Os efeitos extremos do El Niño no início de outubro, no Brasil
Fenômeno climático eleva médias térmicas no Norte e Centro-Oeste, enquanto chuvas frequentes provocam alívio temporário de temperatura no Centro-Sul
O fenômeno El Niño atinge a classificação de “muito forte” na primavera de 2026, com 98% de probabilidade de manutenção desse patamar, provocando alterações significativas no padrão de temperaturas de todo o Brasil a partir deste início de outubro. De acordo com os prognósticos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Climatempo, a principal marca do El Niño no mês será o aumento geral do calor e a elevação das médias térmicas na maior parte do território nacional, com risco aumentado para ondas de calor na segunda quinzena. No entanto, os primeiros dias do mês registram um forte contraste térmico, no qual a chegada de uma frente fria associada a um ciclone extratropical gera quedas acentuadas de temperatura nas regiões Sul e Sudeste.
Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a influência do El Niño impulsiona marcas de calor acima da média histórica. No Centro-Oeste, a previsão aponta para desvios térmicos que podem superar os 2 °C acima da média de outubro, com registros frequentes iguais ou superiores a 40 °C em estados como Mato Grosso e Goiás. No Nordeste e na Amazônia, o aquecimento constante e a redução das chuvas previstos pelo fenômeno mantêm as temperaturas máximas elevadas, superando em até 2 °C as normais climatológicas em áreas do Maranhão, Paraíba e do centro da Bahia.
Em contrapartida, as áreas mais ao sul do país experimentam dinâmicas térmicas opostas neste começo de mês. O avanço de uma massa de ar frio logo nos primeiros dias de outubro provoca declínio brusco nas temperaturas em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, com mínimas atingindo marcas em torno de 5 °C nas áreas de serras gaúchas e catarinenses. Em capitais como São Paulo e Curitiba, as máximas não ultrapassam os 16 °C e 17 °C no fim de semana.
Apesar do frio pontual trazido pela frente fria, o El Niño também atua estimulando o excesso de nebulosidade e episódios frequentes de tempestades na Região Sul e em estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul. Essa maior presença de nuvens e chuva manterá as médias térmicas mensais dentro ou ligeiramente abaixo do normal nessas áreas específicas do centro-sul ao longo de outubro. Especialistas reforçam que o forte contraste entre o ar quente sustentado pelo El Niño e a passagem de frentes frias favorece a formação rápida de tempestades severas ao longo de toda a primavera.





