennifer Ann Thomas Atualizado em 20 out 2021, 16h02 - Publicado em 22 out 2021, 06h00

O relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), entidade que envolve 234 cientistas de 66 países, divulgado em agosto deste ano, revelou que os oceanos absorveram 91% do calor na atmosfera causado por gases de efeito estufa. Tal fenômeno impacta diretamente no aumento da temperatura das águas marinhas e acrescenta uma nova ameaça à já dramática situação dos mares do planeta, vitimados por poluição e exploração predatória dos recursos biológicos. Estima-se que a temperatura média global da superfície do mar tenha aumentado cerca de 0,13 grau por década nos últimos 100 anos.

Como consequência, os recifes de corais, estruturas que cobrem apenas 0,2% do fundo do mar mas abrigam 25% das espécies marinhas, são diretamente afetados. De acordo com um estudo feito pela Rede Global de Monitoramento de Recifes de Coral (GCRMN), com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), de 2009 a 2018, o mundo perdeu 14% de seus corais devido ao aumento da temperatura da superfície do mar: a área é maior do que todo o coral vivo na Austrália. Para a diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, a COP26, conferência climática que será realizada em Glasgow, será uma oportunidade para salvar os recifes de coral. “Estamos ficando sem tempo. Podemos reverter as perdas, mas temos de agir agora”, disse.

POLUIÇÃO - Cavalo-marinho com máscara descartável: 11 milhões de toneladas de lixo plástico lançadas no mar -
POLUIÇÃO - Cavalo-marinho com máscara descartável: 11 milhões de toneladas de lixo plástico lançadas no mar – Nicholas Samaras/.

Além de penar com calor ameaçador, a vida marinha tem sofrido com a poluição e os contínuos vazamentos de petróleo de navios, oleodutos ou plataformas. Um exemplo claro sobre as consequências para a população e os oceanos é o vazamento de petróleo no Oceano Pacífico, que atingiu em cheio o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, um mês antes do início da COP26. Cerca de 3 000 barris de petróleo bruto vazaram de dutos de transporte diretamente no mar. Em uma das áreas mais afetadas, a cidade de Huntington Beach, a cerca de 65 quilômetros de Los Angeles, a prefeita Kim Carr classificou o incidente como uma “catástrofe ambiental” e afirmou que esse é um “desastre ecológico em potencial”. A situação americana ressoa na memória recente dos traumas brasileiros. Em 2019, um vazamento de óleo atingiu todo o litoral do Nordeste e partes do Sudeste do Brasil. Estima-se que 5 000 toneladas tenham sido removidas das praias — até hoje não se sabe quem foi o responsável pela tragédia.

À negligência da indústria petrolífera soma-se a poluição que é gerada no continente e que chega ao litoral para contaminar o meio ambiente. Anualmente, cerca de 11 milhões de toneladas de resíduos plásticos são despejadas nos mares. A contaminação prejudica tanto os animais, que ingerem minúsculas partículas, quanto a população, que se alimenta de peixes e frutos do mar.

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