Onda de calor histórica deixa mais de 1.300 mortos na Europa
OMS relaciona mortes às temperaturas extremas; Alemanha, Polônia e República Tcheca registram recordes históricos
A onda de calor que atinge a Europa desde o fim de junho já provocou mais de 1.300 mortes associadas às altas temperaturas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O fenômeno, que continua avançando em direção ao leste do continente, levou diversos países a decretar medidas de emergência após sucessivos recordes de temperatura.
Em publicação nas redes sociais, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o calor extremo se tornou um dos principais riscos à saúde pública na região.
Segundo ele, o continente enfrenta uma combinação de mortes, sobrecarga nos serviços de saúde, fechamento de escolas e pressão sobre a infraestrutura elétrica.
“Estresse térmico é um assassino silencioso”, escreveu Tedros. “Casas, escolas e locais de trabalho na Europa não foram projetados para essas temperaturas.”
França concentra maior número de vítimas
A França é, até agora, o país com maior impacto humano.
O Ministério da Saúde informou que cerca de mil mortes acima do esperado foram registradas desde o início da onda de calor. A maior parte das vítimas tinha mais de 65 anos.
As autoridades também observaram aumento de 40% nas mortes ocorridas dentro das residências, um indicativo de que muitos idosos não conseguiram enfrentar as temperaturas extremas mesmo sem sair de casa.
Outro efeito indireto do calor aparece nas áreas de lazer. Desde o início da onda de calor, ao menos 74 pessoas morreram afogadas no país, a maioria em rios, lagos e outros locais sem supervisão.
Temperaturas quebram recordes históricos
Enquanto os impactos na saúde aumentam, vários países registram as maiores temperaturas de sua história.
A Alemanha atingiu 41,7°C, novo recorde nacional, em uma estação meteorológica próxima à fronteira com a Polônia. Foi o terceiro dia consecutivo em que o país bateu sua máxima histórica.
Na Polônia, os termômetros chegaram a 40,5°C, também um recorde nacional.
Já a República Tcheca registrou 41,1°C na cidade de Doksany, estabelecendo o segundo recorde em apenas dois dias.
Meteorologistas alertam que as temperaturas devem permanecer elevadas em boa parte da Europa Central antes da chegada de frentes frias previstas para o início da semana.
Países reforçam restrições
Governos locais adotaram medidas excepcionais para reduzir os riscos à população.
Na França, Paris proibiu temporariamente o consumo de bebidas alcoólicas em áreas públicas e cancelou a tradicional Parada do Orgulho LGBTQIA+ para evitar sobrecarga dos serviços de emergência.
Na Holanda, o festival de música Defqon.1 foi cancelado após a emissão inédita de alerta vermelho para calor extremo.
Em diversas cidades europeias, escolas suspenderam aulas, parques alteraram horários de funcionamento e autoridades ampliaram campanhas para orientar a população sobre hidratação e exposição ao sol.
Mudanças climáticas tornam eventos extremos mais frequentes
A OMS atribui a intensidade da atual onda de calor às mudanças climáticas.
Segundo Tedros, a Europa é hoje o continente que aquece mais rapidamente no planeta, com aumento da temperatura aproximadamente duas vezes superior à média mundial.
Esse cenário faz com que episódios antes considerados excepcionais passem a ocorrer com frequência crescente.
“O que antes era uma onda de calor de uma geração agora acontece praticamente todos os anos”, afirmou o diretor da OMS.
Especialistas explicam que a atual onda de calor foi intensificada pelo chamado domo de calor, fenômeno atmosférico em que uma área de alta pressão aprisiona o ar quente próximo à superfície. O ar comprimido aquece ainda mais, dificulta a formação de nuvens e favorece dias consecutivos de temperaturas extremas.
Continente pouco preparado
Embora episódios de calor intenso sejam cada vez mais frequentes, especialistas afirmam que grande parte da infraestrutura europeia continua adaptada para enfrentar invernos rigorosos, e não verões extremos.
A baixa presença de sistemas de ar-condicionado em residências, escolas e prédios públicos aumenta a exposição da população, especialmente entre idosos, grupo mais vulnerável ao estresse térmico.
Diante da sucessão de ondas de calor nos últimos anos, a OMS voltou a defender que governos europeus adotem planos permanentes de resposta ao calor extremo, incluindo sistemas de alerta, adaptação das cidades e medidas específicas para proteger grupos de risco.







