Neve no Havaí: Furacão Lala marca um dos eventos climáticos mais incomuns do ano
Mistura de ventos fortes, vapor d’água e baixa temperatura no cume do vulcão Mauna Kea favoreceu a formação de neve em sua área
Distante do continente, o estado americano do Havaí tem como característica principal a beleza natural e seu calor tipicamente tropical. No último domingo, 16, o furacão Lala atingiu o arquipélago com ventos fortes, chuva intensa e cortes de energia. Apesar disso, um outro fator causado pelo furacão se destacou: por causa do evento climático, o monte Mauna Kea, ponto mais alto do conjunto de ilhas, teve grandes quantidades de neve em seu topo.
O ciclone tropical Lala já estava previsto e atingiu o arquipélago com chuvas torrenciais e ventos fortes. Sua atuação causou inundações, cortes de energia — cerca de 60 mil pessoas estão sem eletricidade em suas casas — e até mesmo uma morte, ocorrida em decorrência do furacão. Mesmo com essa situação de calamidade em terra, o topo do Mauna Kea, exatamente por causa do furacão, recebeu enormes quantidades de neve.
Mesmo parecendo uma combinação improvável, de acordo com informações do MetSul Meteorologia, o fenômeno é completamente possível. A neve foi causada por uma mistura de quantidades enormes de umidade tropical, temperaturas baixas o suficiente em áreas mais altas e um pico de quase 4.200 metros acima do nível do mar. Vale destacar que, mesmo com a situação conflitante com o clima tropical do Havaí, é comum que haja neve no pico do vulcão, que é extremamente alto. À medida que a altura aumenta, as temperaturas diminuem.
4.205 metros de altura marcam o Mauna Kea, que tem como característica um cume que frequentemente registra temperaturas próximas ou abaixo de zero grau. Durante a aproximação do ciclone, os ventos de 190 km/h misturados à sensação térmica próxima aos -4ºC e enormes quantidades de vapor d’água criaram o ambiente perfeito para a formação de neve no cume do vulcão.
O furacão não passou diretamente pelo arquipélago. Na verdade, seu centro estava há cerca de 50 quilômetros de distância, sem tocar na terra, mas sua circulação externa atingiu de forma direta as ilhas. O que aconteceu foi que o furacão levou à umidade a região, e seus ventos entraram em contato com as barreiras físicas do espaço, que levaram o vento à “subir” o pico do vulcão. Lá, encontraram altitude e baixas temperaturas, o que favoreceu a criação da neve.







