Oceanos registram o julho mais quente da história
O alerta vem do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, e reforça a preocupação com a intensificação dos eventos extremos
Em julho, os oceanos atingiram a temperatura mais alta já aferida para a época. A constatação é do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, uma das principais referências mundiais no monitoramento do clima. De acordo com o levantamento, a temperatura média da superfície dos oceanos fora das regiões polares supera o recorde anterior, estabelecido em 2023. O dado reforça um cenário que vem se tornando cada vez mais evidente: o aquecimento do planeta intensifica os extremos climáticos. Enquanto a Europa enfrenta uma sequência excepcional de calor, seca e incêndios, o Rio Grande do Sul sofre há dois meses com episódios recorrentes de chuva intensa.
O contraste ajuda a mostrar uma das faces mais evidentes do aquecimento global. Um planeta mais quente não significa que todos os lugares enfrentarão apenas temperaturas mais elevadas, mas que o sistema climático dispõe de mais energia e umidade, criando condições para extremos mais intensos. Oceanos aquecidos aumentam a evaporação e a quantidade de vapor d’água disponível na atmosfera; em outras regiões, calor persistente acelera a perda de umidade dos solos e da vegetação, agravando secas e favorecendo incêndios.
Na Europa Ocidental, os últimos dois meses formaram o início de verão mais quente já registrado. A temperatura média chegou a 21,62°C, ou 2,79°C acima do usual, superando o recorde anterior de 2022. Ondas de calor sucessivas desde maio, combinadas à seca, deixaram extensas áreas do continente vulneráveis ao fogo.
No Rio Grande do Sul, o sinal é inverso. O estado vem enfrentando sucessivos episódios de chuva volumosa, em um momento em que o El Niño já interfere na circulação atmosférica do planeta. O fenômeno, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, costuma favorecer precipitações acima da média no Sul do Brasil.
O agravante é que o El Niño ainda está em processo de intensificação. As águas excepcionalmente quentes do Pacífico já aparecem entre as responsáveis pelo recorde global dos oceanos, mas as projeções indicam que o fenômeno deverá ganhar força nos próximos meses.
O El Niño, entretanto, não age sozinho. Ele se desenvolve sobre um planeta que já acumulou décadas de aquecimento provocado pelo aumento dos gases de efeito estufa. É essa combinação que preocupa os cientistas: fenômenos naturais continuam determinando onde e quando secas, chuvas ou ondas de calor acontecem, mas encontram hoje condições capazes de amplificar seus efeitos.
Europa e Sul do Brasil mostram, assim, duas manifestações distintas de um mesmo cenário. De um lado, calor persistente, rios em baixa, vegetação seca e incêndios; de outro, uma atmosfera carregada de umidade capaz de produzir chuvas cada vez mais intensas. E tudo isso ocorre antes que o atual El Niño alcance sua fase mais forte.







